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Estrela,
estrela, estrela...
Olhe-me, aí do céu
E me dê confiança e inspiração
Olhe-me, aí do céu
E me fale de sua paixão
Dê-me razão
Dê-me paixão
Dê-me...
Dê-me algo
Fale algo
Diga
Ouça
Cale
Veja
Estenda sua luz
Rastreie tua luz
estrela, estrela, estrela
fale, cale, cante
ande
mostra tua cara
mostra tua luz
Dê-me tua luz
Ao menos me empreste?
Preciso tua luz
Estrela, estrela, estrela,
Dê-me teu som
Tua sonoridade,
Tua vibração
Cale, silencie, vibre
Fale, soe, ecoe
Mostra tua língua
Mostra tua fala
Transborde, escorregue, esparrame
Caia, rale-se, abrace
Mostra tua alma
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Negro
Augusto dos Anjos (1884-1914)
Oh! Negro, oh! Filho
da Hotentótia ufana,
Teus
braços brônzeos como dois escudos,
São
dois colosso, dois gigantes mudos,
Representado
a integridade humana!
Nesses
braços de força soberana
Gloriosamente
à luz do sol desnudos
Ao
bruto encontro dos ferrões agudos.
Gemeu
por muito tempo a alma africana!
No
colorido dos teus brônzeos braços,
Fulge
o fogo mordente dos mormaços
E
a chama fulge do solar brasido...
E
eu cuido ver os múltiplos produtos
Da
Terra – as flores e os metais e os frutos
Simbolizados
nesse colorido
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