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No
dia 29 de setembro de 2007, próximo passado, Plínio Marcos de Barros,
completaria 72 anos de idade. Natural da cidade de Santos, litoral paulista, ele
foi um dos autores teatrais mais mais importantes da nova geração.
Causou um impacto surpreendente na década de 60, ao criar personagens arrancados
do submundo real das grandes cidades, como as prostitutas e marginais; e vítimas
da exploração dos subempregos, que só ofereciam ao trabalhador uma vida muito
difícil e sacrificada. Os sentimentos de ódio, revolta e rancor que os envolviam
e os conduziam, num impulso incontrolável, às mais tenebrosas situações de
violência era uma realidade.
Filho do dramaturgo Léo Gama e autor de inúmeras peças de teatro, Plinio Marcos
foi muito perseguido por parte da censura que dominava, na época.
De
origem modesta, Plinio Marcos não gostava de estudar, por isso concluiu apenas o
curso primário. Pessoa simples, era despojado de qualquer orgulho. Para
sobreviver, Plínio Marcos trabalhou em diversas áreas: desde aprendiz de
funileiro, jogador de futebol, encanador, vendedor de livros, estivador e
camelô. Mas foi aos dezesseis anos que logo descobriu seu talento para as artes,
ao ingressar no circo como palhaço. Atuou no rádio e na televisão, em Santos.
Fez palestras nas Faculdades paulistas e escreveu textos para a “Folha de
S.Paulo”, “Folha da Tarde” e revista Veja; na televisão, ingressou no teatro de
vanguarda da TV Tupi.
Como
ator, começou a trabalhar 1958 na companhia de teatro de Patrícia Galvão, a
talentosa Pagu. No mesmo ano, escreveu a peça “Barrela”, inspirado numa
escabrosa notícia de jornal, que o deixou indignado. A peça chegou a ser
estreada no dia 1. de novembro de 1959 no palco do “Centro Português de Santos”;
mas, logo em seguida, foi proibida pela censura federal durante 21 anos.
“Navalha na Carne” foi a peça mais difícil de ser liberada. Bem como outra peça
de grande sucesso: “Dois Perdidos numa Noite Suja”. “Abajur Lilaz”, foi escrita
em 1969, Quando tudo estava pronto, para a estréia em 1975, a apresentação da
peça foi cancelada. Esse episódio constituiu a bandeira de toda a classe
teatral, em sinal de protesto à censura.
Plínio Marcos chegou a ser preso em fins da década de 60 e início da década de
70. Em 73, o artista desabafou:
“Eu,
há dezessete anos sou um dramaturgo. Há dezessete anos, pago o preço de nunca
escrever para agradar os poderosos...
“A
solidão, a miséria, nada me abateu, nem me desviou do meu caminho de crítico da
sociedade, de repórter incômodo e até provocador. Eu estou no campo. Não corro,
não saio.
“E
pago qualquer preço pela pátria do meu povo!”
“
Querô” foi o primeiro romance de Plínio Marcos, publicado na década de 60. Em
1976, o autor o converteu numa peça de teatro, que ganhou o prêmio APCA –
Associação Paulista de Críticos de Arte. Pela mesma obra, em 1993, ganhou o
prêmio Shell.
Foi
traduzido, publicado e encenado em francês, espanhol, inglês e alemão; estudado
em teses de sociolinguística, semiologia, psicologia em universidades do Brasil
e do exterior.
Em
1998, recebeu o título de Cidadão Emérito pela Câmara Municipal de Santos.
Deixou-nos aos 64 anos de idade, no dia 19 de novembro de 1999, no Instituto do
Coração, em São Paulo.
Seu
talento admirável abriu novos caminhos para o teatro nacional, influenciando
novos autores que o sucederam.
O
filme “Quero”, sucesso atual nos cinemas das cidades do Estado de São Paulo
constitui a voz de Plínio Marcos que ainda se ergue firme e vibrante, na defesa
de uma sociedade melhor e mais justa!
Texto de: NAIR LÚCIA DE BRITTO
Poeta e Jornalista
Bibliografia: Dicionário Enciclopédico da Editora NOVA CULTURAL, “Folha de
S.Paulo”
(artigo do crítico de teatro Valmir Santos para a 'Ilustrada'; e outras fontes
de pesquisa. |