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Fruto de um ensino defasado e sem
infraestrutura, eu vivi os anos de "colegial" sofrendo com as disciplinas das
chamadas Ciências Exatas. Aos trancos e solavancos sempre beirando uma
repetição, seja em Química, Matemática ou em Física. Numa tarde convidado que
fui a um emprego, pois o mais inteligente não pode aceitar o convite
encaminhei-me para a USP para trabalhar como técnico de laboratório do
Departamento de Zoologia daquela renomada instituição. Ali comecei a ver um novo
mundo, muito além dos livros. O mundo das realizações, da prática laboratorial.
Anos depois quando resolvi num impulso (impensado?) ir trabalhar num famoso
colégio de São Paulo nas mesmas funções que exercia na USP meu choque foi maior
pois eu via como a elite era formada. Mas o intuito desta introdução não é falar
de um passado pessoal e sim de um livro muito peculiar que gerou estas
lembranças.
Em seu primeiro livro,
Margarete Hülsendeger, gaúcha natural de Porto Alegre, professora de
Física em escolas particulares une o conhecimento racional e experiência em
salas de aula para além da dureza das "exatas" introduzir quase que meigamente
pedras como Einstein, Paracelso, Kelpler, Galileu, Giordano Bruno e Heisenberger
entre outros.
A leitura é agradável, leve como se movêssemos
por uma onda de conhecimento elaborando sinapses num movimento de sístoles e
diástoles onde os mestres são apresentados desnudos de uma aura mágica.
Margarete, uma colaborada sempre pontual da
P@rtes, elabora uma literatura de qualidade. Os
leitores podem conferir suas crônicas nas páginas da revista.
E Todavia se move traça
linhas de encontros e contornos entre a Ciência a História e a Literatura
tornando menos árido o conhecimento.
Margarete ao concretizar
esta obra preenche uma lacuna e estabelece uma ponte entre o ser árido das
Exatas e o leitor pouco sintonizado com o universo da Ciência..
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