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ISSN 1678-8419         última atualização em: domingo, 11 de maio de 2008 01:18:58                                               

 
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CULTURA  CINEMA

Piaf, um hino de amor

 

Nair Lúcia de Britto

publicado em 11/05/2008

(França, República Tcheca, Inglaterra – 2007)

O diretor Olivier Dahan retrata a vida de uma das mais importantes cantoras (e compositora) francesas, da década de 50, Edith Piaf (1915-1963). Era surpreendente a voz linda e tão poderosa, independentemente da frágil aparência.

Muitas de suas canções (das duzentas e quarenta que deixou) eram inspiradas muitas vezes, sua própria história de vida. Empolgava e emocionava a todos que se dispusessem a ouvi-la.

No filme, todas as passagens de sua comovente história de vida são mostradas em desordem e alternadamente; seus bons e maus momentos, intercalados por suas maravilhosas canções famosas, até hoje.

Abandonada pela mãe, Piaf foi criada com muito amor por uma prostituta; mas, aos dez anos de idade o pai (contorcionista) veio buscá-la à força, para que a menina o ajudasse nos espetáculos circences.

Nas apresentações de rua, de repente, a menina começou a cantar e sua voz bonita imediatamente chamou a atenção dos curiosos que os rodeavam. Quando a garota percebeu o quanto agradava com seu talento dado por Deus, abandonou seu pai, que a maltrava, e foi viver sozinha, aos quinze anos. Mantinha-se com o dinheiro que ganhava nas apresentações públicas. Mas apesar da vida dura, na rua, não se sentia só e nem se deixava abalar pela tristeza. Enternecia-se ao ver os infelizes moradores de rua, os bêbados e os desiludidos. Mostrava-se amiga deles e procurava encorajá-los cantando suas canções.

Um belo dia o dono de uma “boite”, Louis Leplée (Gerard Depadieur) ouviu-a cantando e percebendo seu grande talento levou-a para cantar em seu estabelecimento. Deu a ela o nome de “Piaf” porque, segundo ele, o porte miúdo lembrava a fragilidade de um passarinho e sua voz era tão linda como a de um rouxinol.

A moça não demorou a gravar um disco e, assim, em pouco tempo a garota que morava nas ruas passou a frequentar os ambientes mais sofisticados da cidade de Paris, onde frequentavam pessoas de alto nível, como Maurice Chevallier, por exemplo.

Quando o povo francês ficou triste e abatido, em consequência dos trágicos acontecimentos provocados pela segunda guerra mundial, Piaf tratou de revigorá-los e devolver-lhes as esperanças com a força de uma de suas lindas canções: “La Vie en Rose”. Queria ela dizer que os franceses voltassem a se abraçar e a se amar porque a vida era bonita e cor-de-rosa!

Outra de suas canções mais emocionantes foi “L'Hymny à l'amour”, que Piaf dedicou ao grande amor de sua vida Marcel Cerdan (Jean-Pierre Martins), um campeão de boxe, franco-argelino, que desapareceu num desastre de avião, em 1949.

Essa foi realmente a grande tragédia que abalou profundamente Piaf; uma vez que não podia suportar a idéia de ter perdido seu amor para sempre.

Foi, então, que cometeu o maior erro de toda a sua vida, procurando alívio para sua dor na morfina.

Quando adoeceu, ela deixou Paris, palco de seus grandes espetáculos, e foi se refugiar em Grasse, onde passou seus últimos dias, à espera do feliz reencontro!

Toda essa emoção é, sem dúvida, transmitida no filme bem-elaborado, com certeza;

mas com um “porém”, muito triste!

Segundo o meu gosto pessoal, a biografia de Piaf deveria ter sido narrada na ordem natural dos acontecimentos, ressaltando principalmente os melhores momentos de sua

carreira artística; pois, apesar de todos os motivos que a cantora tinha para ser uma pessoa triste, ela era extremamente dinâmica, corajosa e otimista; procurando sempre passar toda essa energia ao seu enorme público. Isso é o mais emocionante!

Nenhuma das canções, de Piaf poderia ser interrompida para dar continuidade a algum episódio triste de sua vida... (como acontece no filme).

Interromper uma dessas belas canções é uma frustração para quem está assistindo; e, para mim, um crime!

Por isso, eu pediria a Olivier Dahan que refizesse esse filme com a atuação maravilhosa da atriz Marion Cottilard! Mas com a interpretação das canções, do início ao fim!

Afinal, em “Hino ao Amor”, Piaf cantava “ Non. Je me regrette rien/Je me fous du passé!...”


 

“NÃO. EU NÃO LAMENTO NADA! NEM O MAL QUE ME FIZERAM, NEM O BEM... EU NÃO ME IMPORTO COM O PASSADO!”

“QUERO COMEÇAR DO ZERO, COM VOCÊ, MEU AMOR!”

Nair Lúcia de Britto, Comentarista de Cinema

Ficha Técnica

Título Original: La Môme

Gênero: Drama

Tempo de Duração: 140 minutos

Ano de Lançamento (França / República Tcheca / Inglaterra): 2007

Site Oficial: www.edithpiaf.com.br

Estúdio: Canal+ / TF1 International / Songbird Pictures / Sofica Valor 7 / TPS Star / Okko Productions

Distribuição: Europa Filmes

Direção: Olivier Dahan

Roteiro: Isabelle Sobelman e Olivier Dahan

Produção: Alain Goldman

Música: Christopher Gunning

Fotografia: Tetsuo Nagata

Desenho de Produção: Olivier Raoux

Direção de Arte: Mick Lanaro, Beata Brendtnerovà, Laure Lepelley e Stanislas Reydellet

Figurino: Marit Allen

Edição: Richard Marizy

Efeitos Especiais: Rainmaker

 

Elenco

Marion Cotillard (Edith Piaf)

Sylvie Testud (Mômone)

Pascal Greggory (Louis Barrier)

Emmanuelle Seigner (Titine)

Jean-Paul Rouve (Louis Gassion)

Gérard Depardieu (Louis Leplée)

Clotilde Courau (Anetta)

Jean-Pierre Martins (Marcel Cerdan)

Catherine Allégret (Louise)

Marc Barbé (Raymond Asso)

Caroline Sihol (Marlene Dietrich)

Manon Chevallier (Edith Piaf - 5 anos)

Pauline Burlet (Edith Piaf - 10 anos)

Elisabeth Commelin (Danielle Bonel)

Marc Gannot (Marc Bonel)

Marie-Armelle Deguy (Marguerite Monnot)

Alban Casterman (Charles Aznavour)

Jil Aigrot (Edith Piaf - voz de canto)

 
  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto é jornalista e poeta.
 

Eu, Nair Lúcia de Britto

Nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura.

Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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