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RESUMO
O artigo traz uma reflexão sobre as diversas formas que livro
adquiriu ao longo dos tempos e nem por isso jamais deixou de ser lido,
então, mesmo com o advento de novas tecnologias, o livro não vá deixar
de ser lido por milhares de pessoas no mundo todo.
Palavras-chave: livro, leitura, história.
ABSTRACT
The article brings a reflection on the diverse forms
that book acquired throughout the times and nor therefore never it left
of being read, then, exactly with the advent of new technologies, the
book does not go to leave all of being read by thousand of people in the
world.
Key-Words: book, reading, history.
Quando entramos em uma livraria e ficamos folheando um
livro, dificilmente nos pegamos pensando na maneira como ele foi feito.
É mais comum ficarmos curiosos sobre quem escreveu o livro, quem
ilustrou a história que está sendo contada, quem fez as fotos. Ao
pensarmos uma história da forma do livro, vemos que ela está sempre
relacionada ao uso que o leitor pretende lhe dar. Esta resenha examina,
de maneira sucinta, as características dos impressos, sem levar em
conta, os seus conteúdos literários, que podem revelar os aspectos
culturais que envolveram a leitura e a forma do livro ao longo dos
tempos.
Há cerca de 5.500 anos, em Sumer, na Mesopotâmia (Ásia),
o homem inventou o alfabeto. E isso significava que ele já estava pronto
para escrever e registrar os seus pensamentos e suas descobertas, por
isso começou a utilizar as tabuletas. Segundo Manguel, “as tabuletas
mesopotâmicas eram geralmente blocos de argila quadrados, às vezes
oblongos, de cerca de 7,5 centímetros de largura; cabiam
confortavelmente na mão”. Para o autor, um livro consistia “de várias
dessas tabuletas, mantidas talvez numa bolsa ou caixa de couro, de forma
que o leitor pudesse pegar tabuleta após tabuleta numa ordem
predeterminada.” Ainda convém salientar, que “ é possível que os
mesopotâmicos também tivessem livros encadernados de modo parecido ao
dos nossos volumes.”
Em 1450 d. C., com a produção do papel na Europa,
Gutenberg apresenta o primeiro exemplar impresso da Bíblia, inaugurando
a era do livro manufaturado industrialmente. Foi quando os livros
começaram a ganhar a forma como conhecemos hoje. Mas até isso acontecer,
o homem escreveu em pedras, ossos e tabuletas, também chamadas de
tijolos de argila e em muitos outros materiais. Como exemplo, podemos
citar a obra Epopéia de Gilgamesh, que até hoje pode ser conhecida,
porque parte do livro de tabuletas de argila, escrito há mais de 4.000
anos, resistiu ao tempo.
Segundo Litton, a pedra, a principal fonte de inscrições,
sobreviveu no Antigo Oriente. Nela foram esculpidos as leis e os
convênios. Também, na Antiguidade, foram usados tijolos de argila cosida
como material de escrita, especialmente, no Oriente Próximo, onde sua
utilização era favorecida pelo clima. Nas escavações de Nínive e da
Babilônia, descobriram-se muitas bibliotecas de placas de argila, nas
quais se havia guardado importantes textos de toda natureza.
Em razão da durabilidade, os antigos gregos e romanos
utilizavam placas feitas de uma grande variedade de materiais, incluindo
o marfim e o bronze. Por isso os romanos gravaram em bronze, nos anos
450 e 451 a.C. a célebre Lei das Doze Tábuas. Mas, outro metal também
muito empregado para escrever, durante a antiguidade foi o chumbo.
Além disso, podemos citar uma curiosidade que eram os “quipos”,
cordões ou cordas de diferentes cores, com que fazendo nós, os índios do
Peru pré-colombiano supriram a falta da escrita. Os cordões tingidos de
amarelo significavam ouro, os de cor verde referiam-se a grão, os
brancos, a dinheiro, os vermelhos, a soldados. Essa foi a forma que esta
civilização utilizou para transmitir seu pensamento.
Depois disso, o homem começou a utilizar o papiro, planta
comum no Egito, que era umedecida e ligeiramente assada, para ficar com
uma consistência grudenta. Logo suas fibras eram trançadas e colocadas
para secar, produzindo um papel rústico. Nele era anotada a
contabilidade do reino egípcio. Muitas cartas e livros também foram
escritos em papiro.
No século II a.C. há o desenvolvimento do pergaminho para
fixação do material escrito. Ele era produzido do couro de animais –
raspado, lavado, esticado e seco. O processo de preparação de couros
para serem usados como material de escrita aperfeiçoou-se de maneira
notável, por obra de Eumenes II ( 197 – 158 a.C.), rei de Pérgamo, Ásia
Menor. Desde então, fala-se da “carta pergamena” ou “pergaminho” (isto
é, proveniente de Pérgamo).
A arte de preparar o couro passou logo à Grécia e dali à Itália, de onde
se difundiu a toda Europa, tendo os monges parte principal nessa
difusão.
Já, nos séculos II e III d.C. o pergaminho torna-se o
material preferido para fixação de textos escritos, substituindo
definitivamente o papiro. Nessa época, também, os livros em forma de
rolo perderam o seu lugar, pois o homem teve a idéia de costurar vários
pedaços de pergaminho, formando livros razoavelmente parecidos com os de
hoje. Nas folhas de couro se escrevia de um lado e de outro, assim como
no papel se escreve. Sobre isso Darton nos diz que: “a própria página
como unidade do livro data apenas do século III ou IV d. C.” . Para ele,
“antes disso, para ler um livro, era preciso desenrolá-lo”. Essa mudança
facilitou a leitura porque “depois que as páginas reunidas (o codex)
substituíram o rolo (volumen), os leitores podiam ir e voltar com mais
facilidade ao longo os livros, e os livros passaram a ser divididos em
segmentos.”
