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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 06 de outubro de 2008 20:28:55   

 
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CULTURA - TEATRO

Boca de Ouro

   

Por Ana Cecilia

publicado em 06/10/2008

 

 Sempre que ia almoçar na casa de sua mãe, Nelson Rodrigues tomava o ônibus da linha 115 (atual 184), trajeto Laranjeiras – Estrada de Ferro. Um dos choferes, um pernambucano chamado Rubem Francisco da Silva, gostava de exibir-se: tinha 27 dentes na boca, mas eram todos de ouro. Abria a boca no ponto final da rua General Glicério e dizia: “Olha só! Pode contar, um por um. E não é coroa, é maciço! Ouro 24!”

 

Aqueles dentes dourados misturaram-se no imaginário de Nelson com outro personagem real do submundo carioca, o bicheiro Arlindo Pimenta, e pronto! Surgia o personagem Boca de Ouro, protagonista da peça homônima.

 

Boca de Ouro é bicheiro do subúrbio, típico malandro carioca, e tem esse nome porque, ao subir na vida, trocou os dentes perfeitos por uma dentadura de ouro. Quando Boca é assassinado, o repórter de um jornal sensacionalista, incumbido de investigar o seu passado, tem uma idéia brilhante – investigar Dona Guigui, a volúvel e passional ex-amante do contraventor, uma mulher que, dependendo de seus humores, conta a cada vez uma nova versão para as mesmas histórias.

 

A Companhia Teatro Arte Dramática (CTAD), sob direção de Marcelo de Barros, traz esse enredo novamente para o palco do Sesi. A CTAD tem como base teórica os estudos do ator e diretor russo Constantin Stanislavski, desenvolvidas e aperfeiçoadas de acordo com a montagem e a potencialidade de cada ator.

 

– O método conhecido como “ação física” parte da premissa de que toda a emoção flui independente da vontade, a menos que o ator possa sobre ela exercer total controle, assim como tem sobre o corpo. Nesse sentido, praticamos exercícios em que a memória emocional é evocada até que seja atingido um controle total do corpo. Partimos então para a ação psicofísica, que é a ação propositada, intencional e não intuitiva, que conduz à exteriorização das emoções do personagem – explica Marcelo. A técnica utilizada pelo diretor se baseia na afirmação da verdade cênica do ator, para fazer o espectador acreditar fielmente nos sentimentos de cada personagem.

 

Na montagem de “Boca de Ouro”, Marcelo de Barros aposta não só no trabalho desenvolvido por seus atores mas também, como não poderia deixar de ser, no caráter sempre polêmico e atual do teatro de Nelson Rodrigues.

 

– Nelson retratava a vida como ela era. Queria que todos os moralistas se vissem sem roupas diante de todos os leitores – complementa Marcelo, cuja companhia sagrou-se vencedora de diversos prêmios de atuação, figurino e tem algumas montagens traduzidas na França-Nice, Faculdade de Letras de Nice.

 

Para quem quiser conferir o trabalho desenvolvido pela CTAD, os ingressos já estão à venda. O Teatro Sesi fica na rua Graça Aranha, nº 1, Centro. Mais informações pelo telefone (21) 2563-4546 (Sesi) ou (21) 8603-8660 (CTAD) e pelo sítio da Companhia: www.ctad.com.br. A temporada começa no dia 14 de outubro e vai até o dia 26 de novembro, sempre às terças e quintas-feiras, às 19h30min. Ingressos a R$ 20,00 (R$ 10,00 com filipeta ou meia entrada).

 
 
  

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Ana Cecília Reis é atriz, produtora e assistente de direção.

Contato: anaazevedo88@gmail.com
 

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