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ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 15 de abril de 2008 23:55:23                                               

 
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ECONOTAS
A questão dos biocombustíveis    

Gilberto da Silva

publicada em 21/06/2007

 

 

Uma primeira indagação que levo aos meus caros leitores: biocombustíveis ou agrocombustíveis? No momento, a discussão sobre os biocombustíveis tem sido mais um processo de “salvação da lavoura” do que uma séria política de economia alternativa e de sustentabilidade ambiental. O que temos visto é que sob a ótica governamental tem prevalecido mais a política de “agrocombustíveis”, com o governo pensando apenas na questão da agricultura. Por outro lado, o “biocombustível” ou a biomassa é na opinião de vários especialistas uma verdadeira saída para os problemas postos pela crescente crise energética mundial. Esse é de princípio um problema capital.

Num universo riquíssimo em variedades de opções, podemos, por exemplo, falar do sebo bovino, matéria prima barata e de boa disponibilidade no mercado. O sebo bovino é uma alternativa para aqueles que advogam que não se pode só pensar em fontes de óleos vegetais para biodiesel. A boa oferta disponível no país, torna o sebo bovino uma das matérias-primas mais cotadas para produção do biodiesel na atualidade.

O grande desafio do Brasil é dobrar sua produção agrícola sem desmatar. Conseguirá? Se apostar em combustíveis de origem vegetal, na minha opinião não fugirá ao crescente desmatamento. Nosso país produz estudos e pesquisas sobre o biodiesel desde 1975 e temos em funcionamento 23 usinas de processamento do biocombustível. Isto não é pouco. Mas não basta é preciso avançar e acreditar mais no poder da biomassa.

Segundo Antonio Carlos Mendes Thame "O Brasil, em 1983, implementava programa intensivo de testes em veículos movidos com biodiesel de óleo de soja em mistura com diesel de petróleo."

Mas o petróleo ainda reina soberano. Não devemos esquecer que enquanto houver reserva de petróleo a serem prospectadas, e isto deve levar mais uns 50 anos, não haverá muito interesse das grandes potências mundiais no assunto biocombustíveis.

Como vivemos numa sociedade capitalista, devemos pensar na ótica da escala de produção e neste aspecto são grandes os problemas de viabilidade econômica para a produção de biodiesel ou de outro tipo de biocombustível. Mas se pensarmos apenas sob a ótica do “modelo de negócios” tão falado nas rodas do mercado estaremos fritos (com óleo diesel, bem dito...)

Outro questionamento é se conseguiremos separar o que é ecologicamente correto do que é economicamente viável?

Como o campo das opções são enormes e variadas, ficamos aqui com a  proposta do biólogo e pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, Rodolfo Salm. “Os muitos milhões de hectares de florestas já desmatados do Brasil, se reflorestados com palmeiras nativas (que se dão muito bem em áreas degradadas), além de recuperarem o ambiente, produziriam uma quantidade de óleo e carvão que nos colocaria, estrategicamente, na liderança isolada do comércio mundial de biocombustíveis, com soberania, autonomia e, melhor do que sem danos, com recuperação ambiental”.

Bem, o assunto é empolgante e não se esgota neste pequeno espaço. Gostaria de saber a opinião dos leitores da Revista Partes. Bem-vindos ao debate!.

 

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Gilberto da Silva é jornalista e sociólogo.

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