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Era
uma vez... um camponês que foi à floresta vizinha
apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa.
Encontrou uma águia e colocou-a no galinheiro junto às
galinhas, dando-lhe a mesma ração que oferecia a elas.
Passados cinco anos, o camponês recebeu a visita de um
naturalista que, ao ver a águia logo a identificou,
dizendo: “Esse pássaro aí não é uma galinha, mas
sim uma águia”.
O camponês concordou, argumentando que como havia sido
criada no galinheiro, agora era uma galinha.
Decidiram fazer uma prova. O naturalista ergueu a ave
bem alto para fazê-la voar. Porém, ao ver as galinhas
ciscando grãos no chão, a águia pulou para junto
delas. O naturalista inconformado, fez várias
tentativas para fazê-la voar, pois acreditava que ela
possuía um coração de águia.
Certo dia, ao amanhecer, o naturalista e o camponês
pegaram a águia e a levaram para fora da cidade no alto
de uma montanha. O naturalista ergueu a águia bem alto
e ordenou-lhe: “Águia, você pertence ao céu e não
à terra, abra suas asas e voe”!
A águia, tremendo como se experimentasse uma
nova vida e olhando em direção ao sol, encorajou-se,
abriu suas potentes asas, ergueu-se soberana e começou
a voar...
Essa história ilustra o sentimento que impulsiona
homens e mulheres que ao chegarem na terceira idade,
procuram viver essa nova etapa da vida de forma a
superar barreiras que podem ser construídas num
cotidiano desprovido de significados.
E o que significa Terceira Idade?
O termo surgiu na França para designar o período
da vida que se intercala entre a aposentadoria e a
velhice. Na França do século XIX, a velhice passou a
ser tratada como um problema social, devido ao
crescimento rápido da classe operária, a expansão do
sistema capitalista de trabalho e ao conjunto de
procedimentos que passaram a orientar a ordem social
estabelecida.
Nesse período, mais da metade da população acima de
65 anos, vivia em precárias condições, porque não
possuíam salários ou pensões, vivendo sob a dependência
dos filhos ou de instituições assistencialistas. Nessa
época é que foram criados os primeiros asilos, construídos
com recursos de fundos privados ou doações de famílias
de banqueiros e industriais. Sabe-se que 60% dos asilos
franceses foram construídos no século XIX.
A aposentadoria surge nessa ocasião como resposta ao
reconhecimento da necessidade de se garantir o futuro
dos trabalhadores. Assim, a velhice passa a ser tratada
como uma questão social merecedora de atenção e de
legitimação no campo das preocupações sociais.
Os termos velho e
idoso também são utilizados de acordo com a posição social
ocupada pelo indivíduo. A expressão velho
está associada à idéia de decadência, de
incapacidade para o trabalho e da situação de exclusão
social. Explica-se assim, porque a maioria das pessoas,
não aceita ser identificado como velho, pois sente-se
desqualificado, inútil.
Já o termo idoso
engloba as pessoas de mais idade em diferentes
realidades, designando tanto a população envelhecida
como os indivíduos pertencentes às classes médias.
Geralmente esse termo é utilizado quando se deseja dar
um tom mais respeitoso ao se falar da pessoa que
envelhece.
Na França, com a formulação de novas políticas
sociais para a velhice, na década de 60 do século XX,
há uma mudança na estrutura social, trazendo prestígio
aos aposentados e transformando a imagem das pessoas
envelhecidas.
A aposentadoria, apoiada na idade biológica ou no tempo
de serviço, traz para a pessoa, até então dentro do
processo produtivo, a inatividade que representa o tempo
disponível para realizar desejos e novos projetos de
vida.
Os novos aposentados passaram a ter outros tipos de
necessidade, como lazer, cultura e outras atividades
praticadas pelas camadas médias assalariadas,
transformando a visão negativa predominante da velhice,
para uma imagem mais alegre, saudável, colorida e
associada à arte de bem viver.
A expressão terceira
idade veio para designar exatamente essa nova etapa
da vida, cujo envelhecimento não impede a continuidade
de uma vida ativa, independente e prazerosa.
Esta é uma fase que em especial as mulheres - até
porque vivem mais do que os homens - sentem-se livres
para descobrirem a águia existente dentro de si e,
corajosamente, se lançam para novas e interessantes
possibilidades de vôos em outras direções...
Bibliografia:
BOFF, Leonardo. A
águia e a galinha: uma metáfora da condição
humana.
Petrópolis/ RJ, Editora Vozes, 1997.
BARROS, Myrian Moraes Lins (org.) Velhice
ou Terceira Idade? .Rio de Janeiro, Ed. Fundação
Getúlio Vargas, 1998.
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