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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 05 de setembro de 2009 18:06:07                                               

 
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Cultura
Machado de Assis: uma paixão além da escrita    

Izaura da Silva Cabral1 Juliano Rodrigues Buchaim2

publicado em 04/09/2009

 

 

 

RESUMO

Este artigo trata de uma outra paixão do grande escritor brasileiro Machado de Assis, o xadrez, que além de ser um grande incentivador deste jogo, também demonstrou ser um grande jogador e usou muitas vezes situações ou jogadas, alusões ao jogo em suas obras.

Palavras-chave: Machado de Assis, Xadrez, Literatura

ABSTRACT

This article deals with one another passion of the great Brazilian writer Machado de Assis, the chess, that beyond being a great incentivador of this game, also demonstrated to be a great player and used, many times situations or plays, lassoes to the game in its workmanships.

Word-key: Machado de Assis, Chess, Literature

 



 

Passado o ano em que se comemorou o centenário da morte do grande escritor, lembramos de uma paixão de Machado que não é a escrita. Machado de Assis foi um entusiasta do Xadrez. Seu interesse por este divertimento levou-o a ocupar posição destacada nos círculos enxadrísticos do tempo do Império. Mantinha correspondência com as seções especializadas dos periódicos da época; compunha problemas e enigmas, e, indo mais além, participou do primeiro torneio de xadrez efetuado no Brasil.

É provável que sua iniciação no jogo tenha sido fruto da influência de Artur Napoleão, o grande pianista português, que enfrentara em Nova York, aos dezesseis anos de idade, em partida de exibição, o famoso campeão do mundo, Paul Charles Morphy. Provavelmente o primeiro clube brasileiro de Xadrez foi fundado no Rio de Janeiro em 1877 nas dependências do Club Polytechnico. Nesse clube Machado de Assis era secretário e o presidente era o pianista português. Coincide, de fato, essa fase enxadrística do romancista com a presença do grande pianista na Corte.

O primeiro torneio de xadrez, realizado em 1880, com a participação dos seis mais destacados amadores residentes no Rio, teve como local da disputa a residência de Artur Napoleão, na Rua Marquês de Abrantes. Em 1868 já freqüentava Machado de Assis o Clube Fluminense, com a finalidade de jogar xadrez. O interesse de Machado de Assis pelo jogo prolongou-se por muitos anos, conforme revelação constante da correspondência com Joaquim Nabuco que, em 1883, lhe enviava de Londres retalhos de jornais com transcrições de partidas, atendendo ao pedido que lhe fora feito.

A qualidade do jogo de Machado, examinada através do estudo de suas partidas, e a facilidade com que solucionava os problemas publicados na imprensa dão-nos uma idéia lisonjeira de sua força como jogador.
Machado de Assis foi um problemista. Começou a publicar problemas de sua criação na revista Ilustração Brasileira.

Um grande enxadrista que Machado de Assis enfrentou, de igual para igual, foi João Caldas Vianna. Este pode ser considerado o maior jogador surgido no Brasil até 1930. Uma partida sua, contra A. Silvestre, jogada no Clube dos Diários, figura obrigatoriamente nos mais importantes tratados de xadrez publicados em todo o mundo. Até hoje é conhecida e praticada a "Defesa Rio de Janeiro", de sua invenção, na "Partida Espanhola".

Além disso, de grande parte de sua obra podem ser colhidos dados em que nota-se um apreço e simpatia pelo jogo e seus praticantes. Podemos ver alguns exemplos, como no conto “Questão de vaidade”: "E, contudo este moço joga bem o xadrez! A palavra ‘xadrez’ fez estremecer Eduardo. Era o sinal de um perigo iminente. Todavia, como fino cavalheiro que era, ofereceu o braço a Sara, e seguiu acompanhado de todos para a mesa do jantar." (p. 33). Também temos exemplo no Romance Iaiá Garcia: "Tentou ensinar-lhe o xadrez, mas desanimou no fim de cinco lições.
Ah! mas nem todos têm o seu talento! exclamou triunfante o pai de Estela.
Luiz Garcia jogava o xadrez. Era o recreio usual entre ele e Jorge; outras vezes saíam a passeio até curta distância”. (p. 137). Nessa obra somam-se várias referências ao jogo.

O conto também bastante conhecido do autor “A Cartomante” faz alusão ao xadrez como atividade cultural das personagens: "Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; ela mal, – Ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal." (p. 7). Assim ao percorrermos toda a sua obra veremos o quanto Machado valorizou, defendeu e verdadeiramente amou esse jogo.

Assim são as palavras do autor em uma de suas correspondências que usamos para resumir o que seja jogar xadrez e ter com o jogo uma relação afetuosa: "Meu bom xadrez, meu querido xadrez, tu que és o jogo dos silenciosos, como te podes dar naquele tumulto de freqüentadores? Quero crer que ninguém te joga, nem será possível fazê-lo. Basta saber que há uma hora certa, às seis da tarde, em que sai de dentro de um tubo de ferro uma bandeira com o nome de um jogo. Como podes correr a ver o nome da bandeira, se tens de defender o teu rei – branco ou preto, – ou atacar o contrário, preto ou branco?".


 

REFERÊNCIAS

ASSIS, Machado. Questão de vaidade. Conto, in: Histórias Românticas. Jackson:Rio de Janeiro, 1938.


____________.Iaiá Garcia. Jackson: Rio de Janeiro, 1938.

 

____________.A Cartomante. In: Várias Histórias. Jackson: Rio de Janeiro, 1938.


 


 


 

1 Mestre em Letras (Unisc) e Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Espanhola do Instituto Estadual de Educação Ernesto Alves.

2 Especialista em Educação Física (Unisc) e Professor de Educação Física do Instituto Estadual de Educação Ernesto Alves, coordenador do projeto de Xadrez desta instituição.

 

 
  

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1 Mestre em Letras (Unisc) e Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Espanhola do Instituto Estadual de Educação Ernesto Alves.

2 Especialista em Educação Física (Unisc) e Professor de Educação Física do Instituto Estadual de Educação Ernesto Alves, coordenador do projeto de Xadrez desta instituição

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