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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 02 de dezembro de 2010 21:08:57                                               

 
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CULTURA
Ponto de mutação: uma análise sintética do confronto mecanicista e holístico. Um novo paradigma sobre o modo de vida humano?    

Filipe Ribeiro Cardoso Porto1  Francysco Renato Antunes Lopes2

publicado em 02/12/2010

O Ponto de Mutação é um livro de Fritjof Capra publicado em 1983, muito utilizado atualmente em graduações de níveis superior devido à profundidade filosófica da obra. A proposta do livro vai além da proposta comercial, é a objetivação de reflexão e metanóia acerca do mundo em que vivemos, assim como sua caracterização social, biológica, física e filosófica.

A grandiosidade do enfrentamento entre a visão cartesiana e científica a respeito das velozes e constantes modificações nas relações sócio-culturais humanas no século XX é a força que guia e movimenta as discussões entre as personagens do livro: uma cientista física, um artista e um político norte-americano. O cenário onde a trama tem sua evolução é um castelo medieval no litoral da França, no alto do Monte Saint Michel.

O local é bastante propício para a discussão que tomou data a história por conter objetos que remontam a história da sociedade moderna e evocam as linhas do pensamento presente na época. Embora o livro seja repleto de referências a diversas teorias, as duas principais linhas de pensamento confrontadas diretamente são: o pensamento Mecanicista e o pensamento Holístico.

O primeiro pensamento é derivado dos estudos de Descartes, com a visão de que o cosmo poderia ser entendido como um relógio. A natureza seria então uma máquina, onde bastava desmontar as peças e entendê-las para compreender o todo. Como foi citado no livro:

“o relógio foi á causa da primeira ruptura do homem com a natureza, tornado-se o modelo do cosmo” ou ainda “Claro que pode consertar uma peça, mas ela vai quebrar de novo em um segundo porque ignorou o que se conecta a ela.”

A teoria cartesiana é aceita em definitivo quando Isaac Newton formulou as leis que descreviam o movimento, um pensamento para a época inédito na história da humanidade:

“Consumou a idéia de Descarte: o mundo como uma máquina perfeita”.

A grande maioria das pessoas no mundo vive a margem do saber quem foi Descartes e Newton, vivendo inseridas em rotinas de vida baseadas na perspectiva de que a vida social é composta de fatos isolados. Já a teoria Holística segue o caminho oposto. Essa teoria investiga a relação de cada parte dentro da totalidade e a influência dessa totalidade em cada parte, dando ênfase nas interações existentes entre elas. Desse modo, o pensamento holístico é a corrente filosófica científica que defende uma visão de mundo integrada.

“Vocês sabiam que no mundo inteiro, 40 mil crianças morrem diariamente de desnutrição e doenças evitáveis? Quase todo segundo? Agora... e agora... e agora...”. Com esta indagação forte e marcante, a personagem cientista Sonia Hoffman propõe refletir que essas curtas vidas não podem ser vistas isoladamente. Elas são parte de um sistema maior, que envolve a economia, o meio ambiente e sobre toda a grande dívida do terceiro mundo, formando uma verdadeira malha de conexões ou redes que se interferem.

Na contra mão do pensar de Descartes, a rede de relações holísticas sobre a qual vivemos é um emaranhado impossível de ser desfeito quer gostemos ou não, seja em nível de física quântica à metafísica e outras concepções filosóficas.

Nessa linha de pensamento, holístico, a crise social humana, com toda a complexidade de causas e origens antropológicas poderia ser resolvida mais facilmente se houver um despertar por parte das pessoas em pensar que tudo está interligado e interdependente. Seria sair de uma percepção individualista para uma percepção coletivista de vida.


 

1Estudante do Curso de Licenciatura em Geografia, pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, e do Curso de Bacharelado em Arqueologia e Conservação de Arte Rupestre, pela Universidade Federal do Piauí – UFPI.

2Estudante do Curso de Bacharelado em Turismo, pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI e do Curso de Ciências Sociais, pela Universidade Federal do Piauí – UFPI.

 
 
  

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::sobre o autor::
Filipe Ribeiro Cardoso Porto é estudante do Curso de Licenciatura em Geografia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, e 6º período do Curso de Bacharelado em Arqueologia e Conservação de Arte Rupestre pela Universidade Federal do Piauí – UFPI.
Francysco Renato Antunes Lopes é estudante do Curso de Bacharelado em Turismo, pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI, e 2º período  do Curso de Ciências Sociais, pela Universidade Federal do Piauí – UFPI.
 
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