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Deveis ensinar aos vossos filhos que o solo que pisam
são as cinzas dos nossos avós (...). Tudo
quanto acontecer a terra acontecerá aos filhos
da terra. (Chefe Seatle)
Não se faz a consciência dos homens à
força . (Jung)
Não há luta contra pessoas. O que se pretende
é corrigir os vícios nas estruturas. (Dom
Luciano Mendes de Almeida)
No silêncio
mora a confiança. (Rubem Alves)
De alguma
forma todas estas frases tratam de uma mesma questão,
mais ou menos diretamente: crescimento e maturidade.
Acho
que toda a febre de livros de auto-ajuda não
é outra coisa senão uma grande oportunidade
de exploração comercial da necessidade
do crescimento das pessoas. E se observarmos bem o fenômeno,
é fantástico, pois o volume e a abrangência
dos livros de auto-ajuda são intensos. Crescimento
e maturidade fé, evolução,
necessidade, ciclo; poderia fazer um longo brainstorm
acerca do tema. Por que crescemos? Porque, como disse
Jung, não se faz a consciência dos homens
a força. A consciência é talhada,
esculpida, desenvolvida; precisa ser construída.
É a alma e a direção do nosso caminho.
Construir a consciência (sim, acredito que a construímos
e, de fato, é o grande desafio do crescimento)
não é tarefa fácil. Porque construir
a consciência é construir as referências
nas quais caminharemos por toda a vida. E, como humanos
e não como lagartixas fazemos o
nosso próprio caminho, construímo-lo.
Esse é o papel da consciência e crescimento.
Trocas,
relacionamentos, experiências, perdas, ganhos,
conhecimento, emoções....Crescemos no
contato com o outro. Deveis ensinar aos vossos filhos
que o solo que pisam são as cinzas dos nossos
avós (...). Tudo quanto acontecer a terra acontecerá
aos filhos da terra. (Chefe Seatle). Este é o
grande lance do negócio. Só com este contato
é que podemos nos ver, pois sempre nos empatizamos,
criando e construindo juntos as referências que
precisamos. Referências de valor e equilíbrio
de convivência. Pois o formato e conteúdo
destas referências sairão a partir desta
construção conjunta pois, no fundo
vivemos para o outro e não para nós
apesar do velho chavão psicologista: a pessoa
mais importante do mundo sou eu. Conversa! A atitude
mais narcísica que houver está preocupada
em agradar...o outro, é claro. Pelo menos esta
é a tendência da grande maioria das pessoas;
não fosse assim as clausuras estariam lotadas.
Aliás, quem está nas clausuras e mosteiros
- como trapistas, etc mais do que ninguém
estão voltados para o outro. O crescimento, nestes
casos, é profundamente espiritual, porque a doação
é profundamente humana.
Justamente por causa da interdependência pessoal
é que as coisas se complicam. Egoísmo,
experiências externas, internas, traços
pessoais, ética, moral, a falta delas, modernidade,
disputa.....(uma infinidade de expressões). Não
há luta contra pessoas. O que se pretende é
corrigir os vícios nas estruturas. ( Dom Luciano
Mendes de Almeida ). A expressão de D. Luciano
Mendes de Almeida expressa bem o contexto das dificuldades
do crescimento e da maturação. As estruturas
que D. Luciano se refere são as tais referências
que construímos e precisamos delas. As referências
éticas e de valores; os caminhos que nos orientam
no relacionamento e buscas na nossa vida com o outro.
E, curiosamente, o outro dá muito trabalho; pois,
se vivemos para ele e precisamos dele para construir
juntos, é ele, muitas vezes, que cria caso, que
sabota, que se enciúma, que duvida, que impede,
que concorre....e por aí vai. É o princípio
do Tao oposição e união.
As mais belas flores sempre nascem de um terreno podre.
De novo o brainstorm: esforço, busca, ajuda,
coragem, vontade, desprendimento... No silêncio
mora a confiança (Rubem Alves). Confiança
do encontro e da clareza. Já dizia o professor
Johannes: a clareza não é uma dádiva,
é uma conquista. E se crescimento é clareza
de caminho, de direção, o esforço
tem que ser voluntário, até porque, do
outro, como vimos, não sai nada. É interessante
o movimento de mão dupla do dinamismo individual:
não posso viver sem o outro, mas não
interfira em meus negócios!! Transpor obstáculos
significa negociar e dialogar, propor e supor, compreender,
confiar. Confiar no outro, e o que facilita muito
as coisas em si mesmo. Confiar é ter fé,
estar com fé, acreditar em; e fé é
aquilo que move as pessoas cegas a se deixarem ser guiadas
por um desconhecido. Quebrar barreiras e obstáculos
para o crescimento é se deixar guiar pelo desconhecido.
É o vôo cego, no qual não sabemos
por onde passamos, mas sabemos para onde vamos.
A minha fé, nas densas trevas, resplandece mais
viva. (Gandhi )
Paulo
de Abreu Lima
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