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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 09 de maio de 2011 16:37:50                                               
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CULTURA  CINEMA

VIPs

Nair Lúcia de Britto

publicado em 05/05/2011

(Brasil – 2010)

VIPs é o melhor filme brasileiro que já assisti até hoje. Dirigido por Toniko Melo e com roteiro de Braulio Mantovani e Thiago Dottori, esse filme é tão deslumbrante que monopoliza a atenção do espectador do início ao fim.

 

Eu acho que a gente juntou um time muito bom”, declarou Toniko Melo, referindo-se à toda equipe que trabalhou nesse filme. E é verdade.

 

Histórias Reais de um Mentiroso, livro escrito por Mariana Caltabiano, foi alavanca que serviu para o roteiro inspirado na vida de Marcelo Nascimento da Rocha.


Desde de criança Marcelo (João Francisco Tottene) sonhava em ser piloto de avião, assim como seu pai. Sua melhor diversão era brincar de bola com ele, enquanto decorava os nomes dos principais aeroportos do mundo, que seu pai lhe ensinava.

 

Durante toda sua infância seus pais lhe passaram a idéia de que ele tinha de ser alguém importante e não um zé-ninguém. Quando rapaz (Wagner Moura), sai de casa obstinado pelo sonho de governar um avião. Como vai realizar esse sonho Marcelo ainda não sabe. Sua única certeza é que nada nem ninguém o impedirá de atingir seu objetivo.

 

Esse sonho levou Marcelo a começar a mentir, enganar e a entrar para o mundo do crime, porque foi a única porta que se abriu para que ele pudesse satisfazer os apelos da sua vocação.

 

Uma mentira leva a outra e mais outra... e o sucesso que obtinha através dessas mentiras motivou-o a interpretar personagens importantes, da vida real, que ele admirava.

 

Um dos pontos culminantes do filme é quando Marcelo se faz passar pelo guitarrista da banda do Engenheiros do Hawaii , cantando Será, rememorando o inesquecível Renato Russo, da Legião Urbana. Nesta cena a excelente atuação e a voz de Wagner Moura me surpreendeu e me emocionou muito. Outra cena impactante foi quando Marcelo está descendo com seu avião e, entre o azul do céu e o azul da piscina, ele vê pela janela o espetáculo lindo do Carnaval de Recife.

 

Sempre alegre, extrovertido e dinâmico esse filme questiona duas questões sociais relevantes. Embora realidade, ficção e arte se misturem, a verdade é que o homem da vida real que inspirou este filme atualmente está preso numa cela comum, junto a outros criminosos. Também é verdade que ele tinha uma vocação gritante dentro dele para ser piloto, além de outros dotes artísticos demonstrados sempre que ele interpretava de forma absolutamente convincente alguém que ele queria ser.

 

Esse fato levou-me a relembrar uma entrevista dada por um cientista político, à televisão. Tendo vivido um bom tempo fora do Brasil, contou que em outros países os governantes caçam talentos e, independentemente da classe social em que vivem; lhes dão toda abertura possível para desenvolverem suas habilidades; trazendo, consequentemente, mais progresso ao país. No Brasil, ele disse, muitos morrem sem saber, eles próprios, do talento que possuíam.

No caso desse filme, Marcelo parecia não querer machucar as pessoas, mas simplesmente vivenciar outras identidades que ele admirava e gostaria de ser.

 

VIPs conquistou quatro estatuetas no Festival do Rio, de 2010.

 

Melhor filme, melhor ator:Wagner Moura/Marcelo; Gisele Fróes/Silvia e Jorge D'Elia/Patrão.

 

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto
Eu, Nair Lúcia de Britto nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

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