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Do “vir-a-ser” nietzschiano [Do “instinto
natural filosófico”]
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The "come-to-be" nietzschean [The "natural instinct philosophical"]
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Luiz Carlos Mariano
da Rosa |
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publicado
em 03/05/2011 |
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Luiz Carlos Mariano
da Rosa
marianodarosaletras@uol.com.br
Resumo
Dialogando com a busca do homem
em relação ao desenvolvimento e
à expressão de suas inclinações,
o filme Sociedade dos Poetas
Mortos assinala as fronteiras
que se impõem à instituição
escolar e ao processo
formativo-educacional no tocante
à incapacidade que carregam de
fomentar a autoconstrução de um
ser a emergência de cujas
possibilidades depende da
superação do excesso de “cultura
histórica”.
Palavras-chave:
Filosofia, cultura, educação,
conhecimento, linguagem.
Abstract
In dialogue with man's quest for
the development and expression
of their sympathies, the film
Dead Poets Society marks the
boundaries which bind the
educational institution and the
educational-training process
with regard to the inability to
bear to encourage self-built one
be the emergence of which
depends on the possibilities of
overcoming excess of "historical
culture".
Key words: Philosophy, culture,
education, knowledge, language.
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Aspectos Introdutórios
Quanto
ao homem singular, a tarefa da educação é a seguinte: torná-lo tão firme e
seguro que ele como um todo não possa mais ser desviado de sua rota. Em seguida,
porém, o educador deve causar-lhe ferimentos, ou utilizar os ferimentos que o
destino lhe faz, e quando desse modo tiverem surgido a dor e a carência, pode
também, nos lugares feridos, ser inoculado algo novo e nobre. Sua natureza
inteira o acolherá em si e mais tarde, em seus frutos, fará sentir o
enobrecimento. [NIETZSCHE, 1996, p. 86]
1959. À
rigidez disciplinar e metódica que, vigentes há um século, caracterizam o
processo formativo-educacional da escola tradicional norte-americana Welton, o
professor John Keating se contrapõe, propondo novos métodos de ensino e
aprendizagem para a literatura, convergindo para a instauração de uma situação
que coloca em questão os valores culturais, que emergem como princípios
basilares da referida instituição, a saber, tradição, honra, disciplina,
excelência [ARALDI, s/d, p. 59].
A
descoberta de que o professor Keating havia participado de uma confraria secreta
cujos membros reuniam-se para a leitura de poemas, discussão de produções
próprias e expressão das suas paixões juvenis, a saber, Sociedade dos Poetas
Mortos, motiva os seus alunos a retomarem o lema carpe diem [expressão
latina que significa "aproveite o dia", que, em virtude da brevidade da vida,
apela ao seu gozo], “ressuscitando-a”, o que levam a efeito em uma caverna
localizada nas proximidades da escola, onde buscam o espaço para a criação e
discussão, tendo em vista a impossibilidade deste exercício no âmbito da
tradicionalíssima Welton, que acena com uma meta que carrega a pretensão de
encaminhá-los para uma universidade de renome, possibilitando o seu
desenvolvimento profissional, segundo a orientação paterna [ARALDI, s/d, p. 59].
Neste
contexto, pois, o professor Keating se esforça para suscitar em seus alunos um
interesse envolvendo a autonomia que guarda relação com o exercício de pensar
por si, tornando a literatura e o pensamento mais do que um arcabouço de
esquemas e conceitos rígidos um horizonte que acena com a busca de vida,
convergindo para uma situação na qual a direção da escola Welton o expulsa,
extinguindo a Sociedade dos Poetas Mortos, instaurando uma pressão que não se
configura senão como incapaz de obstruir a gestação da liberdade, tornando-se o
ápice da crise a tragédia que alcança o sonhador e romântico Neil que, diante da
proibição paterna quanto à carreira de ator de teatro que pretende seguir
obedecendo à sua inclinação própria, comete suicídio [ARALDI, s/d, p. 59].
