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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 11 de novembro de 2009 20:44:01                                               

 
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CULTURA  CINEMA

O Pagador de Promessas

Nair Lúcia de Britto

publicado em 19/10/2009

(Brasil – 1962)

 
 

“O Pagador de Promessas” foi a obra que consagrou Anselmo Duarte como diretor. Foi indicado para o Oscar, em 1963, como Melhor Filme Estrangeiro. E também foi o primeiro filme a receber o Palma de Ouro, no Festival de Cannes, na França.

Dias Gomes sempre demonstrou atenção para com as causas sociais em seus textos, e foi quem escreveu o roteiro. Ele conta a história de José (Leonardo Villar), um homem simples, dono de um terreno no sertão do Nordeste, onde morava com sua mulher, Rosa (Glória Meneses).

“Zé do Burro”, era o apelido dele, devido a grande estima pelo seu burro que “tinha alma de gente”.

Durante uma forte tempestade, o galho de uma árvore atinge a cabeça do animal, deixando-0 doente. Zé, desesperado, procura a ajuda de Pedro Zeferino, rezador famoso na região, pelas várias curas realizadas. Junto ao rezador, Zé faz uma promessa à Iansã (Santa Bárbara). Se a santa salvasse o seu burro, ele doaria suas terras aos pobres e carregaria uma cruz, tão pesada como a de Jesus, desde sua terra-natal até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador, para oferecer ao padre.

Curado o burro, lá vai o Zé tratar de cumprir sua promessa. E assim começa o filme, com o Zé carregando sua cruz, ao lado da fiel companheira. Depois de muito sacrifício, ele chega à Igreja e conta sua história ao padre.

Mas o padre se recusa terminantemente a aceitar a cruz, proibindo-o de introduzi-la na Igreja, devido as “circunstâncias pagãs”.

Zé se justifica: “Seu vigário, me desculpe, mas eu tentei de tudo. Preto Zeferino é rezador afamado na minha zona!” E lhe conta como ele curou vários animais com “duas rezas e três rabiscos no chão”. Mas o padre retruca: “Você fez muito mal meu filho. Essas orações são do demo!”

“Como pode ser?! - Zé não se conforma. - “Se a oração fala de Deus!”


A confusão se forma quando os seguidores do Candomblé se aproveitam da situação para protestar contra o preconceito religioso da Igreja Católica.

Os jornais de Salvador também resolvem reclamar pela reforma agrária.

Enfim, a simples promessa de um homem humilde transforma-se num tremendo tumulto.

A Polícia chega, e durante o confronto entre os policiais e os manifestantes, o inocente Zé acaba por perder a vida. Revoltados com o triste episódio, os manifestantes entram à força na Igreja e introduzem a cruz.

Sobre a obra que escreveu, Dias Gomes comentou: “O Pagador de Promessas é a história de um homem que não quis conceder e foi destruído. Seu tema central é, assim, o mito da liberdade capitalista. Baseado no princípio de liberdade de escolha, a sociedade burguesa não oferece ao indivíduo os meios necessários ao exercício dessa liberdade; tornando-a, portanto, ilusória”.

O Candomblé é a religião dos negros africanos que foi introduzida no Brasil, com a chegada deles a este país, para serem explorados como escravos; fixando-se principalmente na Bahia e em Pernambuco.

O Candomblé tradicional das regiões africanas, porém, é diferente dos chamados Candomblés de caboclos, que sofreu a influência das culturas indígena e mestiça, partir do século XIX.

O Candomblé tradicional era o recurso utilizado pelos escravos para se manterem fiéis às suas tradições e à cultura de seu país de origem. Na sua religião eles buscavam forças para suportar todo o sofrimento que lhes era imposto pelos brancos.

Dias Gomes quis destacar nesse filme o problema da intolerância para com o diferente. “A intolerância, o sectarismo, o dogmatismo fazem com que vejamos como inimigos aqueles que estão do nosso lado”.

O objetivo de todas as religiões é aperfeiçoar o homem como ser humano a fim de que seja digno de chegar até Deus. “Toda religião que não torna o homem melhor, não atinge o seu objetivo.”


Prêmios:

Indicado para o Oscar, como Melhor Filme Estrangeiro – EUA- 1962

Palma de Ouro (Festival de Cannes – França – 1962

Prêmio Especial do Juri (Festival de Cartagena – Colômbia – 1962)

Golden Gate, na categoria de Melhor Filme e Melhor Trilha Sonora (Festival Internacional de São Francisco – EUA – 1962)

ANSELMO DUARTE

Nasceu em Salto, interior paulista, no dia 21 de abril de 1920. Na sua terra natal, ele trabalhava no “Cine Pavilhão”, onde molhava a tela na qual o filme seria projetado. Um dia, leu o anúncio de Orson Welles, buscando pessoas para participarem do filme “It's All True”, que estava sendo rodado no Brasil, em 1942. Seguiu então para o Rio de Janeiro e iniciou como ator.

Em 1949 já era considerado o galã da Atlântida, onde atuou em inúmeros filmes. Ganhou o prêmio de melhor ator por sua atuação em “Um Pinguinho de Gente”, da revista “A Cena Muda”, do Rio.

Interpretou o personagem Trindade, na televisão, na novela “Feijão Maravilha” (1979). Sua estréia como diretor foi no filme “Absolutamente Certo” (1957).

Após ganhar o Palma de Ouro, Anselmo Duarte e sua equipe foram recebidos com um desfile público, em carro aberto, assim que ele desembarcou no Brasil.

Todos seus filmes recordam uma época ingênua e adorável que deixa saudades. Assim, como agora, deixa muita saudade o rapaz bonito e gentil de tantos filmes românticos que fez suspirar os corações das mulheres do nosso Brasil.

Ele nos deixou em São Paulo, no dia 7 de novembro de 2009.

Ao Anselmo Duarte, a minha homenagem!...

NAIR LÚCIA DE BRITTO

Comentarista de Cinema

Fonte de pesquisa: Enciclopédia Universal Ilustrada Melhoramentos, Folha Online, Wikipédia e Dicionário Enciclopédico TUDO, da Editora Nova Cultural.

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto
Eu, Nair Lúcia de Britto nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura. Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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