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Nicholas Philibert dirige um
documentário incomum.
As narrativas não existem, nem
imagens de arquivos ou depoimentos formais. Apenas a câmara que visualiza e
registra o trabalho de um mestre ensinando aos seus pequenos discípulos.
São estudantes de uma Escola Rural
da França; e o documentário acompanha a trajetória desses alunos desde o
jardim da infância até o último ano do curso fundamental que corresponde aos
quatro anos até os onze anos de idade.
Durante esse período as crianças
mostram-se em pleno processo de formação tanto quanto ao conhecimento como
também em relação a sua identidade pessoal.
Mestre e discípulos não são
atores, mas sim personagens da vida real que comportam-se com absoluta
naturalidade diante da câmara. As filmagens começam quando os alunos deixam
suas casas, enfrentando o frio e a neve, para chegar à Escola.
Eles são conduzidos por um carro
que atravessa um longo percurso. Na verdade, é um belo passeio por uma
estrada coberta de neve; e lindas árvores, uma em seguida da outra, que se
erguem de ambos os lados e enriquecem a paisagem magnífica.
Quando, afinal, os alunos chegam à
Escola, o Professor os recebe calorosamente, antes de dar início a mais um
dia de aula. Por sua vez, os alunos são bastante receptivos ao aprendizado.
O Professor jamais ergue a voz para ensinar um aluno; não é necessário, o
ambiente é calmo, os alunos tranquilos, interessados e respeitosos. Eles
sabem que é hora de estudar e terão os momentos de recreio para brincar e
descarregar suas energias.
Há uma cumplicidade proveitosa
entre o Professor e seus alunos e um vínculo de afeto sincero se estabelece
entre eles. Os alunos portadores de necessidades especiais recebem uma
atenção também muito especial, além de muito carinho; o que os estimula ao
aprendizado.
Todos os momentos dessa relação
escolar são filmados: a hora do recreio, as eventuais desavenças entre as
crianças durante as brincadeiras; e como tudo é resolvido com a habilidade e
a interferência dos adultos. Depois, o retorno ao lar; os deveres de casa
acompanhados com total interesse pela família, momentos esses passados com
entretenimento e alegria.
Ser e Ter não é uma ficção;
mas sim uma mostragem real do trabalho de um dedicado Professor, realizado
com responsabilidade, bom senso e equilíbrio.
É, sobretudo, um bom exemplo, a
ser seguido e refletido, de um Mestre que ama aquilo que faz e que ama os
seus alunos.
NAIR LÚCIA DE BRITTO
COMENTARISTA DE CINEMA
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