Se o
conteúdo do filme Sociedade dos Poetas Mortos dialoga com a busca que obceca o
homem em uma determinada fase de sua existência em relação ao desenvolvimento e
à expressão de suas inclinações, não deixa de assinalar também as fronteiras que
se impõem à instituição escolar e ao processo formativo-educacional no tocante à
incapacidade que carregam de fomentar a autoconstrução de um ser cujas
possibilidades não se manifestam senão através de uma ambiência na qual o
excesso de “cultura histórica” não comprometa a capacidade de criação,
estimulando o cultivo de si como relação que possibilita a emergência daquilo
que é novo e extemporâneo, perfazendo um horizonte que encerra a linguagem, sob
a acepção que intersecciona pensamento e conhecimento, como veículo que
condiciona o sentido da própria vida, tornando-se o conhecimento um valor que se
dispõe em sua direção, à medida que promove a constatação dos limites da
racionalidade e da necessidade da afirmação das forças da vida, conforme defende
a leitura nietzschiana, que se mantém subjacente à interpretação da mensagem em
questão.
A escola
favorece o questionamento acerca do sentido e do valor da vida de cada aluno?
Nietzsche ficou confuso e inquieto em meio ao saber acumulado na escola
secundária e buscou em pensadores, literatos e artistas (já mortos) respostas
aos seus questionamentos. Byron, Goethe, Hölderlin e principalmente Schopenhauer
foram seus educadores. É o que também buscavam os alunos de Sociedade dos Poetas
Mortos em Shakespeare, Thoreau e Walt Whitman. […] [ARALDI, s/d, p. 62]
A
“cultura histórica” versus o “vir-a-ser”
do novo
Convergindo para o horizonte que denuncia a transformação do saber em um capital
improdutivo a reflexão nietzschiana acerca da educação, paradigma que sustenta
esta análise, se opõe à formação histórica que caracteriza o processo em
questão, tendo em vista que traz como fundamento uma concepção de cultura que à
medida que torna relevante o arcabouço que envolve os acontecimentos e os
personagens do passado, subtrai ao presente a sua efetividade e desarraiga o
futuro, gerando um pensamento incapaz de engendrar vida e impor um novo sentido
às coisas, cujo contexto não converge senão para a manutenção da ordem
estabelecida.
A
pressuposição de que os alunos têm interesses, capacidades e valores comuns ou
semelhantes, faria com que se aplicasse um modelo único, tendo em vista a meta
principal da escola, qual seja, possibilitar o ingresso numa universidade
reconhecida e, por fim, formar bons profissionais, bem inseridos no mercado de
trabalho. […] [ARALDI, s/d, p. 60]
A
cultura, segundo a leitura nietzschiana, emerge como um fenômeno cujo processo
de nascimento, crescimento e desenvolvimento somente encontra eco através da
vida e das necessidades que a ela se impõem, uma espécie de saber que se limita
a tê-la como objeto [característica da formação alemã da sua época], convergindo
para as fronteiras da artificialidade, que permite a contradição entre ambas, a
saber, vida e cultura, a sua disjunção, em suma, operação que traz como
fundamento, afinal, a inter-relação que abrange “o excesso de história, a
ruminação do passado, a cultura da memória”.
Quando a
história se põe a serviço da vida passada, alerta Nietzsche, torna-se “coveira
do presente”. Depauperiza e provoca a degenerescência da própria vida. Longe de
alimentá-la, mumifica-a. Fossiliza o próprio tempo. O excesso de história
conserva a vida, não sabe fazê-la nascer, por isso, deprecia a vida em
transformação. [DIAS, s/d, pp. 17-18]
Longe
de opor à história a ausência de sentido histórico, a sua utilidade em relação à
vida, pois, é o horizonte que se impõe à perspectiva nietzschiana, que não
ignora nem a necessidade nem a propriedade que caracterizam tal relação,
protestando, contudo, contra a excessividade que, através da leitura em questão,
acarreta o envenenamento, tornando-se imprescindível uma administração do seu
conteúdo que não escape ao âmbito filosófico, tendo em vista que, no contexto em
referência, o seu viés identitário dialoga com o horizonte da medicina à medida
que o homem, sob os efeitos do referido processo, emerge como “doente”,
carregando uma massa de saber histórico que o priva da capacidade de criação,
cujo ato depende essencialmente de uma ambiência “não-histórica”, um “estado de
esquecimento”, em suma, tal como a experiência que o artista incorpora durante a
realização da sua obra, que possibilita o “vir-a-ser” do novo, enfim [DIAS, s/d,
p. 18].
