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 Crescimento&Maturidade
 Por Paulo de Abreu Lima


Deveis ensinar aos vossos filhos que o solo que pisam são as cinzas dos nossos avós (...). Tudo quanto acontecer a terra acontecerá aos filhos da terra. (Chefe Seatle)

Não se faz a consciência dos homens à força . (Jung)

Não há luta contra pessoas. O que se pretende é corrigir os vícios nas estruturas. (Dom Luciano Mendes de Almeida)

No silêncio mora a confiança. (Rubem Alves)

De alguma forma todas estas frases tratam de uma mesma questão, mais ou menos diretamente: crescimento e maturidade.

Acho que toda a febre de livros de auto-ajuda não é outra coisa senão uma grande oportunidade de exploração comercial da necessidade do crescimento das pessoas. E se observarmos bem o fenômeno, é fantástico, pois o volume e a abrangência dos livros de auto-ajuda são intensos. Crescimento e maturidade – fé, evolução, necessidade, ciclo; poderia fazer um longo brainstorm acerca do tema. Por que crescemos? Porque, como disse Jung, não se faz a consciência dos homens a força. A consciência é talhada, esculpida, desenvolvida; precisa ser construída. É a alma e a direção do nosso caminho. Construir a consciência (sim, acredito que a construímos – e, de fato, é o grande desafio do crescimento) não é tarefa fácil. Porque construir a consciência é construir as referências nas quais caminharemos por toda a vida. E, como humanos – e não como lagartixas – fazemos o nosso próprio caminho, construímo-lo. Esse é o papel da consciência e crescimento.

Trocas, relacionamentos, experiências, perdas, ganhos, conhecimento, emoções....Crescemos no contato com o outro. Deveis ensinar aos vossos filhos que o solo que pisam são as cinzas dos nossos avós (...). Tudo quanto acontecer a terra acontecerá aos filhos da terra. (Chefe Seatle). Este é o grande lance do negócio. Só com este contato é que podemos nos ver, pois sempre nos empatizamos, criando e construindo juntos as referências que precisamos. Referências de valor e equilíbrio de convivência. Pois o formato e conteúdo destas referências sairão a partir desta construção conjunta – pois, no fundo vivemos para o outro e não para nós – apesar do velho chavão psicologista: a pessoa mais importante do mundo sou eu. Conversa! A atitude mais narcísica que houver está preocupada em agradar...o outro, é claro. Pelo menos esta é a tendência da grande maioria das pessoas; não fosse assim as clausuras estariam lotadas. Aliás, quem está nas clausuras e mosteiros - como trapistas, etc – mais do que ninguém estão voltados para o outro. O crescimento, nestes casos, é profundamente espiritual, porque a doação é profundamente humana.

Justamente por causa da interdependência pessoal é que as coisas se complicam. Egoísmo, experiências externas, internas, traços pessoais, ética, moral, a falta delas, modernidade, disputa.....(uma infinidade de expressões). Não há luta contra pessoas. O que se pretende é corrigir os vícios nas estruturas. ( Dom Luciano Mendes de Almeida ). A expressão de D. Luciano Mendes de Almeida expressa bem o contexto das dificuldades do crescimento e da maturação. As estruturas que D. Luciano se refere são as tais referências que construímos e precisamos delas. As referências éticas e de valores; os caminhos que nos orientam no relacionamento e buscas na nossa vida com o outro. E, curiosamente, o outro dá muito trabalho; pois, se vivemos para ele e precisamos dele para construir juntos, é ele, muitas vezes, que cria caso, que sabota, que se enciúma, que duvida, que impede, que concorre....e por aí vai. É o princípio do Tao – oposição e união. As mais belas flores sempre nascem de um terreno podre.

De novo o brainstorm: esforço, busca, ajuda, coragem, vontade, desprendimento... No silêncio mora a confiança (Rubem Alves). Confiança do encontro e da clareza. Já dizia o professor Johannes: a clareza não é uma dádiva, é uma conquista. E se crescimento é clareza de caminho, de direção, o esforço tem que ser voluntário, até porque, do outro, como vimos, não sai nada. É interessante o movimento de mão dupla do dinamismo individual: não posso viver sem o outro, “mas não interfira em meus negócios!! ”Transpor obstáculos significa negociar e dialogar, propor e supor, compreender, confiar. Confiar no outro, e – o que facilita muito as coisas – em si mesmo. Confiar é ter fé, estar com fé, acreditar em; e fé é aquilo que move as pessoas cegas a se deixarem ser guiadas por um desconhecido. Quebrar barreiras e obstáculos para o crescimento é se deixar guiar pelo desconhecido. É o vôo cego, no qual não sabemos por onde passamos, mas sabemos para onde vamos.

A minha fé, nas densas trevas, resplandece mais viva. (Gandhi )

Paulo de Abreu Lima



Paulo de Abreu Lima é psicólogo. E-mail: paulo@partes.com.br



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