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Econotas

Ano I - Nº8 - novembro de 2000

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Cobrança pela água
Um dos assuntos que mais mobilizou os participantes da 3ª Conferência Latino-Americana sobre o Meio Ambiente (Ecolatina 2000) realizado no começo
de outubro em Belo Horizonte foi a cobrança pelo uso da água. Este é o mais polêmico instrumento de gestão que será introduzido no Brasil com a ANA -
Agência Nacional de Águas.

Resistências
A cobrança pelo uso da água enfrenta resistências em muitos estados, principalmente do setor produtivo. Atualmente a população paga apenas os custos do tratamento e canalização da água que chega nas torneiras.

Sucesso
A Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), criada em 1993, iniciou em 1994 a outorga (controle e permissão do uso) e em 1996, a cobrança pelo uso da água no estado do Ceará e conseguiu  enfrentar um período de secas - três anos, de 97 a 99  e aumentar a oferta de água na região metropolitana de Fortaleza.
O Ceará é o único estado brasileiro que já tem o sistema de cobrança pelo uso.

Aplicação
Os secretários estaduais presentes na Ecolatina defendem a aplicação dos recursos arrecadados pela cobrança do uso das águas na própria bacia hidrográfica geradora do recurso e a reestruturação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, com a inclusão da participação de todos os estados.

Logo
O Conselho Nacional de Recursos Hídricos deve editar até o final deste ano a resolução disciplinando a cobrança pelo uso, depois que a ANA estiver preparada para gerir os recursos.

Reuso
Também foi defendido na Ecolatina a reutilização da água, baseado na idéia que as águas utilizadas para lavar calçadas, esfriar caldeiras, dar descarga nos banheiros não precisam ter a mesma qualidade da água potável que escorre nas torneiras e que bebemos. Esta é outra boa idéia que precisa ser colocada em prática imediatamente.

Esgotos
Os 19 secretários estaduais do Meio Ambiente que estiveram reunidos na Ecolatina consideraram que é necessário dar prioridade absoluta para o tratamento de esgotos e resíduos sólidos e despoluição dos mananciais.
 
São Paulo
Na cidade é visível a necessidade da implementação de um programa de gerenciamento dos resíduos sólidos para que se possa dar indicações de soluções em curto prazo para a situação emergente do lixo. Seja procurando
novas áreas para a criação de aterros ou implantando a coleta seletiva, não importa, o principal é resolver a questão.

Guarapiranga
Lixo e esgoto continuam poluindo a represa de Guarapiranga, responsável por 20% da água consumida na Capital.
Dá pena ver materiais como garrafas plásticas, papelões, entulho e restos de alimentos espalhados aos montes nas margens da represa.

Gilberto da Silva, jornalista e sociólogo é editor da Partes.



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