Se a
“cultura histórica”, segundo a leitura nietzschiana, carrega o legado da crença
imobilista de um representação teológica que guarda raízes na Idade Média, não
perfazendo senão uma silhueta de pessimismo cujo eixo referencial
inter-relaciona a proximidade do Fim do Mundo e o Juízo Final, o passado se
impõe ao presente, atribuindo ao conhecimento do “acontecido”, de acordo com a
lógica da temporalidade, uma relevância que torna sempre “tarde demais” qualquer
possibilidade de ação, engendrando um sentimento de desesperança que asfixia o “vir-a-ser”
do novo, emergindo, neste contexto, a utilidade como fundamento do processo de
ensino-aprendizagem, que, por sua vez, não demanda mais do que uma atividade
passiva e receptiva dos seus atores [DIAS, s/d, p. 19].
Na
Welton Academy, a racionalidade científica, objetivante, deve ser aplicada até
mesmo à literatura. O prefácio “Entendendo a poesia”, do dr. J. Evans
Pritchard, estabelece o canône para a interpretação da poesia, um gráfico em que
se poderia medir com precisão a grandeza de Shakespeare e Byron, segundo a
relevância das metas objetivas propostas e atingidas nas suas poesias. O
professor deveria apenas transmitir aos alunos esses conhecimentos seguros. […]
[ARALDI, s/d, p. 61, grifos do autor]
A
primazia da “cultura histórica” diante da vida mesma, convergindo para o aborto
da experiencialização, tanto quanto, antes, a sua imposição como conhecimento,
eis a característica que se impõe ao processo formativo educacional que,
desprezando as vivencialidades pessoais dos seres humanos, torna suficiente o
acúmulo das experiências memoráveis do tempo passado, sob cujas técnicas, então,
se mantém como refém, vítima das tendências que comprometem o fenômeno da
aprendizagem que, trazendo como cerne a impossibilidade quanto a lenta maturação
do indivíduo, a paciente formação de si, o pensamento nietzschiano sublinha da
seguinte forma:
[…] A
primeira tendência, a da “ampliação máxima”, tem a pretensão de julgar que o
direito à cultura seja acessível a todos, todavia é regulamentada pelo dogma da
economia política, cuja fórmula é mais ou menos a seguinte: “tanto conhecimento
e cultura quanto possível, logo, tanta produção e necessidade quanto possível,
daí tanta felicidade quanto possível”.
A
segunda tendência, a da “redução da cultura”, admite a possibilidade de que os
indivíduos consagrem sua vida à defesa dos interesses do Estado e exige que seus
servidores procurem uma especialização, isto é, sejam “fiéis às pequenas coisas”
e ao Estado. [DIAS, s/d, p. 21]
Nesta
perspectiva, pois, Nietzsche ressalta o valor da aprendizagem da língua materna
e da arte de escrever em um contexto sócio-histórico ao qual se impõe o estilo
jornalístico, além de uma drástica redução da sua riqueza e dignidade, em
virtude da ascensão ao poder dos semiletrados, convergindo para uma situação que
assinala mais a utilização indevida dos seus recursos do que propriamente
pobreza vocabular, tornando-se o seu estudo relevante à medida que o seu
declínio tende a provocar a degenerescência cultural, emergindo a necessidade
que envolve uma disciplina [inter-relação de hábito e obediência] linguística
que, longe de engendrar o acúmulo de conhecimentos históricos a seu respeito,
possibilite a construção de princípios através dos quais se desenvolva por si
mesmo, interna e externamente [DIAS, s/d, p. 22], conforme a pretensão com a
qual acena a prática de ensino do professor Keating, que
mostra
outras perspectivas para interpretar e analisar a poesia; além do rigor formal
da composição, existem os impulsos e paixões dos poetas, a busca pela fruição da
vida, por tornar extraordinárias as vivências do dia, a vida.
