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 Alternativas (algumas) para sair da crise
 Por Gilberto Silva

Gás natural
Dados mais recentes da Agência Internacional de Energia (1998) colocam o gás natural em terceiro lugar na lista das fontes de energia a nível global. Mas as estimativas do Worldwatch Institute indicam que, em 1999, terá ultrapassado o carvão, ocupando, agora, a segunda posição.

Hidroelétricas
Não é necessário grandes centrais hidroelétricas, pois, sobretudo no Brasil, que depende das suas enormes barragens para suprir mais de 90% das suas necessidades de eletricidade. Os custos são altos. O impacto ambiental é enorme, incluindo a alteração dos cursos de água. Não devemos esquecer também o impacto social, quando há populações que têm de ser realojadas. Uma solução paliativa é a instalação de mini-hidrelétricas, mas a sua participação na oferta de eletricidade ainda é modesta.

Eólica
A energia eólica (força do vento) é o setor que mais tem crescido entre as energias renováveis - 24% de incremento anual da capacidade instalada no mundo - e o que mais promete crescer num futuro próximo. Os avanços tecnológicos têm sido significativos.

Células de combustível
Fonte que utiliza um dos elementos químicos mais abundantes na Terra - o hidrogênio. Há muito tempo que são utilizadas em missões espaciais, mas com custos muito elevados. Hoje em dia, estão sendo investigados pelo menos sete tipos diferentes de células de combustível. Infelizmente, apesar e algumas aplicações comerciais, ainda são grandes e caras. Seu alvo potencial é o automóvel.

Biomassa
A biomassa representa hoje 10% da energia mundial e pode ser utilizada como combustível em pequenas centrais de produção de eletricidade - às vezes misturada com outras matérias-primas, como no caso das incineradoras de lixo. Outros combustíveis, como o etanol, feito a partir da plantas, ou o biogás produzido pela decomposição de lixo orgânico, também são alternativas renováveis aos combustíveis fósseis. Mas a queima de biomassa não está isenta de emissões atmosféricas.

Sol
A energia do sol pode ser convertida em eletricidade através de células fotovoltaicas. O custo destas unidades ainda é elevado, mas é atrativa.

Emissão de poluentes
A SMMA (Secretaria do Meio Ambiente do município de São Paulo) vai fiscalizar, a partir de fevereiro de 2002, a emissão de poluentes dos carros da capital. Segundo a secretária Stela Goldenstein, em 2002 serão priorizadas checagens em carros fabricados entre 1992 e 2001, mas a partir de 2003 a fiscalização se estende a todos. A questão da fiscalização da emissão de poluentes é uma questão de saúde pública, já que carros, ônibus e caminhões são responsáveis por 70% da poluição da capital.

Espécies ameaçadas de extinção
O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo, seguido pela Indonésia e África do Sul. Hoje, 42 espécies estão ameaçadas de extinção no Brasil. Estas espécies constam do livro "Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção", que mostra também curiosidades sobre os hábitos das principais espécies dos ecossistemas da Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal, Campos e Caatinga.

IBGE mostra meio ambiente
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançará o primeiro relatório de indicadores de desenvolvimento sustentável do país, com informações sobre qualidade do ar, destruição da camada de ozônio, emissão de gases de efeito estufa, uso de pesticidas agrícolas, desertificação, qualidade da água e biodiversidade.

Reduzir o consumismo
No ritmo frenético da evolução da tecnologia aumentamos o consumo de energia elétrica para nos abastecer, para satisfazer nossas necessidades - nem sempre básicas.
Fomos profundamente incapazes de acompanhar o ritmo de crescimento de um país que não pode se deixar estagnar. Apesar de todas as críticas, todos os erros, o país crescia.

Despreparados
Não nos ensinaram, seja nas escolas, seja em nossas casas ou na sociedade que um dia poderíamos viver em regime de escassez. Saímos de um século de abundância e crescimento: reduzidos no mito do consumo. Sempre às custas da natureza.

Atitudes
É hora de movimento: para solucionar a escassez de água; para melhorar o meio ambiente e colocar em prática novas estruturas de geração de energia capazes de evitar colapsos como esses e que utilizem tecnologias que respeitem a natureza.

Culpados
Temos que parar de procurar os culpados pelo racionamento de energia e colaborar para resolver o problema. Os culpados a população já sabe apontar. A crise é grave e delicada e quem mais vai sofrer impacto são os trabalhadores. Se a crise demoar muito tempo os impactos serão maiores.

Até na cultura
Em razão do racionamento de energia imposto pelo governo federal, a Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo vai alterar o horário de funcionamento da bibliotecas municipais infanto-juvenis paulistanas a partir do dia 1º de junho. As bibliotecas municipais terão duas horas a menos de funcionamento por dia, funcionando das 9h às 16. O horário normal vai das 8h até as 17h.

Desmatamento
A ameaça é maior do que se pensa. O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais estima em 15% o crescimento do desmatamento na Amazônia. Quase um estado de Sergipe inteiro desmatado! As previsões são catastróficas.
Para a WWF (Fundo Mundial para a Natureza) esta taxa representa um nível extremamente elevado. Se forem mantidas as taxas atuais anuais em menos de dez anos a Amazônia perderá um área equivalente ao estado do Acre. Nesse ritmo será que a floresta vai sobreviver?

gilberto@partes.com.br



Gilberto Silva, jornalista e sociólogo. É editor da Partes
gilberto@partes.com.br



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