RESUMO
Este artigo trata de uma outra
paixão do grande escritor brasileiro Machado de Assis, o xadrez,
que além de ser um grande incentivador deste jogo, também
demonstrou ser um grande jogador e usou muitas vezes situações
ou jogadas, alusões ao jogo em suas obras.
Palavras-chave: Machado de Assis,
Xadrez, Literatura
ABSTRACT
This article
deals with one another passion of the great Brazilian writer
Machado de Assis, the chess, that beyond being a great
incentivador of this game, also demonstrated to be a great
player and used, many times situations or plays, lassoes to the
game in its workmanships.
Word-key: Machado de Assis, Chess,
Literature
Passado o ano em que se comemorou
o centenário da morte do grande escritor, lembramos de uma
paixão de Machado que não é a escrita. Machado de Assis foi um
entusiasta do Xadrez. Seu interesse por este divertimento
levou-o a ocupar posição destacada nos círculos enxadrísticos do
tempo do Império. Mantinha correspondência
com as seções especializadas dos periódicos da época; compunha
problemas e enigmas, e, indo mais além, participou do primeiro
torneio de xadrez efetuado no Brasil.
É provável
que sua iniciação no jogo tenha sido fruto da influência de
Artur Napoleão, o grande pianista português, que enfrentara em
Nova York, aos dezesseis anos de idade, em partida de exibição,
o famoso campeão do mundo, Paul Charles Morphy.
Provavelmente o primeiro clube brasileiro de Xadrez foi fundado
no Rio de Janeiro em 1877 nas dependências do Club
Polytechnico. Nesse clube Machado de Assis era secretário e
o presidente era o pianista português.
Coincide, de fato, essa fase enxadrística do romancista com a
presença do grande pianista na Corte.
O primeiro torneio
de xadrez, realizado em 1880, com a participação dos seis mais
destacados amadores residentes no Rio, teve como local da
disputa a residência de Artur Napoleão, na Rua Marquês de
Abrantes. Em 1868 já freqüentava Machado de Assis o Clube
Fluminense, com a finalidade de jogar xadrez. O interesse de
Machado de Assis pelo jogo prolongou-se por muitos anos,
conforme revelação constante da correspondência com Joaquim
Nabuco que, em 1883, lhe enviava de Londres retalhos de jornais
com transcrições de partidas, atendendo ao pedido que lhe fora
feito.
A qualidade
do jogo de Machado, examinada através do estudo de suas
partidas, e a facilidade com que solucionava os problemas
publicados na imprensa dão-nos uma idéia lisonjeira de sua força
como jogador.
Machado de Assis foi um problemista. Começou a publicar
problemas de sua criação na revista Ilustração Brasileira.
Um grande
enxadrista que Machado de Assis enfrentou, de igual para igual,
foi João Caldas Vianna. Este pode ser considerado o maior
jogador surgido no Brasil até 1930. Uma partida sua, contra A.
Silvestre, jogada no Clube dos Diários, figura obrigatoriamente
nos mais importantes tratados de xadrez publicados em todo o
mundo. Até hoje é conhecida e praticada a "Defesa Rio de
Janeiro", de sua invenção, na "Partida Espanhola".
Além disso, de
grande parte de sua obra podem ser colhidos dados em que nota-se
um apreço e simpatia pelo jogo e seus praticantes. Podemos ver
alguns exemplos, como no conto “Questão de vaidade”: "E, contudo
este moço joga bem o xadrez! A palavra ‘xadrez’ fez estremecer
Eduardo. Era o sinal de um perigo iminente. Todavia, como fino
cavalheiro que era, ofereceu o braço a Sara, e seguiu
acompanhado de todos para a mesa do jantar." (p. 33). Também
temos exemplo no Romance Iaiá Garcia: "Tentou ensinar-lhe
o xadrez, mas desanimou no fim de cinco lições.
Ah! mas nem todos têm o seu talento! exclamou triunfante o pai
de Estela.
Luiz Garcia jogava o xadrez. Era o recreio usual entre ele e
Jorge; outras vezes saíam a passeio até curta distância”. (p.
137). Nessa obra somam-se várias referências ao jogo.
O conto também
bastante conhecido do autor “A Cartomante” faz alusão ao xadrez
como atividade cultural das personagens: "Liam os mesmos livros,
iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o
xadrez e jogavam às noites; ela mal, – Ele, para lhe ser
agradável, pouco menos mal." (p. 7). Assim ao percorrermos toda
a sua obra veremos o quanto Machado valorizou, defendeu e
verdadeiramente amou esse jogo.
Assim são as
palavras do autor em uma de suas correspondências que usamos
para resumir o que seja jogar xadrez e ter com o jogo uma
relação afetuosa: "Meu bom xadrez, meu querido xadrez, tu que és
o jogo dos silenciosos, como te podes dar naquele tumulto de
freqüentadores? Quero crer que ninguém te joga, nem será
possível fazê-lo. Basta saber que há uma hora certa, às seis da
tarde, em que sai de dentro de um tubo de ferro uma bandeira com
o nome de um jogo. Como podes correr a ver o nome da bandeira,
se tens de defender o teu rei – branco ou preto, – ou atacar o
contrário, preto ou branco?".
REFERÊNCIAS
ASSIS, Machado.
Questão de vaidade. Conto, in: Histórias Românticas.
Jackson:Rio de Janeiro, 1938.
____________.Iaiá Garcia. Jackson: Rio de Janeiro, 1938.
____________.A
Cartomante. In: Várias Histórias. Jackson: Rio de
Janeiro, 1938.