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Uma primeira indagação que levo aos
meus caros leitores: biocombustíveis ou agrocombustíveis? No momento, a
discussão sobre os biocombustíveis tem sido mais um processo de “salvação da
lavoura” do que uma séria política de economia alternativa e de sustentabilidade
ambiental. O que temos visto é que sob a ótica governamental tem prevalecido
mais a política de “agrocombustíveis”, com o governo pensando apenas na questão
da agricultura. Por outro lado, o “biocombustível” ou a biomassa é na opinião de
vários especialistas uma verdadeira saída para os problemas postos pela
crescente crise energética mundial. Esse é de princípio um problema capital.
Num universo riquíssimo em variedades
de opções, podemos, por exemplo, falar do sebo bovino, matéria prima barata e de
boa disponibilidade no mercado. O sebo bovino é uma alternativa para aqueles que
advogam que não se pode só pensar em fontes de óleos vegetais para biodiesel. A
boa oferta disponível no país, torna o sebo bovino uma das matérias-primas mais
cotadas para produção do biodiesel na atualidade.
O grande desafio do Brasil é dobrar
sua produção agrícola sem desmatar. Conseguirá? Se apostar em combustíveis de
origem vegetal, na minha opinião não fugirá ao crescente desmatamento. Nosso
país produz estudos e pesquisas sobre o biodiesel
desde 1975 e temos em funcionamento 23 usinas de processamento do biocombustível.
Isto não é pouco. Mas não basta é preciso avançar e acreditar mais no poder da
biomassa.
Segundo
Antonio
Carlos Mendes Thame "O
Brasil,
em
1983,
já
implementava
programa
intensivo
de
testes
em
veículos
movidos
com
biodiesel de
óleo
de
soja
em
mistura
com
diesel
de
petróleo."
Mas o petróleo ainda reina
soberano. Não devemos esquecer que enquanto houver reserva de petróleo a serem
prospectadas, e isto deve levar mais uns 50 anos, não haverá muito interesse das
grandes potências mundiais no assunto biocombustíveis.
Como vivemos numa
sociedade capitalista, devemos pensar na ótica da escala de produção e neste
aspecto são grandes os problemas de viabilidade econômica para a produção de
biodiesel ou de outro tipo de biocombustível. Mas se pensarmos apenas sob a
ótica do “modelo de negócios” tão falado nas rodas do mercado estaremos fritos
(com óleo diesel, bem dito...)
Outro
questionamento é se conseguiremos separar o que é ecologicamente correto do que
é economicamente viável?
Como o campo das opções são enormes
e variadas, ficamos aqui com a proposta do biólogo e pesquisador do Museu
Paraense Emílio Goeldi,
Rodolfo Salm. “Os muitos milhões de hectares de florestas já desmatados do
Brasil, se reflorestados com palmeiras nativas (que se dão muito bem em áreas
degradadas), além de recuperarem o ambiente, produziriam uma quantidade de óleo
e carvão que nos colocaria, estrategicamente, na liderança isolada do comércio
mundial de biocombustíveis, com soberania, autonomia e, melhor do que sem danos,
com recuperação ambiental”.
Bem, o assunto é empolgante e não
se esgota neste pequeno espaço. Gostaria de saber a opinião dos leitores da
Revista Partes. Bem-vindos ao debate!. |