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ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 16 de novembro de 2010 20:15:37                                               

 
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CULTURA  CINEMA

Análise do filme Um sonho possível

 

Bruno de Azevedo

publicado em 16/11/2010

 

Um sonho possível (The blind side – Drama, 120 minutos, Warner Bros, 2010), nos emociona com a interpretação singular de Sandra Bullock, ganhadora do Globo de Ouro de melhor atriz de 2010, e também do seu primeiro Oscar, também como melhor atriz de 2010. O filme foi indicado ao Oscar, porém o ganhador desse ano foi “Guerra ao terror”.

O filme inicia com um episódio trágico, “Monday night Football”, sob a narração de Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock),  quando a partir do barulho do apito inicia-se a partida, quando o quarterback dos Redskins Joe Theismann pega a saída da bola e passa para seu running back. A partir daí ocorre o que chamamos de “flea flicker”, ou seja, uma jogada ensaiada, onde o running back passa a bola de volta para o quarterback. A partir dessa jogada, o resto é definido pelo que o quarterback vê, mas nesse jogo será definido pelo o que ele não vê, quando o melhor defensor da NFL (National Football League – Liga Nacional de Futebol), Lawrence Taylor derruba Theismann, deixando-o impossibilitado de continuar na partida. O jogador mais bem pago é o quarterback, e o segundo mais bem pago é o left tackle, este que protege o lado cego daquele. Isso se deu graças ao episódio que acabamos de narrar. Seguindo nessa mesma linha de pensamento, é feita uma analogia, onde toda dona de casa sabe que o primeiro cheque que se dá é para a hipoteca, e o segundo é para o seguro. Essa consideração será crucial para a compreensão do contexto da história, bem como o título original.

O enredo prossegue, e o primeiro diálogo do filme somente será compreendido no final, um efeito que o roteirista parece utilizar para que ao final da trama, o telespectador possa compreender o todo. O protagonista do filme Michael Oher, popularmente conhecido como Big Mike (Quinton Aaron), é um adolescente triste, com uma história de vida baseada em sofrimento e perdas, desde que lhe tiraram dos braços de sua mãe quando ainda era pequeno, separando-o não somente de sua genitora, como de seus irmãos, desfazendo qualquer perspectiva de um futuro brilhante. Sua mãe, sempre usuária de crack, não teve estrutura para criar seus filhos com educação e com direito ao amor que todo ser humano merece. Desde então, aquele episódio fica gravado na mente de Mike, e sob custódia do Estado, passa de lar em lar dormindo no sofá da sala, sem ao menos ser aceito como membro da família.

A história prossegue, podendo ser considerado um drama agradável de assistir, com pitadas de humor e sensibilização inerentes do ser humano. Big Mike consegue entrar em uma escola particular cristã, que o aceita por insistência do treinador de futebol americano(este, interessado nas habilidades atléticas do garoto), alegando ser um “dever cristão” admiti-lo, mesmo com seu péssimo histórico escolar.

Ele passa frequentar a escola, mas sente-se excluído ao meio de muitas pessoas brancas, paredes brancas e chão branco, como se ele fosse uma mosca no meio do leite. Isso prova que o negro sente o preconceito sem ao menos ter sido evidenciado pelas pessoas à sua volta.

Em uma noite fria e chuvosa, Big Mike andava sem rumo, pouco agasalhado, quando Leigh Anne se sensibiliza e leva-o para a sua casa para que ele possa passar a noite. Depois de arrumar o sofá para que ele possa passar a noite, Leigh Anne conversa com seu marido na cama, e pergunta-o se ele acha que Big Mike roubará algo, isso evidencia que mesmo com a solidariedade daquela mulher, há dúvidas sobre a idoneidade do rapaz desconhecido.

Ele passa a morar com a Família Tuohy e fazer parte de toda programação deles, como o dia de Ação de Graças, inclusive participa do cartão de natal da família. Quando Mike e Leigh Anne vão ao bairro dele em busca de sua mãe, ele a protege dos perigos do lugar. Ela também descobre na escola que ele teve 98% na categoria instinto de proteção em um teste de aptidão do Estado.

SJ, Sean Junior( Jae Head), o filho caçula de Sean(Tim Mc Graw) e Leigh Anne começa a treinar o condicionamento físico de Mike, para que ele tenha um bom desempenho no futebol americano. A família o recebe com muito amor, e o casal decide tornarem-se os guardiões legais de Michael.

Durante um momento de distração de Mike ao volante, ele bate em um caminhão, e devido ao tamanho de SJ, que é muito pequeno para estar no banco da frente, o airbag não teria efeito sob o impacto da batida, porém Mike intercepta-o colocando seu braço na frente e, salvando a vida do menino.

Michael enfrenta dificuldades no treino de futebol, e não consegue desempenhar seu papel de left tackle(proteger o lado cedo do quarterback) com eficiência, até que por influência de Leigh Anne que o encoraja a proteger o time como se fosse sua família, Mike passa a jogar melhor. Retomando o início do filme, neste momento podemos entender o nome original do filme (The blind side – O lado cego), ou seja, Mike tem os instintos de proteção bem aguçados e ele pode desempenhá-los com uma grande habilidade, protegendo tanto seu time, como sua família daquilo que não se vê, o lado cego.

Este adolescente muda a rotina da família, e ajuda-o a enfrentar as dificuldades, ajuda-o a melhorar suas notas na escola, para que possa conseguir uma bolsa de estudos na universidade através de suas habilidades esportivas. Mike consegue a nota suficiente para ir para Ole Miss (University of Mississippi). Mas ele passa por uma investigação (cena do início do filme), sobre sua escolha de universidade, já que a família Tuohy é patrocinadora da universidade, se teme que a família tratou-o como membro da família para que ele jogasse futebol para a Universidade de Mississippi. Ao final, Mike percebe que a família realmente o acolheu por solidariedade e para ajudar a um adolescente com futuro até então incerto.

Baseado na história real de Michael Oher, esse filme nos permite uma reflexão aguçada sobre nossos valores morais, nosso amor para com o próximo, um filme de duas horas bem aproveitadas com pitadas de humor,  sensibilização e a radiante interpretação de Sandra Bullock.

 

 

Bruno de Azevedo é acadêmico da 4ª fase do curso de Letras Trilíngue – habilitação em Português, Inglês e Espanhol, pela Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP),em Caçador – SC.

 

 
  

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