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 Estrela
 Paulo Abreu Lima

Estrela, estrela, estrela...
Olhe-me, aí do céu
E me dê confiança e inspiração
Olhe-me, aí do céu
E me fale de sua paixão
Dê-me razão
Dê-me paixão
Dê-me...
Dê-me algo
Fale algo
Diga
Ouça
Cale
Veja

Estenda sua luz
Rastreie tua luz

estrela, estrela, estrela
fale, cale, cante

ande

mostra tua cara
mostra tua luz

Dê-me tua luz
Ao menos me empreste?
Preciso tua luz

Estrela, estrela, estrela,
Dê-me teu som
Tua sonoridade,
Tua vibração

Cale, silencie, vibre
Fale, soe, ecoe

Mostra tua língua
Mostra tua fala

Transborde, escorregue, esparrame
Caia, rale-se, abrace

Mostra tua alma


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Negro
Augusto dos Anjos (1884-1914)


Oh! Negro, oh!
Filho da Hotentótia ufana,  

Teus braços brônzeos como dois escudos, São dois colosso, dois gigantes mudos, Representado a integridade humana!
Nesses braços de força soberana  
Gloriosamente à luz do sol desnudos  
Ao bruto encontro dos ferrões agudos. Gemeu por muito tempo a alma africana! No colorido dos teus brônzeos braços,
Fulge o fogo mordente dos mormaços
E a chama fulge do solar brasido...
E eu cuido ver os múltiplos produtos
Da Terra – as flores e os metais e os frutos
Simbolizados nesse colorido



Paulo de Abreu Lima é psicólogo
paulo@partes.com.br



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