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RESUMO:
No mundo das imagens
contemporâneas, existem muito mais mulheres do que homens, dispostas a
modificarem seus corpos em virtude da presença massificante da beleza pelo
discurso publicitário, seja na área dos cosméticos ou na da saúde, vai
apontar para a mesma vertente. O corpo na cultura contemporânea tornou-se
interessante como objeto de desejo e portador de significados, nos quais o
corpo real é abolido a cada instante e, em seu “lugar” surge corpo
hiper-real. O fascínio e a sedução que a beleza da mulher da mídia exerce
sobre a mulher real são próprios da histeria a que elas se submetem devido à
exposição e à excitação provocada pela exibição e pelo voyeurismo que o
vídeo e televisão conferem a telespectadora a partir da hipnose da imagem
luminosa da mulher fictícia da publicidade, fazendo com que a espectadora se
torne personagem da trama. Isso subliminarmente distribuído no discurso e na
imagem das publicidades para disfarçar a dissimulação pública do sexual,
como na histeria.
Este artigo visa esclarecer a relação dramática apresentada pelos
discursos da mídia entre os esteriotipos femininos, nos quais a beleza
física é ponto de partida para comportamentos histéricos. Isso decorre
porque o estereótipo dar-se como se fosse uma espécie de lente opaca e,
portanto, impede quaisquer questionamentos a respeito do que está sendo
mostrado pela mensagem publicitária.
Dessa maneira, optou-se por trabalhar com a mídia impressa, pois
esta enquanto um canal de informação e reprodução de uma prática discursiva,
logo ideológica, socializa os fatos e normas e atua como um agente
organizador do espaço social, ocupando, portanto, um papel central para a
consolidação dessas representações que passam, então a assumirem um caráter
coletivo normalizador na constituição de uma identidade e subjetividade
especificas, o drama do corpo belo.
Tudo leva-nos a crer que o corpo passou a ocupar um novo lugar em
nossa sociedade e, conseqüentemente, em nossa estruturação psíquica.
Cultivar a beleza, a boa forma e a saúde apontam para uma nova ideologia que
se impõe como um verdadeiro estilo de bem viver.
No mundo das imagens contemporâneas, existem muito mais mulheres do
que homens. Nossa cultura exibe a mulher permanentemente, como forma de
reforçar seus arquétipos. (Góes & Villaça, 1998). Destinada ao público
feminino - identificação com o modelo, ou a um público masculino - registro
da alteridade desejável, menos do que a femininização do mundo, como apontam
alguns, esta exposição parece reforçar a idéia de colocar em imagens o
objeto de desejo. A mulher representada nas imagens encarna o Outro da nossa
cultura.
A imagem de mulher se justapõe com a de beleza e, como segundo
corolário, à de saúde, juventude. As imagens refletem corpos trabalhados,
sexuados, respondendo sempre ao desejo do outro ou corpos medicalizados,
lutando contra o cansaço, contra o envelhecimento ou mesmo contra a
constipação. Implícita está à dinâmica perfeição/imperfeição, buscando
atender aos mais antigos desejos do ser humano, conforme narram os mitos, os
elixires e fontes de eterna juventude.
O
discurso publicitário, seja na área dos cosméticos ou na da saúde, vai
apontar para a mesma vertente. No cenário público, os corpos devem
adequar-se à função de durabilidade, à prova de velhice, que antes se
esperava das mercadorias. O que é feio, finito, perece e morre… não consome
e, indiscutivelmente, ainda não se encontrou um valor mercadológico ou de
troca para esse fenômeno
A
muito se discute quando o assunto é a presença do corpo como elemento
discursivo na publicidade, visto que a eles são empregados artifícios que os
conduzem a ocupar lugar e identidades imaginadas na mente do
leitor-espectador.
De
acordo com Barreto (2005) esta questão cada vez mais se torna uma realidade
e que tem como público certo a mulher, por se tratar de um segmento que tem
levado muito a sério o dispositivo da estética.
