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Resumo
Apresentamos uma reflexão sobre a importância de colocar os pequenos,
bebês mesmo, em contato com a leitura, com o prazer do contato com as
letras. Isso jamais será uma perda de tempo, mas um investimento para a
formação de futuros leitores.
Palavras-chave: leitura,
primeira-infância, livros.
Abstract
We present
a reflection on the importance to place the small, babies same, in
contact with the reading, the pleasure of the contact with the letters.
This never will be a loss of time, but an investment for the formation
of reading futures
Word-keys:
reading, books, childrens.
Acredite quem quiser, mas não perdemos tempo ao ler para
quem ainda não aprendeu a falar. Não podemos dizer que haja uma idade
para começarmos o incentivo à leitura. Mas ela também se torna muito
interessante até mesmo de zero a três anos.
Segundo Priolli (2008, p. 10), os pequenos podem até não
entender todo o enredo de uma história, porém a leitura em voz alta os
coloca em contato com outras dimensões das linguagens oral e escrita,
percebem que a fala coloquial é diferente daquela usada numa leitura,
que tem cadência, ritmo e emoção e que também as histórias tem início,
meio e fim.
Para alguns teóricos, as crianças que desde muito cedo
tem livros ao seu alcance, provavelmente se interessarão pela leitura na
vida adulta. Ana Maria Machado (2002, p. 10), fala de suas lembranças em
relação à leitura na infância e a relação com momentos afetivos, destaca
que essas lembranças infantis ficam muito nítidas e duráveis e isso
talvez ocorra porque a memória das crianças ainda está tão disponível e
virgem que as impressões deixadas nela ficam marcadas de forma muito
profunda, ou talvez por que essas impressões sejam muito carregadas de
emoção.
Além disso, segundo a autora citada acima, muitos adultos
dão testemunho disso: as experiências positivas de leitura na primeira
infância produzem bons leitores adultos. Dessa forma, começar o
incentivo à leitura pelos nossos bebês seja um grande passo para a
contribuição de futuros adultos leitores.
Para Priolli (2008, p. 13), existem muitos benefícios em
colocar os pequenos em contato com os livros. Várias funções
psicológicas podem ser desenvolvidas, como por exemplo, a memória e a
capacidade de estruturar informações. A leitura em voz alta desperta a
sensibilidade para diferentes formas da fala e ainda tem o efeito sobre
a chamada atenção seletiva - a capacidade de se desligar de outras
fontes de estímulo mantendo-se concentrada em uma só atividade por
períodos mais longos.
Além desses benefícios, o mundo do “era uma vez...” traz
ao pequeno uma noção de temporalidade, que por vezes nessa idade não é
muito perceptível. Sem falar da relação de afeto que envolve a leitura
quando é feita, principalmente por familiares, este é um momento de
prazer, já que o familiar seja pai, mãe, avós, tios, dispensam aquele
tempo especial para o pequeno e ele se sente valorizado, amado,
importante. Pois a criança, muitas vezes, não presta tanta atenção no
enredo, mas na voz que conta, na sua entonação, nas feições do rosto,
nos movimentos de quem fala. Citamos o exemplo do escritor Milton Hatoum,
que segundo Gurgel (2008, p. 2), quem mais estimulou a sua imaginação,
não foi um livro ou uma biblioteca. Foi a voz de seu avô. O primeiro
livro que leu foi um livro escutado. Foi uma narrativa oral. A semente
plantada nele, o amor pela literatura, foi trazida pela oralidade, pela
voz de seu avô.
Além da leitura oral feita por um adulto, o simples
manuseio do livro, seja de papel, de plástico ou de tecido é importante,
porque coloca os pequenos em contanto com a linguagem escrita e logo
cedo já começam a identificar sinais gráficos.
Durante a primeira infância as crianças passam por
transformações que podem ser percebidas diariamente e a sua compreensão
também está sempre mudando. E é aí que entram os clássicos universais
que por serem atemporais são sempre atuais e são capazes de envolver os
pequenos leitores.
Também é importante salientar que os momentos de leitura
com pequenos devem ser dinâmicos, com duração variável. Criatividade não
pode faltar. Já que se esse momento se torna uma diversão, os livros
acabam se transformando tão atraentes quanto os brinquedos e
brincadeiras. É sempre bom preparar o ambiente para esse momento tão
especial, apagar as luzes, criar um cenário, trazer brinquedos que
possam ilustrar a história, etc.
Os livros cumulativos aqueles que trazem muita repetição
e que aos poucos vão aparecendo novos elementos funcionam muito bem com
os bebês, porque seus enredos se tornam mais fáceis de memorizar.
Podemos citar o exemplo do livro Dona Baratinha, recontado por Ana Maria
Machado (2004), toda criança pequena fica encantada com essa história. O
narrador a todo o momento questiona sempre repetindo os mesmos termos
“quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro
na caixinha?”. As informações trazidas pelo narrador que variam são
somente os personagens que se candidatam a noivo de Dona Baratinha,
animais em sua maioria domésticos ou mais ou menos conhecidos pelas
crianças o que as aproxima também da identificação com a história. A
resposta da protagonista vai sempre se repetindo após o animal sinalizar
através do uso das onomatopéias (miau-miau, au-au-au, bé-é-é) como faz à
noite: “Ai, não! É muito barulho não me deixa dormir”. Além de
apresentar inúmeras características de uma obra que agrada as crianças,
Dona Baratinha é um clássico, e por isso é também tão atual.
Assim quando a relação bebê versus livros se torna
prazerosa, divertida, só tende a formar um futuro leitor, pois seres
humanos gostam de reviver emoções que lhes dão prazer, como por exemplo,
quando comem uma boa comida em um restaurante, certamente voltarão para
apreciá-la mais uma vez. Assim também acontece com os livros.
Para finalizar, podemos dizer que livros e fraldas devem
combinar sempre, pois para a formação de bons leitores adultos é
importante colocar desde cedo os pequenos em contato com a leitura.
Dessa forma, eles criam o hábito de escutar histórias, valorizando o
livro como fonte de conhecimento e entretenimento. A escuta de histórias
oportuniza momentos de prazer em grupos ou em família, enriquece o
imaginário, amplia o vocabulário, além de familiarizar a criança com a
leitura, uma prática valorizada pela sociedade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GURGEL, Luis Henrique. Não há literatura sem memória. In:
Na ponta do lápis. São Paulo: CENPEC, 2008.
MACHADO, Ana Maria. Como e por que ler os clássicos
universais desde cedo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
____________. Dona Baratinha. São Paulo: FTD,
2004.
PRIOLLI, Julia. Fraldas e livros. In: Nova Escola.
Ed. Especial. n. 18. São Paulo: 2008
i Licenciada em Letras pela
UNISC, Mestre em Letras/Leitura e cognição pela UNISC, professora de
Língua Portuguesa, Literatura e Língua Espanhola do Instituto Estadual
de Educação Ernesto Alves. E-mail:
iza-cabral@hotmail.com.
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