Resumo: O presente
trabalho visa demonstrar a grande capacidade que a fotografia tem
diante da história, principalmente para os indivíduos no que se
refere às lembranças. Ademais, a fotografia deve ser entendida
simultaneamente como imagem documento e imagem monumento. No
primeiro, ela informa aspectos da vida material. Como monumento a
fotografia é memória, legado do passado ao presente, e aquilo que
foi escolhido pela sociedade, ou o individuo, para ser registrado e
deixado para a posteridade.
Palavras-chave:
fotografia, memória, história, tempo.
Abstract: This paper aims to demonstrate the great capacity of
the photography is front on history, especially for individuals with
regard to memories. Moreover, the picture must be understood both as
document and image monument image. In the first case reveals aspects
of material life. As a monument is the picture memory, legacy of the
past to the present, and what was chosen by the Society
or the individual to be registered and left
for posterity.
Keywords: photography, memory, history, time.
A fotografia são fontes
não-verbais (não constituídas pela palavra escrita ou falada).
Apesar de aparentemente mudas, as fotografias comunicam,
expressam e significam. Ela constitui-se como uma grande força para
a memória dos indivíduos sociais. Esta força vem, sobretudo, por ela
ter traços de um referente que remete a uma realidade que já foi
transcorrida no tempo e espaço, da qual este referente não existe
mais. A fotografia representa algo, (sociedade, pessoas, objetos
ect.) que não existe mais, ou seja, ela representa a ausência.
Ademais, a imagem fotografia nós proporcionam o desencadeamento de
lembranças de acontecimentos já transcorridos, de modo que ao
olharmos a imagem, ela ativa nossas lembranças fazendo retrocedemos
mentalmente aquele instante presenficado na fotografia.
As pessoas utilizam a
fotografia como forma de registrar momentos da vida para posterior
recordação. O individuo com sua maquina fotográfica, através do “clic”,
capta aquilo que em sua visão e importante, o que dever ser
registrado e guardado. É nesse sentido que a imagem torna-se
duradoura, pois suplanta seu produtor, os personagens e os motivos
registrados. Neste sentido, Boris Kossoy demonstra que:
Os
homens colecionam esses inúmeros pedaços congelados do passado em
forma de imagens para que possam recordar, a qualquer momento,
trechos de suas trajetórias ao longo da vida. Apreciando essas
imagens, ‘descongelam’ momentaneamente seus conteúdos e contam a si
mesmos e aos mais próximos suas histórias de vida. Acrescentando,
omitindo ou alterando fatos e circunstâncias que advêm de cada foto,
o retratado ou o retratista têm sempre, na imagem única ou no
conjunto das imagens colecionadas, o start da lembrança, da
recordação, ponto de partida, enfim, da narrativa dos fatos e
emoções. (KOSSOY, 1999, p. 138)
Fotografamos os momentos
de nossa existência, as pessoas, objetos. Através dela buscamos
congelar um determinado tempo, com as fotografias podemos voltar no
tempo, e preservar a lembrança de nossa trajetória familiar
(aniversario dos pais, irmãos), os amigos da faculdade (a formatura)
ect.
A essência de
fotografarmos significa que pretendemos congelar no tempo a nossa
memória, guardar as nossas diversas vivencias. Assim, a fotografia e
por excelência nos seres humanos o vestígio da memória, e parar no
tempo – espaço, alguma coisa que, para nós, tenha sido prazeroso,
que posteriormente queremos ver estas situações vivenciadas.
Se recordar e viver
plenamente, a fotografia cumpri grandiosamente essa função. Por meio
dela, pode-se criar um arquivo de vida, registrando todos os
momentos que o individuo acha primordial. Ela registra – congela o
tempo retratado, para depois reaver ao individuo, que possibilita
situar-se uma conexão entre um tempo já transcorrido e vivido por
ele. Permitindo assim, ver como ele se vestia que estilo de cabelo
usava seu porte físico etc. Neste ponto, na grande maioria das vezes
acorre que o individuo vê aquele passado registrado na foto com uma
visão do presente, que na verdade deveria compreender o passado pelo
passado registrado pela imagem fotográfica. Quem já não ouviu por ai
frases desse teor: “Nossa! Que corte de cabelo mais esquisito você
usava, que roupas mais bregas você vestia”. Ocorre aqui que, quando
os indivíduos olham a fotografia, ele se encontra num tempo e espaço
completamente diferente daquele que a imagem capturou.
Sobre o álbun de família
BOURDIE, nós remete importantes informações:
A
Galeria de Retratos democratizou-se e cada família tem, na pessoa do
seu chefe, o seu retratista. Fotografar as suas crianças é fazer-se
historiógrafo da sua infância e preparar-lhes, como um legado, a
imagem do que foram... O álbum de família exprime a verdade da
recordação social. Nada se parece menos com a busca artística do
tempo perdido que estas apresentações comentadas das fotografias de
família, ritos de integração a que a família sujeita os seus novos
membros. As imagens do passado dispostas em ordem cronológica,
"ordem das estações" da memória social, evocam e transmitem a
recordação dos acontecimentos que merecem ser conservados porque o
grupo vê um fator de unificação nos monumentos da sua unidade
passada ou, o que é equivalente, porque retém do seu passado as
confirmações da sua unidade presente. É por isso que não há nada que
seja mais decente, que estabeleça mais a confiança e seja mais
edificante que um álbum de família: todas as aventuras singulares
que a recordação individual encerra na particularidade de um segredo
são banidas e o passado comum ou, se quiser, o menor denominador
comum do passado, de nitidez quase coquetista de um monumento
funerário freqüentado assiduamente". (LE GOFF Apud BOURDIEU.
