|
O Ponto de Mutação é um livro de
Fritjof Capra
publicado em
1983,
muito utilizado atualmente em graduações de níveis superior devido à
profundidade filosófica da obra. A proposta do livro vai além da proposta
comercial, é a objetivação de reflexão e metanóia acerca do mundo em que
vivemos, assim como sua caracterização social, biológica, física e
filosófica.
A grandiosidade do enfrentamento entre a visão
cartesiana e científica a respeito das velozes e constantes modificações nas
relações sócio-culturais humanas no século XX é a força que guia e movimenta
as discussões entre as personagens do livro: uma cientista física, um
artista e um político norte-americano. O cenário onde a trama tem sua
evolução é um castelo medieval no litoral da França, no alto do Monte Saint
Michel.
O local é bastante propício para a discussão
que tomou data a história por conter objetos que remontam a história da
sociedade moderna e evocam as linhas do pensamento presente na época. Embora
o livro seja repleto de referências a diversas teorias, as duas principais
linhas de pensamento confrontadas diretamente são: o pensamento Mecanicista
e o pensamento Holístico.
O primeiro pensamento é derivado dos estudos
de Descartes, com a visão de que o cosmo poderia ser entendido como um
relógio. A natureza seria então uma máquina, onde bastava desmontar as peças
e entendê-las para compreender o todo. Como foi citado no livro:
“o relógio foi á causa da primeira ruptura do
homem com a natureza, tornado-se o modelo do cosmo” ou ainda “Claro que pode
consertar uma peça, mas ela vai quebrar de novo em um segundo porque ignorou
o que se conecta a ela.”
A teoria cartesiana é aceita em definitivo
quando Isaac Newton formulou as leis que descreviam o movimento, um
pensamento para a época inédito na história da humanidade:
“Consumou a idéia de Descarte: o mundo como
uma máquina perfeita”.
A grande maioria das pessoas no mundo vive a
margem do saber quem foi Descartes e Newton, vivendo inseridas em rotinas de
vida baseadas na perspectiva de que a vida social é composta de fatos
isolados. Já a teoria Holística segue o caminho oposto. Essa teoria
investiga a relação de cada parte dentro da totalidade e a influência dessa
totalidade em cada parte, dando ênfase nas interações existentes entre elas.
Desse modo, o pensamento holístico é a corrente filosófica científica que
defende uma visão de mundo integrada.
“Vocês sabiam que no mundo inteiro, 40 mil
crianças morrem diariamente de desnutrição e doenças evitáveis? Quase todo
segundo? Agora... e agora... e agora...”. Com esta indagação forte e
marcante, a personagem cientista Sonia Hoffman propõe refletir que essas
curtas vidas não podem ser vistas isoladamente. Elas são parte de um sistema
maior, que envolve a economia, o meio ambiente e sobre toda a grande dívida
do terceiro mundo, formando uma verdadeira malha de conexões ou redes que se
interferem.
Na contra mão do pensar de Descartes, a rede
de relações holísticas sobre a qual vivemos é um emaranhado impossível de
ser desfeito quer gostemos ou não, seja em nível de física quântica à
metafísica e outras concepções filosóficas.
Nessa linha de pensamento, holístico, a crise
social humana, com toda a complexidade de causas e origens antropológicas
poderia ser resolvida mais facilmente se houver um despertar por parte das
pessoas em pensar que tudo está interligado e interdependente. Seria sair de
uma percepção individualista para uma percepção coletivista de vida.
|