É nesse
sentido que Nietzsche entende o processo do pensar e do filosofar: “Um filósofo:
é um homem que continuamente vê, vive, ouve, suspeita, espera e sonha coisas
extraordinárias” (Além de Bem e de Mal, 1885-86). Para adentrar o
universo da filosofia e da arte, portanto, é necessário romper com as ordenações
e normalizações do cotidiano. […] [ARALDI, s/d, p. 61, grifos do autor]
Mantendo o conhecimento sob o horizonte que o define como uma atividade
específica do animal humano que guarda relação, pois, com as necessidades que
envolvem a sua conservação e preservação vital, na acepção de um instrumento
antropomórfico que carrega a capacidade de humanizar à medida que promove a
assimilação do mundo à perspectiva humana, Nietzsche sublinha a linguagem como a
base do edifício de antropomorfismos, que, através de suas denominações
arbitrárias, conceitos e abstrações, emerge como uma construção que possibilita
a vida, enfim [BRUM, s/d, p. 36].
A
significação da linguagem para o desenvolvimento da civilização está em que,
nela, o homem colocou um mundo próprio ao lado do outro, um lugar que ele
considerou bastante firme para, apoiado nele, deslocar o restante do mundo de
seus gonzos e tornar-se senhor dele. [NIETZSCHE, 1996, p. 72]
Se ao
processo de ensino-aprendizagem se impõe a inter-relação de fatores que abrangem
do desprezo pela formação humanística ao desenvolvimento da tendência
cientificista, da preeminência das questões históricas e científicas em
detrimento de causas práticas à negligência quanto ao sentido artístico da
língua [em favor do estilo jornalístico], à ênfase que envolve a
profissionalização, Nietzsche, pretendendo conter a tendência em questão, propõe
a recuperação das temáticas essenciais que a condição humana carrega, tarefa que
emerge de um horizonte que acena para um âmbito no qual a arte e a filosofia
dialogam à medida que contestam a pretensão científica de conquistar e manter o
conhecimento de tudo, tanto quanto de conduzi-lo de modo a fazê-lo servir a uma
“melhor” forma de vida, defendendo, antes, a devolução a esta das ilusões que
lhe foram confiscadas, assim como a restituição à arte do direito de permanecer
a cobri-la com os véus que a embelezam [DIAS, s/d, p. 23].
A
arte, nesse sentido, ultrapassa infinitamente a verdade, porque não só tece
um véu de ilusões destinadas a esconder-nos o abismo - “Temos a arte para não
perecermos face à verdade...” - como também, identificando-se com o poder
criador da vida, participa na produção e na invenção de formas harmoniosas que
nos dissimulam as torpezas da existência e, ao suscitarem a alegria e o
entusiasmo, reconciliam-nos com a vida. [BARAQUIN; LAFFITTE, 2004, p. 295, grifo
do autor]
Aspectos Conclusivos
Se a
instituição escolar não emerge como algo isolado, à análise do processo
educacional se impõe o universo cultural e civilizacional da pós-modernidade, no
interior de cujo arcabouço acontece o fenômeno da autoconstrução humana, que
converge para as fronteiras da instauração de uma crise que acena com dois
aspectos que demandam oposição e complementaridade, a saber, a inter-relação do
sentido que reclama a conformação ao modus vivendi de um arcabouço social
e da perspectiva que acena para o horizonte da [auto]transformação [modus
essendi], tendo em vista que, guardando a pretensão de conferir aptidão à
personalidade em face da sua necessidade de sobreviver e viver em sociedade,
engendra a proposta que converge para a possibilidade de instrumentalizar a
autonomia individual, tanto quanto a mudança sócio-histórica, não se
constituindo, nesta perspectiva, a mensagem do filme Sociedade dos Poetas
Mortos, uma mera ficção descontextualizada, posto que, “embora se refira a uma
escola preparatória conservadora dos Estados Unidos, a Welton Academy, o filme
propicia uma ampla discussão da relação entre educação e cultura ocidental,
marcada pela competição e por interesses econômicos” [ARALDI, s/d, p. 59].
A
educação parece sempre mais estar a serviço da civilização
científico-tecnocrática, varrida por uma “economia monetária”. E certamente
temos teóricos, como Pierre Lévy, que com franqueza e até com confiança
desmedida propõem o “reconhecimento dos saberes e know-how adquiridos na
vida social e profissional”.
