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A luta contra a globalização perdeu um
grande aliado, um crítico que tardiamente foi
descoberto pelos brasileiros.
Fará falta o bom baiano de Brotas de Macaúbas,
isto lembra-me a outra Macaúbas, também
na Bahia, onde meu velho pai nasceu, quase na mesma
época do Milton. E, também, o bom baiano,
irmão, pai, amigo, João Cruz, lá
do Guarujá. Santos, Silva, Cruz: bons baianos...
A geografia brasileira, que produz boas cabeças,
fica mais triste com a perda do Milton, que representava
uma esperança de resgate do país..
Um pensador deste pobre país rico, que não
faz a lição de casa, que não deveria
ter problemas, mas vive de apagão, de racionamento.
Milton, autor de mais de 40 livros e 300 artigos realizava
uma reflexão sobre a ideologização
da vida social e a geografia.
Era, sobretudo, um humanista.
Basta ler suas principais obras: Por uma outra globalização,
A natureza do espaço, A urbanização
brasileira, Metamorfoses do espaço habitado,
Novos rumos da geografia brasileira, O trabalho do geógrafo
no Terceiro Mundo, O Espaço do cidadão.
Pensando o espaço do homem, Por uma economia
política da cidade, Espaço & método
e Por uma geografia nova.
As homenagens são, geralmente, póstumas
e tardias... Na imprensa é assim mesmo, só
ficamos sabendo das coisas boas produzidas no Brasil,
ou sobre as vida das boas pessoas, depois de sua morte.
Ou bem depois... Nossos Santos...
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