A mulher real é influenciada pelo discurso do corpo feminino
fabricado pela publicidade, então esta dama tem vivido as contradições e
vicissitudes dos padrões de beleza criados pela mídia, e a sociedade de
consumo assume o papel de idealizá-la como ícone de perfeição após uso de
produtos de estética. Pode-se considerar esse fato a partir daquilo que
Lacan denominou de fase do espelho, uma vez que as imagens projetadas
na mídia de massa fazem com que o enunciador e enunciatário estejam no plano
da sedução um para com o outro, isto é, ambos deslocam-se de acordo com a
memória discursiva suscitada pela campanha publicitária, levando consigo
elevados níveis ideológicos de consumo.
Assim sendo, tais procedimentos levam a pessoa a construir sua
personalidade “a partir da comparação de si mesmo com outros indivíduos,
buscando as semelhanças e as diferenças para edificar sua individualidade.”
(FIGUEIREDO, 2005, p.63). Nessa perspectiva, o discurso publicitário sobre o
corpo feminino tem levado altos níveis de histeria às suas espectadoras.
Portanto, leva-se a entender o que Freud, por meio da hipnose considerou
como recalcamento de cargas libidinosas não devidamente canalizadas.
O discurso midiático pode ser visto aqui como sendo um indexador de
sistemas semiológicos, porque lida com proposições e desejos variados os
quais são produzidos no imaginário do leitor-espectador, sugerindo ainda que
isso tudo, é uma nova visão mesmo fantasiosa do mundo que o cerca, porém ela
[visão] é necessária para seu equilíbrio no meio social.
Assim, o corpo feminino apresentado na mídia é tutelado pela beleza
física continua, isto é, na publicidade o corpo da mulher é colocado à prova
do tempo, desde que seja aplicado a ele, produtos que o faça rejuvenescer.
Entretanto, sabemos que esse discurso é uma estratégia da enunciação
publicitária cujo objetivo é moldar o imaginário feminino de que a beleza
física é requisito importante para se marcar posição diante do inconsciente
masculino.
A manifestação do
corpo na cultura contemporânea tem despertado bastante interesse [...] A
incursão do corpo como enfoque temático aborda os dispositivos de uma lógica
de complexidade, para além de uma simples materialiadade física/anatômica,
ao considerar diferentes discursos articulados na construção conceitual de
uma teoria e política do corpo. (GARCIA, 2005, p.168).
Hutcheon (2000) afirma que os corpos no contemporâneo, sobretudo,
aqueles que estão sob as lentes da mídia, apresentam-se como elementos
instigadores da psique humana, gerando com isso reminiscência do passado na
qual a atividade fantasiosa aflora e constitui as experiências cotidianas e,
que podem despertar desejos sexuais ainda escondidos.
Segundo Paiva (2000) todo esse processo realizado pela mídia sobre
a beleza feminina consiste em leva à baila as questões relativas à
sexualidade da mulher que, por seu turno, se fundamenta no drama da histeria.
“... não conseguir
enfrentar e desfrutar de uma sexualidade plena de conjugação interpessoal
real, em contorná-la pelo discurso e pelas formas voyeuristas,
exibicionistas e vicariantes, nas quais continuam a condenação, a
repugnância e a vergonha. É exatamente o que se observa na propagação pela
mídia do erotismo pornográfico nos mais diversos níveis. (CHEBABI, 2000, p.
10 in prefácio à histeria da mídia, de Raquel Paiva, 2000).
É nesse viés que a publicidade atua e faz com que a mulher busque a
preços altos o seu reconhecimento como instância de admiração e prazer
significados pela fantasia de ser ou querer ser o outro. Segundo Barreto
(2005), nessa perspectiva o corpo feminino é vislumbrado como configuração
de sentidos discursivos na mídia e tende a se tornar signo efetivo de
beleza, mexendo assim, com público masculino.
Na realidade, o encanto do corpo feminino no contemporâneo é
falseado para que ele possa ser dessacralizado pela exposição nos meios de
comunicação de massa: revista, jornais, outdoors, televisão e internet levam
até o leitor-espectador corpos de mulheres que, embora imaginárias,
preenchem os vazios psíquicos de cada um, transformando a mulher em voyeur
de si mesma.