Nas
folhas de couro se escrevia de um lado e de outro, assim como no papel
se escreve hoje.
No século IV, e até o aparecimento do papel na Itália,
oito séculos depois, segundo Manguel, o pergaminho foi o material
preferido em toda Europa para fazer livros. Não só era mais resistente,
como também mais barato, uma vez que o leitor quisesse livros escritos
teria que importá-los do Egito a um custo considerável.
Por falar em papel... Esse material tão comum em nossos
dias foi uma invenção dos chineses, no ano 105. Dos chineses o segredo
do papel foi passado para os árabes em 793, até que chegou aos europeus
em 1270, com a construção do primeiro moinho na Itália. Surgindo o
papel, surgem também os primeiros livros com o formato que conhecemos
hoje, porém escritos à mão. Em razão disso, gastava-se um tempo enorme
para fazê-los, por isso os livros eram muito caros. Nos séculos XIII e
XIV aparecem as primeiras universidades européias, desenvolvendo assim,
o comércio das obras escritas, produzidas manualmente pelos copistas.
Nessa época se estabelece uma nova relação com o livro, mais fácil e
mais ágil, que, segundo Chartier, foram “favorecidas por certas
transformações do manuscrito (por exemplo, a separação das palavras).
“.
Em 1450, o alemão Johann Gutenberg deu forma à tão
sonhada máquina da impressão: o prelo. Ele aperfeiçoou uma prensa de
espremer uvas para criar a máquina, que funcionava assim: uma alavanca
girava uma rosca de madeira, que abaixava uma tábua, que apertava o
papel úmido que estava colado sobre as letras, que arrumadas em palavras
e frases sujas de tinta iam imprimindo as páginas uma a uma. Acontecia
como se para cada página fosse preparado um grande carimbo. Para
suportar tantas impressões as letras eram fabricadas de metal e
repetidas várias vezes, pois, por exemplo, para uma página seriam
necessários vários “as” ao longo do texto. Segundo Manguel, “ entre 1450
e 1455 Gutenberg produziu uma Bíblia com 42 linhas por página” e foi “o
primeiro livro impresso com tipos.”
Em 1476, William Caxton funda a primeira tipografia na
Inglaterra e, desde então, a indústria tipográfica começa a expandir-se
em toda a Europa. É nessa época que acontece, em 1550, a fixação da
forma do livro, incluindo capa, título, nome do autor e demais
características gráficas.
Outro marco na história do livro é a publicação em Roma,
do Index Librorum Prohibitorum, pelo Papa Pio IV, estabelecendo a
censura religiosa a determinadas leituras. Em 1605, quando na Europa
moderna, já estão funcionando mais de 250 tipografias é publicada uma
das obras clássicas mais lidas, traduzidas e publicadas na história do
livro, El hengenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha de Miguel
de Cervantes, tematizando a febre da leitura de novelas de cavalaria
nessa época.
No século XVIII, com a expansão da alfabetização e da
imprensa entre a população, cresce o público leitor, sobretudo entre a
classe burguesa ascendente. Há, então, uma expansão do romance. Assim,
acontece no início do século XIX um barateamento do custo da produção do
livro e dos jornais, graças à industrialização do papel. A imprensa se
expande, assim como o romance de folhetim. O público feminino se
consolida e em 1857, Madame Bovary, de Gustave Flaubert, é
publicada, obra cuja protagonista é iludida pelos enredos folhetinescos
das novelas lidas na adolescência.
A escolarização da população infantil torna-se
obrigatória e a literatura de massa começa a se expandir, nos séculos
XIX e XX. Tornam-se importantes pesquisas no âmbito da Sociologia da
leitura. Surgem propostas teóricas e aplicadas de alfabetização popular
e começam a serem difundidas as teorias sobre o efeito da leitura e a
emancipação do leitor. No final do século XX e XXI, o computador trouxe
consigo uma nova forma para o livro, expandindo a tecnologia digital e
as redes de comunicação virtual. Aparece o cd-rom, a multimídia e o
e-book. É, essa, uma época de grandes discussões sobre o futuro do
livro, da leitura e da literatura.
Das tabuletas mesopotâmicas ao computador, formas que
apenas guardaram os registros que o homem pretendia que permanecessem
por um curto ou longo tempo disponíveis a um leitor, ele próprio, ou
outros. Através desta pequena cronologia da história da forma do livro
vemos que todas as modificações que foram ocorrendo, caminharam junto
com a evolução da escrita e a popularização da leitura. Hoje, uma mesma
obra, chega até nós de diversas formas, via internet, via periódicos,
via uma edição mais barata, produzida com menos custos de impressão, via
fotocópia, etc. Em virtude disso, podemos dizer que a era em que vivemos
, em relação ao acesso às várias formas do livro, é privilegiada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ZILBERMAN, Regina. Fim do livro, fim dos leitores?
Senac: São Paulo, 2001.
i Licenciada em Letras pela
UNISC, Mestre em Letras/Leitura e cognição pela UNISC, professora de
Língua Portuguesa, Literatura e Língua Espanhola do Instituto Estadual
de Educação Ernesto Alves. E-mail:
iza-cabral@hotmail.com.
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