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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 28 de julho de 2008 20:59:00                                               

 
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CULTURA  CINEMA

Ser e Ter (Être et Avoir)

 

Nair Lúcia de Britto

publicado em 26/07/2008

(França – 2003)

Nicholas Philibert dirige um documentário incomum.

As narrativas não existem, nem imagens de arquivos ou depoimentos formais. Apenas a câmara que visualiza e registra o trabalho de um mestre ensinando aos seus pequenos discípulos.

São estudantes de uma Escola Rural da França; e o documentário acompanha a trajetória desses alunos desde o jardim da infância até o último ano do curso fundamental que corresponde aos quatro anos até os onze anos de idade.

Durante esse período as crianças mostram-se em pleno processo de formação tanto quanto ao conhecimento como também em relação a sua identidade pessoal.

Mestre e discípulos não são atores, mas sim personagens da vida real que comportam-se com absoluta naturalidade diante da câmara. As filmagens começam quando os alunos deixam suas casas, enfrentando o frio e a neve, para chegar à Escola.

Eles são conduzidos por um carro que atravessa um longo percurso. Na verdade, é um belo passeio por uma estrada coberta de neve; e lindas árvores, uma em seguida da outra, que se erguem de ambos os lados e enriquecem a paisagem magnífica.

Quando, afinal, os alunos chegam à Escola, o Professor os recebe calorosamente, antes de dar início a mais um dia de aula. Por sua vez, os alunos são bastante receptivos ao aprendizado. O Professor jamais ergue a voz para ensinar um aluno; não é necessário, o ambiente é calmo, os alunos tranquilos, interessados e respeitosos. Eles sabem que é hora de estudar e terão os momentos de recreio para brincar e descarregar suas energias.

Há uma cumplicidade proveitosa entre o Professor e seus alunos e um vínculo de afeto sincero se estabelece entre eles. Os alunos portadores de necessidades especiais recebem uma atenção também muito especial, além de muito carinho; o que os estimula ao aprendizado.

Todos os momentos dessa relação escolar são filmados: a hora do recreio, as eventuais desavenças entre as crianças durante as brincadeiras; e como tudo é resolvido com a habilidade e a interferência dos adultos. Depois, o retorno ao lar; os deveres de casa acompanhados com total interesse pela família, momentos esses passados com entretenimento e alegria.

Ser e Ter não é uma ficção; mas sim uma mostragem real do trabalho de um dedicado Professor, realizado com responsabilidade, bom senso e equilíbrio.

É, sobretudo, um bom exemplo, a ser seguido e refletido, de um Mestre que ama aquilo que faz e que ama os seus alunos.

NAIR LÚCIA DE BRITTO
COMENTARISTA DE CINEMA

 
  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto é jornalista e poeta.

Eu, Nair Lúcia de Britto nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura. Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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