Uma antiga construção abandonada ao
tempo, onde funcionava um casarão que abrigava crianças órfãs, é o cenário
principal desse filme de suspense; criado pela imaginação mas, de certa
forma, inspirado também em alguns dos princípios filosóficos e científicos
da Espiritualidade; entretanto apresentando falhas, nesse sentido.
O filme não chega a atingir a mesma qualidade de
outros filmes famosos, nessa linha: “Os Outros” e “Sexto Sentido”; que, além
da qualidade artística e criativa, aproximam-se mais da realidade espiritual
que ainda guarda grandes mistérios a serem desvendados e estudados; uma vez
que, até agora, os espiritualistas estudiosos só chegaram até o ponto em que
a inteligência humana os permite.
Para os totalmente leigos nessa área e que quiserem
assistir esse filme (sem, de forma alguma, desmerecer-lhe a qualidade), acho
prudente ressaltar que o suicídio não livra ninguém de algum tipo de
sofrimento, aqui na Terra; e, muito menos, não nos aproxima de alguma pessoa
muito querida que se perdeu e que se quer, a todo custo, reencontrar.
Segundo às leis da Espiritualidade, estudadas pela
luz da razão e fundamentadas em teorias filosóficas e científicas, o
suicídio é um crime contra si mesmo; é um homicídio que se comete contra a
própria vida; pois só a Deus cabe a responsabilidade de decidir sobre a vida
de cada um de nós.
Quer dizer, a pessoa que, em sã consciência, se
suicida, não vai encontrar o alívio que espera para o seu sofrimento; nem
rever ninguém de quem sinta saudades. Pelo contrário, em vez de alívio ou de
abreviar o reencontro desejado com alguém querido, vai criar uma barreira
intransponível, porque, primeiro, terá de responder pelo crime que cometeu.
Que fique bem claro, portanto, que o reencontro
desejado e satisfeito, através do suicídio, como foi colocado em “O
Orfanato” é pura ficção!
Seria muito mais produtivo se os cineastas, antes de
criar um filme nesse gênero, estudassem mais a fundo os fenômenos da
Espiritualidade e não associassem esses fenômenos aos sentimentos de medo ou
terror! Porque o plano espiritual nada tem de aterrorizante, desde que a
pessoa tenha tido uma vida pautada dentro dos parâmetros da retidão e do
bem.
O filme conta a história de Laura que, quando
criança, foi criada num orfanato onde passou uma infância feliz junto de
outras crianças com quem brincava, amava e considerava como seus verdadeiros
irmãos.
Adulta, já amadurecida e bem casada com Carlos
(Fernando Cayo), Laura quer recuperar o prédio onde passou os dias mais
felizes de sua infância e reabrir suas portas para outras crianças órfãs que
ela tem a intenção de adotar. O primeiro filho adotivo é o menino Símon
(Roger Príncep) a quem ela adora e o primeiro a morar no casarão.
Os pais adotivos não sabem que o garoto tem
faculdades mediúnicas, por isso quando Símon conversa com outras crianças,
visíveis apenas para o menino, eles pensam que a solidão o fez criar amigos
imaginários...
O brusco desaparecimento de Símon cria um clima de
absoluto suspense. E o desespero de Laura faz com que ela apele às
faculdades de médiuns, para localizá-lo...
O filme ganhou muitos prêmios. Foi indicado nas
categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz (Belén Rueda); Melhor Atriz
Coadjuvante (Geraldini Chaplin); Melhor Revelação Masculina (Roger Príncep).
Também representou a Espanha, no Oscar de 2008, como
Melhor Filme Estrangeiro.
Nair Lúcia de Britto - Comentarista de Cinema
Título
Original: El Orfanato
Gênero: Terror/Suspense
País: México/Espanha
Tempo de Duração: 100 minutos
Lançamento no EUA: 28/12/2007
Lançamento no Brasil: 07/03/2008
Direção: Juan Antonio Bayona
Roteiro:
Sergio G. Sánchez
Elenco: Belén
Rueda (Laura), Fernando Cayo (Carlos), Roger Príncep (Simón),
Mabel Rivera (Pilar), Montserrat Carulla (Benigna), Andrés Gertrúdix
(Enrique), Edgar Vivar (Balaban), Óscar Casas (Tomás), Mireia Renau
(Laura Criança) e Georgina Avellaneda (Rita).