Todos nós sabemos que a violência está
tomando conta do mundo, por isso considero bastante oportuno este
momento em que a Editora Objetiva Ltda (Rio de Janeiro) lança o livro
MENTES PERIGOSAS, de autoria da médica, especialista em
psiquiatria, Ana Beatriz Barbosa Silva.
A escritora, antes de tudo, é uma
profissional competente e dedicada ao seu trabalho para o triunfo do
BEM.
Este livro, em especial, trata sobre os
psicopatas, os quais poderiam ser também chamados de sociopatas; mas que
a autora deu preferência por mencioná-los apenas como psicopatas. Sua
intenção não é a de lhes oferecer ajuda; mas, sim, a de ensinar a
sociedade a reconhecê-los, a se prevenir e se defender deles, pois a
maioria está fora das grades, oferecendo riscos à sociedade.
Logo de início a psiquiatra explica que os
psicopatas não são exatamente o que se imagina: alguém violento, com uma
aparência de pessoa cruel e de fácil reconhecimento...
Não é bem assim! Muita gente não sabe que
nem todos são violentos e podem estar ao nosso lado sem nos darmos conta
disso... Ele pode ser o nosso vizinho, o nosso chefe, namorado(a) ou um
“bom” amigo(a).
“Eles confundem as pessoas por serem
charmosos, envolventes e sedutores e cuidadosos para não levantar a
menor suspeita. Disfarçam-se de religiosos, bons políticos, bons amantes
e bons colegas”, “mas, por detrás da máscara, são pessoas frias,
insensíveis, manipuladoras, perversas, que não respeitam regras sociais;
impiedosas, imorais, sem compaixão e sem remorso.” -- alerta a
psiquiatra.
Estão em todos os segmentos da sociedade:
são homens e mulheres de qualquer raça, religião ou nível social e vivem
normalmente, como qualquer outra pessoa. Estudam, trabalham, constituem
famílias; mas não são pessoas do bem.
É muito importante ressaltar que entre os
psicopatas existe um grau variado de gravidade que oscila entre o
“leve”, o “moderado” e o “severo”.
Os que estão na faixa do “leve” limitam-se
a aplicar “golpes”, visando o benefício próprio, mas não são violentos a
ponto de tirar a vida de uma pessoa. Porém os que estão na última faixa
são capazes de tudo e sentem um enorme prazer em praticar atos
perversos.
Seja qual for o grau de gravidade, por
onde passam, os psicopatas deixam suas marcas de destruição. Eles podem
arruinar empresas e famílias; provocar intrigas, destruir sonhos e serem
tão dissimulados que às vezes passam uma vida inteira sem serem
descobertos ou diagnosticados.
SER CONSCIENTE É SER CAPAZ DE AMAR.
O termo “consciência” sugere dois
significados diferentes. É um atributo que tramita entre a razão e a
sensibilidade e que é desempenhado pelo cérebro. É algo que sentimos no
campo dos afetos.
O psicopata tem consciência dos seus atos,
é inteligente, sabe exatamente o que está fazendo; mas tem ausência de
'compaixão', 'remorso' ou 'arrependimento' como acontece com as pessoas
normais. Daí a frieza com que praticam seus atos brutais..
A CULTURA PSICOPÁTICA ESTÁ NO AR
É a especialista quem avisa
sobre o que está acontecendo no cinema e na televisão:
“Antes, os heróis que fascinavam eram os
personagens do “Bem”, que se mantinham éticos. “Hoje, são os vilões que
são os heróis e que fascinam por suas maldades.” Na ficção, esses
personagens são isentos de qualquer sentimento de culpa. Enquanto que
heróis de antigamente passaram a ser os “ bonzinhos ingênuos e
otários...”
Na busca cega e incessante de riqueza e de
fama, o desrespeito, a frieza, a luxúria e a perversidade dos psicopatas
estão servindo cada vez mais como fonte de inspiração para cineastas,
críticos de arte, atores e autores... Seguindo por essa maléfica trilha
não percebem que, fascinando um grande número de espectadores, estão
causando um grande prejuízo à humanidade.
“Se não tomarmos cuidado – a psiquiatra
alerta – acabaremos adotando a conduta psicopática como um estilo de
vida eficiente para a autosatisfação ou para adaptar-se a esse perfil
como meio de sobrevivência.”
“É hora de pararmos e realizarmos uma
profunda reflexão coletiva e individual” – a autora do livro prossegue -
“ Temos que unir forças para efetuarmos um combate efetivo das ações
psicopáticas e de todas as suas manifestações.”
Infelizmente o psicopata não tem cura e
nem eles buscam tratamento, como pessoas com problemas de depressão,
toque... e que querem melhorar sua qualidade de vida. Os psicopatas
gostam de se manter no estado em que estão; de se sentirem perversos e
seguros de si...
Demonstram sinais desse tipo de
comportamento na infância, maltratando os animais, por exemplo, e na
adolescência.
O que pode ajudá-los é somente uma
preocupação da família em estabelecer um ambiente harmonioso, com muito
afeto e uma educação aprimorada. Os bons exemplos por parte dos pais e
das pessoas que os cercam ajudarão a suavizar suas atitudes e a conviver
melhor dentro da sociedade.
“MÃES, ABRAÇAI O FILHO QUE TE CAUSA
DESGOSTO E ENSINAI A ELE QUE VEIO A ESTE MUNDO PARA SE APRIMORAR NO
CAMINHO DO BEM...”, diz o Evangelho. Mas eu acho que esse trabalho não
cabe somente às mães, cabe aos comunicadores de uma maneira geral, cabe
às Escolas, à Religião... E, sobretudo, aos políticos para criarem leis
que protejam, cuidem da saúde e da educação das pessoas. Leis que
incentivem os artistas a fazer da arte um entretenimento salutar e
inspirem ao espectador a uma conduta ética. Leis que façam da Escola um
lugar onde os professores não sejam mais ameaçados ou agredidos por
alunos e que os estudantes que possam estudar em paz.
Como bem diz Ana Beatriz: “É estarrecedor
observar que crianças que deveriam estar brincando ou folheando livros
nas escolas, trafiquem drogas, empunhem armas e apertem gatilhos sem
qualquer vestígio de piedade.”
NAIR LÚCIA DE BRITTO
Perfil da Escritora:
Ana Beatriz Barbosa Silva é médica
graduada pela UERJ, com pós graduação em psiquiatria pela UFRJ.
Professora 'honoris causa' pela UniFMU
(SP) e presidente da AEDDA – Associação dos Estudos do Distúrbio do
Déficit de Atenção (SP).
Já publicou os livros:
“Mentes Inquietas”
“Mentes e Manias”
“Sorria Você Está Sendo Filmado” (em
parceria com o publicitário Eduardo Mello)
“Mentes Insaciáveis”: anorexia,
bulimia, compulsão alimentar
“Mentes com Medo”: da compreensão a
superação