.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 17/11/2007 23:46:13

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Álcool: mais do que rodar automóveis
Por Gilberto da Silva

No meio desta "guerra" do gás envolvendo Brasil e a Bolívia é bom destacarmos a importância do setor da alcoolquímica – que é a geração de produtos industriais a partir do álcool da cana. Mais do que abastecer nossos automóveis o álcool derivado da cana-de-acúcar é uma fonte riquíssima de tecnologia. Sim, além de combustível, o álcool pode gerar outros produtos, como, por exemplo, o ácido acético que é um insumo da indústria química utilizado na preparação de perfumes, corantes, acetona e seda artificial. Há também o acetato de polivinila (PVA), usado na produção de tintas à base de água, de adesivos e de gomas de mascar; e do acetato de etila, aplicado na formulação de thinners, tintas e vernizes.

O Brasil é o maior produtor de álcool de cana-de-açúcar – ou bioetanol –, respondendo por 36% do mercado mundial, com uma produção de 16 bilhões de litros por ano. Atenderá a demanda nacional e parte da internacional por biocombustíveis nas próximas décadas.  Essa produção poderá servir também como fonte de matérias-primas alternativas para a indústria química, incorporando avanços científicos e tecnológicos na área da biotecnologia.

As perspectivas de expansão da indústria sucro-alcooleira para atender a demanda mundial por biocombustíveis e matérias-primas alternativas para a indústria química.  Existe uma intensa colaboração profissional entre a academia (universidades e centros de pesquisas) e a indústria. Este é um dos requisitos para transformar as recentes descobertas e avanços científicos na genômica, na biologia molecular, na biocatálise e na tecnologia de fermentação em inovações.

O Brasil ocupa uma posição privilegiada na produção do bioetanol. O clima e a insolação existentes no país ajudam.

Lembramos que a partir do álcool também é produzido o cloreto de polivinila (PVC), usado na fabricação de caixas, telhas, tubos flexíveis, luvas, sapatos, “couro-plástico” e fitas de vedação. Há ainda o polietioleno, um polímero do qual se faz, por exemplo, tubos macios, flexíveis e quimicamente resistentes que são usados para terapia endovenosa e em cateteres. Dele também se pode fazer embalagens conhecidas como PET.

 

 

 

Gilberto da Silva é professor, jornalista e sociólogo. Editor da Partes.
gilberto@partes.com.br



 

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