Se a
vertiginosa velocidade da produção de saberes é um estado de coisas
irreversível, então nossa única opção é a “industrialização” de todas as
experiências do pensamento? A escola deve preparar somente para essa nova
realidade de trabalho, recorrendo às novas tecnologias do conhecimento e às
redes de informação? […]
[…] O
questionamento nietzschiano atinge a raiz da atual sociedade tecnológica. Que
tipo de ser humano queremos formar? […] [ARALDI, s/d, p. 66, grifo do autor]
Nessa
perspectiva, pois, investigando a relevância do ensino de filosofia, Nietzsche
diagnostica a imobilização do seu “instinto natural” através da “cultura
histórica”, convergindo para a incapacidade do estudante de pensar, agir e viver
filosoficamente, pois circunscreve-se ao âmbito do “pensamento morto”, tendo em
vista que a estruturalidade do processo formativo educacional não detém espaço
senão para “repensadores” e “pós-pensadores”, “colecionadores dos valores em
curso”, cujo conhecimento não transpõe os sistemas de pensamento que a história
dignifica à medida que concedem veneração ao passado, devotando à morte as novas
idéias que não dispõem do “selo de consagração”, tornando-se a filosofia, sob
tal horizonte, “uma ciência pura - isto é, um pensamento concebido como
universal, abstrato, neutro, desvinculado da vida e das forças vitais” [DIAS,
s/d, p. 25].
A
filosofia, no interior da cultura histórica, não tem direitos, caso queira ser
mais do que um saber interiormente recolhido, sem efeito; se, pelo menos, o
homem moderno fosse corajoso e decidido, ele não seria, também em suas
inimizades, apenas um ser interior: ele a baniria; agora, contenta-se em
revestir envergonhadamente sua nudez. Sim, pensa-se, escreve-se, imprime-se,
fala-se, ensina-se filosoficamente – até aí tudo é permitido; somente no agir,
na assim chamada vida, é diferente: ali o permitido é sempre um só, e todo o
resto é simplesmente impossível: assim o quer a cultura histórica. São homens
ainda – pergunta-se então -, ou talvez apenas máquinas de pensar, de escrever e
de falar? [NIETZSCHE, 1996, p. 279]
Uma disciplina que
“in-disciplina”, instaurando a “crise”. Se não chega a dialogar com este
horizonte a filosofia no processo formativo-educacional esgota-se como uma
“atividade reflexiva”, não sendo capaz de transpor as fronteiras do “diálogo” e
da “comunicação”, como sublinha Deleuze, que afirma que “a filosofia não é uma
atividade de reflexão [no sentido de “refletir sobre algo”], a filosofia não é
diálogo, e não é comunicação. A filosofia, como a arte, cria. Só que enquanto a
arte cria afectos e perceptos, a filosofia cria conceitos [ou conceptos, se
quisermos conservar o paralelismo]” [TADEU, s/d, P. 12].
Nesse contexto, a
perspectiva nietzschiana assinala que
[…] o
ensino universitário da filosofia não prepara o estudante para pensar, agir e
viver filosoficamente; pelo contrário, o “instinto natural filosófico” é
imobilizado pela cultura histórica.
