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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 19 de abril de 2008 23:43:30                                               

 
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CULTURA  CINEMA

O Passado (Brasil, Argentina – 2007)

 

Nair Lúcia de Britto

publicado em 20/04/2008

 

O cineasta Hector Babenco foi muito feliz na escolha do ator Gabriel García Bernal para interpretar o jovem Rimimi, o herói da história; pela postura carismática, traços do rosto firmes, embora delicados; um tipo de homem, bem distante do porte másculo, atlético que tanto atrai as mulheres e tão comumente mostrado.

Não, Rimini seduz visto por um outro ângulo; ou seja, pela ternura, pelos cabelos semi-longos e escuros, emoldurando o rosto de anjo.

O personagem trabalha como tradutor e é casado com sua primeira namorada, Sofia (Ana Couceyro, que também se adequou perfeitamente ao papel). Depois de doze anos de casamento, o casal rompe o compromisso, amigavelmente.

Os problemas só vão aparecer depois da separação, quando ela percebe o quanto está ligada afetivamente ao ex-marido e que não suporta a idéia de abrir mão dele para uma outra mulher.

Quanto a ele, esquiva-se da tarefa de separar e rever as fotografias que documentaram um passado feliz, mas que, no momento presente, o machucam. Ele tenta outros relacionamentos com mulheres de personalidades diversas, que o fazem momentaneamente feliz; entretanto, ele não consegue se desfazer do porta-retrato empoeirado, que revela a imagem da jovem esposa.

Sempre sereno, o filme se desenrola despejando vários acontecimentos rápidos e curiosos; uns logo seguidos de outros. Sempre abrangendo Rimini, os casos com os quais se envolve e a ex-mulher; e que o atingem abrupta e emocionalmente. Ele se vê de repente perdido, presa fácil do acaso, incapaz de reagir e escolher o próprio destino.

Na trama, há uma inversão de personalidades distintas no homem em relação à mulher. Isto é, a ternura e os sentimentos, mais característicos da mulher, estão mais presentes no personagem masculino. E o instinto, sexual geralmente mais forte nos homens foi transferido para as personagens femininas.

Daí um comportamento sexual exacerbado por partes das personagens, que talvez até seja uma das fantasias eróticas que os homens tenham em relação às mulheres.

Por outro lado, é emprestado ao herói, toda delicadeza e ternura que tanto as mulheres desejam encontrar nos homens, um sonho quase nunca realizável.

“O Passado” foi baseado na obra do escritor argentino Alan Pauls, que tem o mesmo título. Hector Babenco foi muito bem-sucedido ao produzir um filme sereno, inteligente, feito para pessoas de bom gosto. Também suficientemente intrigante para aqueles que buscam entretenimento.

Vale lembrar a bela trilha sonora que acompanha as imagens bem retratadas. Sutilmente, a obra conduz as pessoas a um momento de reflexão. Motivo pelo qual tenha sido escolhido para abrir a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2007.

Foi, inclusive, a última oportunidade que Paulo Autran teve de se apresentar como ator; dando um toque especial ao filme, que oscila entre o brilho e o bom humor.

NAIR LÚCIA DE BRITTO, COMENTARISTA DE CINEMA

Ficha Técnica:
EL PASSADO, BRASIL/ARGENTINA, 2007. DE HECTOR BABENCO. COM GAEL GARCÍA BERNAL, ANÁLIA COUCEYRO, MARTA LUBOS, ANA CELENTANO. 114 MIN. WWW.BR.WARNERBROS.COM/OPASSADO. WARNER. DRAMA
 

 
  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto é jornalista e poeta.
 

Eu, Nair Lúcia de Britto

Nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura.

Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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