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“Os
filósofos se limitaram a interpretar o mundo de várias
maneiras; a questão é transformá-lo” - Marx
Destroçados
pela avassaladora avalanche de informações,
contra-informações e completamente recheados com vivas
à nova ordem mundial dita bela e uma, nós -pobres
mortais, nascidos em um país de natureza colonial e de
herança escravista, nos entregamos (melhor seria:
entregaram-nos) de corpo e alma às ditas maravilhas do
neoliberalismo.
Fomos proibidos de pensar a utopia socialista. O
capital patenteou nossas vidas. Não só manda na ordem
econômica, como nos domina por inteiro penetrando em
nossas almas e fazendo nossa consciência.
Criaram o paradigma da modernidade, onde tudo que é
passado é velho, retrógrado e careta. As novas lutas não
podem ascender mudanças na estrutura do poder, das relações
de produção. As lutas podem existir desde que fiquem
restritas a seu segmento (gênero, raça, etc e tal...).
Tudo pode, desde que não avance para além do espaço
doméstico.
Precisamos de uma oportunidade para refazermo-nos.
Recriar nossa vontade de mudança, nosso espírito de
transformação que seja síntese do ecológico,
feminista, do anti-racista, que desencarne as diferenças,
as opressões e as exclusões do “globalitarismo”. A queda do “socialismo real” finalizou uma
luta econômica, na qual os Estados Unidos da América
aparecem como os vencedores e com ela a falsa declaração
do fim das ideologias e com a expansão do modelo
neoliberal, que trouxe desemprego e promove uma acumulação
e movimentação de capital jamais visto na história da
humanidade.
Presos ao luxo e aos restos dos lixos da modernidade do
capital, presos ao poder da ideologia dominante (e aí
daquela voz contrária!), esmagadora, com seu arsenal
político-cultural sempre à disposição para a defesa
da sua ordem. O mercado é o espetáculo e a imagem da
vitória de uma única via, a única que nos apregoam
como verdadeira e democrática. Seremos ainda cidadão?
Mas, se não somos, podemos ficar tranqüilos já há a
“empresa-cidadã”. Seremos cidadão-empresa?
“Por quanto tempo ainda aqueles que estão acordados vão
fazer de conta que estão dormindo?”, questionou
apropriadamente Viviane Forrester em O Horror Econômico.
Somos humilhados por sermos utópicos, por acreditar na
mudança, ridicularizados ao extremo e posto de lado na
sociedade. Devemos renunciar aos nossos princípios e
resignadamente aceitar os novos paradigmas que nos impõem?
Há espaço neste mundo globalizado para soluções
regionais no campo econômico?
Os que não são da fé globalizada estão
realmente cegos?
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