As
questões históricas introduziram-se de tal modo na filosofia universitária que
esta se resume em perguntas como: o que pensa tal ou qual filósofo? Merecerá tal
lição ser realmente aprendida? É ela, realmente, um estudo de filosofia? Essa
maneira de tratar a matéria desenraizou a filosofia universitária de todos os
problemas fundamentais. Em lugar de levar os estudantes a levantarem questões
sobre a existência, preocupa-se com as minúcias da história da filosofia. Do
mesmo modo que a filologia está interessada apenas nas etimologias, e não em um
trabalho com a palavra viva, a filosofia restringe-se a estudar o pensamento
morto, que não mais serve à vida. [DIAS, s/d, p. 24]
Atividade estruturalizante que se impõe entre o ser humano e o mundo,
instrumentalizando a gestação da realidade, abrangendo, nessa perspectiva,
vários aspectos da vida humana, do ético ao político, do social ao econômico, do
estético ao cultural, que engendram a consciência, possibilitando a construção
da identidade, se o processo formativo-educacional implica na convergência dos
pressupostos que envolvem da percepção de conceitos [inteligência] à
sensibilidade aos valores morais [consciência ética], da sensibilidade aos
valores estéticos [consciência estética] à sensibilidade aos valores
sociopolíticos [consciência política], eis as possibilidades com as quais acena
a contribuição da filosofia que, tal como a mensagem do filme Sociedade dos
Poetas Mortos, “põe em cena as representações e os valores sociais da sociedade
contemporânea” [ARALDI, s/d, p. 59]:
1ª
Possibilidade:
A administração do conteúdo da “cultura histórica” a fim de que o seu excesso
não comprometa a capacidade de criação, impedindo o “vir-a-ser” do novo e
engendrando um saber de caráter falso e artificial;
2ª
Possibilidade:
O cultivo de si como relação que possibilita a emergência daquilo que é novo e
extemporâneo através da natureza de um ser cujo caráter irrepetível não o dispõe
senão para construir o seu próprio arcabouço de vivencialidades e
experiencializações pessoais;
3ª
Possibilidade:
A avaliação da linguagem como base do edifício de antropomorfismos que
intersecciona o horizonte que envolve pensamento e conhecimento,
possibilitando a construção do sentido da própria vida;
4ª
Possibilidade:
O conhecimento como valor que se dispõe à vida à medida que possibilita a
existência do mundo humano e do homem enquanto tal;
5ª
Possibilidade:
A constatação dos limites da racionalidade, a sua reavaliação, que se impõe às
relações de poder que pressupõem, convergindo, enquanto dialoga com o horizonte
da arte, para as fronteiras da afirmação das forças da vida.
Ficha Técnica
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Título
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Sociedade dos Poetas Mortos, O Clube dos Poetas
Mortos [português], Dead Poets Society
[inglês]
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Ano
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1989
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Produção
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Estados Unidos
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Direção
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Peter Weir
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Roteiro
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Tom Schulman
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Elenco
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Robin Williams [John Keating]
Robert Sean Leonard [Neil Perry]
Ethan Hawke [Todd A. Anderson]
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Gênero
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Drama
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Idioma original
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Inglês
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Referências bibliográficas
ARALDI, Clademir Luís. Sociedade dos poetas mortos:
uma perspectiva
nietzschiana. Nietzsche: Em Atos. Nietzsche Pensa
a Educação 2. Revista
Educação Especial: Biblioteca do Professor. São Paulo:
Segmento, s/d, pp. 58-67;
BARAQUIN, Noëlla; LAFFITTE, Jacqueline. Dicionário de Filósofos [Dictionnaire
des Philosophes]. Tradução de Pedro Elói Duarte. Coleção Lexis. Lisboa:
Edições 70. 2004. 397 p.;
BRUM,
José Thomaz. O demasiado humano conhecimento. Nietzsche Conhecimento e
Saber. Nietzsche Pensa a Educação 2. Revista Educação
Especial: Biblioteca do Professor. São Paulo: Segmento, s/d, pp. 36-45;
DIAS,
Rosa Maria. A educação e a incultura moderna. Nietzsche Pensa a Educação.
Nietzsche Pensa a Educação 2. Revista Educação
Especial: Biblioteca do Professor. São Paulo: Segmento, s/d, pp. 16-25;
NIETZSCHE, Friedrich W. Obras Incompletas. Os Pensadores. Tradução e
notas de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Nova Cultural. 1996. 464 p.;
TADEU,
Tomaz. Tinha horror a tudo que apequenava... Biografia intelectual.
Deleuze Pensa a Educação 6. Revista Educação
Especial: Biblioteca do Professor. São Paulo: Segmento, s/d, pp. 6-15.
1
. Poeta e Letrista, Ensaísta e Crítico
Literário; Autor de
O Todo
Essencial, Universitária Editora, Lisboa,
Portugal; Membro do Movimento "Poetas Del
Mundo", Chile, do "World Poets Society", Grécia,
e da UBE - SP [União Brasileira de Escritores];
Acadêmico do CEUCLAR [SP]; Pesquisador
[Filosofia, Educação e Cultura] e Empreendedor
Sociocultural [Espaço Politikón Zôon, CNPJ nº
10.642.249/0001-54, Rua Tamoio, 393, Meudon,
Teresópolis, Estado do Rio de Janeiro, CEP:
25954-240, Fone/Fax: (21) 3641-1290].
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