“[...] despojamento
cultural brasileiro, ao evidenciar o corpo com certa facilidade e, sendo
assim, elas consideram as relações afetivas/subjetivas endossadas pelo
contágio do despudor: uma condução aberta nos interstícios enunciados de
aproximações socioculturais.” (GARCIA, 2005, p. 169).
Sem dúvida, o desenvolvimento conceitual e expositivo do corpo
feminino que se discute aqui é resultado de uma compreensão de que a massa
de expectador foi transformada em voyeur que se de desfaz na diferença e nos
sentimentos de pertença em cada lugar da enunciação publicitária sobre a
beleza física do corpo, predominando, portanto a ilusão de que o desejo não
realizado até então vai vigorar devido ao uso dos produtos ofertados pela
publicidade, acabando assim com o drama da “gata borralheira”.
Por outro lado, criam e desenvolvem-se intimidades com a histeria e
revelam-se a partir da regressão ao nível da infância no qual todo o corpo
se encontrava em desenvolvimento e, portanto, a beleza na juventude é traço
comum. Sabendo disso, a mídia transforma e coloca essa questão no palco das
comparações, onde real e imaginado se confrontam como numa espécie de
espetáculo burlesco.
Numa perspectiva dialógica, a espetacularização da beleza feminina
a informação, segundo Baudrillard devora os seus próprios conteúdos numa
espécie de antropofagia delirante. “Desabam a comunicação e o social em
favor do espetáculo do funcionamento de seus instrumentos midiáticos.”
Afirma o filosofo francês Jean Baudrillard. O real fica abolido pela
urdidura do hiper-real. “O processo fica marcado pela circularidade, pela
supressão da dimensão referenciadora constituída pela dimensão humana do
trabalho, da dor e de tudo que possa indicar o sofrimento e a frustração”. (CHEBABI,
2000, p. 10. In prefácio à histeria da mídia, de Raquel Paiva, 2000).
Desse modo, a produção discursiva sobre a beleza feminina na mídia
é ficcional e alienante em virtude de atingir o estado de torpor de seus
usuários para praticar uma pedagogia particular, oferecendo uma
transparência luminosa que apaga toda claridade existente na mulher real,
pois o que se busca na verdade é a luz imaginária da também mulher
fantasiosa que aparece na fotografia e vídeo.
O fascínio e a sedução que a beleza da mulher da mídia exerce sobre
a mulher real são próprios da histeria a que elas se submetem devido à
exposição e à excitação provocada pela exibição e pelo voyeurismo que o
vídeo e televisão conferem a telespectadora a partir da hipnose da imagem
luminosa da mulher fictícia da publicidade, fazendo com que a espectadora se
torne personagem da trama.
Isso subliminarmente distribuído no discurso e na imagem das
publicidades para disfarçar a dissimulação pública do sexual, como na
histeria. Portanto, sua magia está na excitação decorrente da sucessão de
quadros, onde se mostra o processo em que a mulher desfruta da beleza e da
paisagem filtradas pela fotografia ou tomadas de câmera de vídeo na qual o
artista é enquadrado.
Por fim, considera-se que, a mulher contemporânea orienta-se pelo
binômio: mulher real e mulher abstrata, isto é, a primeira se mantêm de
acordo com suas condições psicossociais, aceitando seu corpo conforme
distribuição genética e, a segunda rompe totalmente com esse ponto,
assumindo identidades abstraídas das mídias, as quais constroem para ela
padrões de beleza e comportamento.
Bibliografias consultadas
BAUDRILLARD, Jean. Telemorfose. Rio de Janeiro: Mauad, 2004.
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
CARVALHO, Nelly de. Publicidade: a linguagem da sedução. 3. ed. São
Paulo: Ática, 2006.
HARVEY, DAVID. Condição pós-moderna. 9. ed. São Paulo: Loyola, 2000.
PAIVA, Raquel. histeria da mídia. São Paulo, Mauad, 2000.
SANTAELLA, Lúcia. Cultura das mídias. 3 ed. São Paulo: Experimento,
1996.
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