1990, p. 466.).
Quando nossos olhos
visualizam uma imagem, assim podemos dizer que, simultaneamente
nosso laptop biológico busca em seus “arquivos” algo que nós faça
dialogar com aquele referido momento.
A respeito disso, algo
fascinante da imagem fotográfica é, que ela tem o grande poder de
trazer o acontecido para a posterioridade, para que não viu-viveu,
possa velo e quem estava lá possa vê-lo de novo, para recordar.
Grande exemplo disso são os álbuns de família. Os pais mostram as
fotos para os filhos de sua vivencia no passado, que estes não
presenciaram. Ao mesmo tempo em que trazem esses momentos aos
filhos, permitem a si próprios ver situações suas e recordá-las,
quando narram a eles os aspectos presentes da imagem.
Ao olhar para a fotografia
resgatamos o passado no presente. Ela permite que um passado “morto”
possa ser representado. Ou mesmo, a imagem fotográfica satisfaz as
pessoas, quando alguém não pode estar “perto uma do outroii”.
E comum que indivíduos levam consigo fotografias de familiares,
amigos, namoradas nas carteiras, agenda, bolsas ou as colocam na
escrivaninha, paredes ect ou mesmo nos respectivos lugares de
trabalho que atuam. Mas, também cabe frisar que, geralmente os
indivíduos devolvem ou em outros casos rasgam as fotografias, quando
ocorre uma ruptura nos relacionamentos. Através desse ato, pretende
esquecer a memória que a imagem fotográfica proporciona.
A fotografia segundo o
historiador francês Jacques Le Goff (1990, p. 535) deve ser
entendida como imagem - documento e imagem - monumento. Nesta
relação intrínseca, história e memória, a fotografia como documento
revela uma representação dos aspectos da vida material bastante
minuciosa. Como monumento, a imagem fotográfica é uma memória, um
legado do passado ao presente, e aquilo que foi escolhido pela
sociedade, ou o individuo, para ser registrado e deixado para a
posteridade.
A esse respeito CARDOSO E
MAUAD, traz alguns apontamentos a respeito da fotografia como imagem
documento:
(...) revela aspectos da vida
material de um determinado tempo do passado de que a mais detalhada
descrição verbal não daria conta. Neste sentido, a imagem
fotográfica seria tomada como índice de uma época, revelando, com
riqueza de detalhes, aspectos da arquitetura, indumentária, formas
de trabalho, locais de produção, elementos de infra-estrutura urbana
tais como tipo de iluminação, fornecimento de água, obras públicas,
redes viárias etc.; ou ainda, se a imagem for rural, tipo de
mão-de-obra, meios de produção, instalações diversas...
(CARDOSO, MAUAD. 1997, p. 405).
Neste aspecto, os autores
nós remete como é grande capacidade que a fotografia tem a revelar
as representações de uma dada sociedade que, no entanto, um
documento verbal não conseguiria fornecer alguns detalhes que a
imagem fotográfica nós fornece.
Tomando a fotografia como
imagem – monumento:
Concebida como monumento, a fotografia impõe ao historiador uma
avaliação que ultrapasse o âmbito descritivo. Neste caso, ela é
agente do processo de criação de uma memória que deve promover tanto
a legitimação de uma determinada escolha quanto, por outro lado, o
esquecimento de todas as outras. (CARDOSO, MAUAD. 1997, p. 406).
Em linhas gerais, a
fotografia, o ato de fotografarmos implica em registrarmos
determinados fatos em detrimento de outros. Implica recordarmos X e
não Y é, dito em outros modos, e criarmos uma determinada memória de
alguns fatos, e ao mesmo tempo em que relegamos outras tantas.
Constituem “uma seleção que implica necessariamente exclusão”.
Portanto, o entendimento da fotografia como memória, e necessário
termos em mente que elas dependem das escolhas feitas no momento em
que foram produzidas, carregando, as marcas de seu tempo e espaço.
Referências
Bibliográficas
CARDOSO, Ciro Flamarion;
MAUAD, Ana Maria. História e Imagem: os exemplos da Fotografia e
do Cinema. In: CARDOSO, C. F.; VAINFAS, R. (orgs.). Domínios da
história – Ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus,
1997.
KOSSOY, Boris.
Realidades e ficções na trama fotográfica. São Paulo: Ateliê
Editorial, 1999.
LE GOFF, Jacques.
História e memória. Tradução Bernardo Leitão. Campinas, SP:
Editora da UNICAMP, 1990.
i
Graduando em História pela Faculdade Estadual de Educação,
Ciências e Letras de Paranavaí – FAFIPA. E-mail: karvalhorenatto@gmail.com.
ii
Aqui neste ponto, a fotografia funciona como um conforto. Ela, de
certa forma presenfica a pessoa, ou em outros termos, “cria uma
imensa sensação física da pessoa retratada na imagem”.