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O diretor Olivier Dahan retrata a vida
de uma das mais importantes cantoras (e compositora) francesas, da década de 50,
Edith Piaf (1915-1963). Era surpreendente a voz linda e tão poderosa,
independentemente da frágil aparência.
Muitas de suas canções (das duzentas e
quarenta que deixou) eram inspiradas muitas vezes, sua própria história de vida.
Empolgava e emocionava a todos que se dispusessem a ouvi-la.
No filme, todas as passagens de sua
comovente história de vida são mostradas em desordem e alternadamente; seus bons
e maus momentos, intercalados por suas maravilhosas canções famosas, até hoje.
Abandonada pela mãe, Piaf foi criada
com muito amor por uma prostituta; mas, aos dez anos de idade o pai
(contorcionista) veio buscá-la à força, para que a menina o ajudasse nos
espetáculos circences.
Nas apresentações de rua, de repente,
a menina começou a cantar e sua voz bonita imediatamente chamou a atenção dos
curiosos que os rodeavam. Quando a garota percebeu o quanto agradava com seu
talento dado por Deus, abandonou seu pai, que a maltrava, e foi viver sozinha,
aos quinze anos. Mantinha-se com o dinheiro que ganhava nas apresentações
públicas. Mas apesar da vida dura, na rua, não se sentia só e nem se deixava
abalar pela tristeza. Enternecia-se ao ver os infelizes moradores de rua, os
bêbados e os desiludidos. Mostrava-se amiga deles e procurava encorajá-los
cantando suas canções.
Um belo dia o dono de uma “boite”,
Louis Leplée (Gerard Depadieur) ouviu-a cantando e percebendo seu grande talento
levou-a para cantar em seu estabelecimento. Deu a ela o nome de “Piaf” porque,
segundo ele, o porte miúdo lembrava a fragilidade de um passarinho e sua voz era
tão linda como a de um rouxinol.
A moça não demorou a gravar um disco
e, assim, em pouco tempo a garota que morava nas ruas passou a frequentar os
ambientes mais sofisticados da cidade de Paris, onde frequentavam pessoas de
alto nível, como Maurice Chevallier, por exemplo.
Quando o povo francês ficou triste e
abatido, em consequência dos trágicos acontecimentos provocados pela segunda
guerra mundial, Piaf tratou de revigorá-los e devolver-lhes as esperanças com a
força de uma de suas lindas canções: “La Vie en Rose”. Queria ela dizer que os
franceses voltassem a se abraçar e a se amar porque a vida era bonita e
cor-de-rosa!
Outra de suas canções mais
emocionantes foi “L'Hymny à l'amour”, que Piaf dedicou ao grande amor de sua
vida Marcel Cerdan (Jean-Pierre Martins), um campeão de boxe, franco-argelino,
que desapareceu num desastre de avião, em 1949.
Essa foi realmente a grande tragédia
que abalou profundamente Piaf; uma vez que não podia suportar a idéia de ter
perdido seu amor para sempre.
Foi, então, que cometeu o maior erro
de toda a sua vida, procurando alívio para sua dor na morfina.
Quando adoeceu, ela deixou Paris,
palco de seus grandes espetáculos, e foi se refugiar em Grasse, onde passou seus
últimos dias, à espera do feliz reencontro!
Toda essa emoção é, sem dúvida,
transmitida no filme bem-elaborado, com certeza;
mas com um “porém”, muito triste!
Segundo o meu gosto pessoal, a
biografia de Piaf deveria ter sido narrada na ordem natural dos acontecimentos,
ressaltando principalmente os melhores momentos de sua
carreira artística; pois, apesar de
todos os motivos que a cantora tinha para ser uma pessoa triste, ela era
extremamente dinâmica, corajosa e otimista; procurando sempre passar toda essa
energia ao seu enorme público. Isso é o mais emocionante!
Nenhuma das canções, de Piaf poderia
ser interrompida para dar continuidade a algum episódio triste de sua vida...
(como acontece no filme).
Interromper uma dessas belas canções é
uma frustração para quem está assistindo; e, para mim, um crime!
Por isso, eu pediria a Olivier Dahan
que refizesse esse filme com a atuação maravilhosa da atriz Marion Cottilard!
Mas com a interpretação das canções, do início ao fim!
Afinal, em “Hino ao Amor”, Piaf
cantava “ Non. Je me regrette rien/Je me fous du passé!...”
“NÃO. EU NÃO LAMENTO NADA! NEM O MAL
QUE ME FIZERAM, NEM O BEM... EU NÃO ME IMPORTO COM O PASSADO!”
“QUERO COMEÇAR DO ZERO, COM VOCÊ, MEU
AMOR!”
Nair Lúcia de Britto, Comentarista de Cinema

Ficha Técnica
Título Original: La Môme
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 140 minutos
Ano de Lançamento (França / República Tcheca / Inglaterra): 2007
Site Oficial: www.edithpiaf.com.br
Estúdio: Canal+ / TF1 International / Songbird Pictures / Sofica Valor 7 /
TPS Star / Okko Productions
Distribuição: Europa Filmes
Direção: Olivier Dahan
Roteiro: Isabelle Sobelman e Olivier Dahan
Produção: Alain Goldman
Música: Christopher Gunning
Fotografia: Tetsuo Nagata
Desenho de Produção: Olivier Raoux
Direção de Arte: Mick Lanaro, Beata Brendtnerovà, Laure Lepelley e Stanislas
Reydellet
Figurino: Marit Allen
Edição: Richard Marizy
Efeitos Especiais: Rainmaker
Elenco
Marion Cotillard (Edith Piaf)
Sylvie Testud (Mômone)
Pascal Greggory (Louis Barrier)
Emmanuelle Seigner (Titine)
Jean-Paul Rouve (Louis Gassion)
Gérard Depardieu (Louis Leplée)
Clotilde Courau (Anetta)
Jean-Pierre Martins (Marcel Cerdan)
Catherine Allégret (Louise)
Marc Barbé (Raymond Asso)
Caroline Sihol (Marlene Dietrich)
Manon Chevallier (Edith Piaf - 5 anos)
Pauline Burlet (Edith Piaf - 10 anos)
Elisabeth Commelin (Danielle Bonel)
Marc Gannot (Marc Bonel)
Marie-Armelle Deguy (Marguerite Monnot)
Alban Casterman (Charles Aznavour)
Jil Aigrot (Edith Piaf - voz de canto) |