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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 13 de junho de 2009 00:49:56                                               

 
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CULTURA  CINEMA

O Leitor

 

Nair Lúcia de Britto

publicado em 12/06/2009

(The Reader – 2008 – EUA/Alemanha)

 

Uma bela e intrigante história de amor se desenrola, após a 2a. Guerra Mundial, na Alemanha.

A personagem, Hanna Schmtz (Kate Winslet), é uma bela mulher alemã, embora sua aparência seja completamente despojada de quaisquer artifícios de beleza. Ela vive uma vida simples e solitária; e, para sobreviver, trabalha como cobradora de bonde. A vestimenta que a envolve é o rude uniforme de trabalho, que não esconde sua postura sensual, altiva e elegante.

Certo dia, à saída do trabalho, Hanna conhece um rapaz de quinze anos, Michael Berg, vinte e um anos mais novo do que ela. Já na rua, vai ao encontro dele, ao perceber que o jovem estava passando mal. Ela o socorre e o ampara, levando-o para sua modesta residência.

Michael permanece na casa de Hanna, até se recompor. Mas ao acordar, já recuperado, ele surpreende Hanna, no aposento ao lado, trocando de roupa para trabalhar. Imediatamente sente-se seduzido por sua beleza madura. Mas Hanna dispensa-o friamente, talvez, tendo em vista a grande diferença de idade entre ambos.

Sem conseguir esquecê-la, Michael volta a procurar por Hanna. Então uma tórrida relação de amor começa entre os dois. Michael está se preparando para estudar Direito e Hanna fica curiosa em saber o que ele estuda. Para contentá-la, nos intervalos das relações íntimas, ele lê para ela livros da literatura clássica, como a “Odisséia”, “As Aventuras de Huckleberry Finn” e contos de Anton Tchekhov.

Hanna se delicia em ouvir as leituras; aqueles momentos tornam-se tão preciosos para ela, como os momentos de amor que Michael lhe proporcionava. Porém tudo termina quando Hanna é promovida no trabalho; pois para assumir o novo cargo ela abandona a cidade em que morava. Vai embora sem se despedir do rapaz a quem já amava.

A brusca separação do seu primeiro amor causa um grande sofrimento a Michael, que não vê outra solução a não ser entregar-se aos estudos. Anos, mais tarde, ainda como estudante de Direito, ele vai assistir a um julgamento de ex-carcereiras do campo de concentração de Auschwitz. Então, espanta-se ao reconhecer Hanna entre as rés que serão julgadas.

O futuro advogado, contudo, não se manifesta nem mesmo quando, durante o julgamento, foi revelado que Hanna costumava pedir às judias, prisioneiras de sua responsabilidade, que lessem para ela as histórias clássicas que, no passado, gostava tanto de ouvir.

Ele titubeia, porém, quando Hanna é condenada à prisão perpétua; pelo fato de ter assumido a autoria de um relatório que levaria judeus inocentes à morte. Isto, apenas por ter vergonha de confessar que era analfabeta. Prova suficiente para inocentá-la da responsabilidade mais grave, no crime nazista pelo qual estava sendo julgada.

Apesar do drama de consciência que o atormenta, Michael não revela o segredo de Hanna que poderia atenuar sua pena.

Para se redimir de sua culpa, Michael grava várias leituras dos livros preferidos de Hanna e encaminha as gravações para ela, na prisão. Hanna reconhece a voz do homem amado e uma esperança acalenta o seu coração...

Por bom comportamento, Hanna tem a pena abreviada e Michael é avisado.

Ele vai visitá-la, e constata que a mulher sedutora, pela qual se apaixonara na adolescência, agora é uma mulher cujo rosto está marcado pelo sofrimento e que seus cabelos estão completamente brancos.

Ambos se emocionam com o reencontro. Mas Hanna descobre que só era paixão, e não amor, o que Michael sentira por ela no passado. Pois, naquele momento, só consegue despertar piedade... Um sentimento que não lhe foi possível poder suportar!

Para que as flores?... Se Hanna não estava mais lá!...

 

NAIR LÚCIA DE BRITTO

 

* Segundo pesquisa, o filme foi baseado no romance de Bernhard Schlink. O autor do livro pertence à geração que passou pela adolescência na época da ascensão do nazismo, quando os jovens não podiam compreender o porquê dos horrorosos crimes nazistas.

A atriz inglesa Kate Winslet recebeu várias indicações para o Oscar de melhor atriz, depois de ter ganho o prêmio O Globo de Ouro.

  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto
Eu, Nair Lúcia de Britto nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura. Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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