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RESUMO
O presente
trabalho, propõe-se apresentar os fracassos da
educação matemática que ocorre
em muitas de nossas instituições educacionais.
Nesta direção, primeiramente destaca alguns
problemas que auxiliam neste fracasso. Em seguida, discute
algumas possíveis soluções para
minimizar aspectos negativos que levam ao fracasso do
ensino de matemática.
ABSTRACT
This
project proposes to present the failures of mathematics
education that occurs in many of our educational institutions.
First, it stands out some problems that favours these
faiures. Next, it discusses some possible solutions
to minimize the negative aspects that lead to the failure
of the mathematics teaching.
1. INTRODUÇÃO
Atualmente,
encontramos, dentro da educação matemática,
resultados insatisfatórios obtidos na docência
desta disciplina nos diversos níveis de ensino,
ou seja, desde a pré-escola até a universidade.
São
muitas as causas que contribuem para este lastimoso
quadro. Abaixo, cito algumas delas:
- inadequação do ensino de matemática
em relação ao conteúdo, à
metodologia de trabalho e ao ambiente em que se encontra
inserido o aluno em questão;
- "má" formação de professores,
ou seja, falta de capacitação docente;
- programas de matemática não flexíveis
e muitas vezes baseados em modelos de outros países
e, conseqüentemente, são modelos que muitas
vezes não representam a realidade sócio-econômica
do país;
- falta de compreensão e domínio dos pré-requisitos
fundamentais que ajudariam este estudante a obter um
bom desenvolvimento nas aulas de matemática;
- desvalorização sócio-econômica
dos professores.
Acredito
que o último item acima citado tem influenciado
os aspectos negativos que permeiam o trabalho docente
como um todo. Tal influência é exercida
pois a educação por si só pressupõe
que seja como um fenômeno social, isto é,
ela é parte integrante das relações
sociais, econômicas, políticas e culturais
da sociedade.
Entretanto,
os aspectos relacionados com a valorização
do professor em termos financeiros não é
objeto de estudo deste texto. Aqui, pretendo fazer uma
análise dos aspectos puramente educacionais que
norteiam o fracasso educacional, mais especificamente
o fracasso da educação matemática.
Sendo
assim, o principal objetivo deste trabalho é
levantar esta problemática tão presente
em nossas instituições de ensino e, ao
mesmo tempo, iniciar um estudo mostrando caminhos que
possibilitem que o aprendiz, através de seu mestre,
integre as informações fornecidas por
seus professores, pelos livros ou até mesmo pela
Internet, incorporando-os, após breve análise,
à sua estrutura cognitiva.
Entendo
que só conseguiremos isto através de trabalhos
que enfatizem a experimentação, a pesquisa
e a descoberta, em vez da rotina e da memorização.
2. O ENSINO DA MATEMÁTICA - ALGUNS PROBLEMAS
Antes
de apontarmos alguns problemas sobre o ensino da matemática
que ocorrem freqüentemente em nossas escolas, devemos
primeiro entender o que é ensino. Segundo Libâneo
(1991), "o ensino é um meio fundamental
do progresso intelectual dos alunos", abrangendo
a assimilação de conhecimentos. Citando
o que escreve Goldberg (1998), "o ensino resume
a instrumentalização necessária
à transmissão do conhecimento, base do
processo de educação".
Muitas
pesquisas tem mostrado que o ensino como um todo e,
especialmente, da matemática, deve ser um processo
compartilhado, logo depende profundamente do conhecimento
do aluno sobre a importância do assunto que está
em discussão, ou seja, de sua capacidade de atender
as suas necessidades e expectativas e de lhe abrir alternativas
para a melhoria da sua qualidade de vida.
Para
Goldberg (1998), "educar é transformar;
é despertar aptidões e orientá-las
para o melhor uso dentro da sociedade em que vive o
educando;" é desenvolver estruturas cognitivas
que permitam ao indivíduo não somente
ler e compreender o mundo em que vive, mas atuar e,
se possível, gerar progresso na sociedade como
um todo.
No entanto,
sabemos que o processo de educar, como conceituado anteriormente,
não se aplica na maioria das nossas escolas brasileiras,
principalmente nos aspectos que se referem a educação
matemática. Como resultado imediato, verificamos
o fracasso do ensino da matemática em muitas
instituições educacionais.
Para
Rodriguez (1993), ao longo dos anos, a causa deste fracasso
tem sido atribuída aos alunos , o que levou os
professores a procurarem diversas estratégias
e alternativas metodológicas que motivassem e
facilitassem a compreensão dos conteúdos.
No entanto, esta procura tem provocado a conscientização
da influência de uma base teórica para
fundamentar a prática, pois ainda observamos
professores de matemática com posturas e rigores
científicos, supervalorizando a memorização
de conceitos e, principalmente, o domínio de
classe.
Não
é raro encontrarmos, dentro do trabalho cotidiano
das escolas, professores de matemática ensinando
esta disciplina de forma "rotineira", onde
os conteúdos trabalhados são aqueles presentes
no livro didático adotado e o método de
ensino se restringe a aulas expositivas e a exercícios
de fixação ou de aprendizagem.
Essa
postura do professor faz com que os educandos entendam
o processo de estudo como sendo mera memorização,
desestimulando, com isso, atividades mais elaboradas
que envolvam raciocínio. Além disso, estes
mesmos estudantes tornam-se excessivamente dependentes
do professor e do livro didático, uma vez que
seu principal objetivo dentro da instituição
educacional é obter nota suficiente para serem
aprovados.
Outro
grande problema refere-se ao fato de que a matemática
é freqüentemente tratada como sendo uma
área do conhecimento humano desligada da realidade
e do cotidiano onde o indivíduo encontra-se inserido.
Sendo assim, é comum ouvirmos nossos alunos perguntarem:
"Para que serve isso"? "Onde vou utilizar
aquilo"? Em muitos casos, tais perguntas não
chegam sequer a ser respondidas. Com isso, teremos mais
dúvidas, mais conflitos e mais fracassos estudantis.
Por outro
lado, se nos dirigirmos a certas escolas e observarmos
alguns professores de matemática entrarem na
sala de aula, verificamos que eles colocam-se imediatamente
à frente da turma diante do quadro-negro. Parecem
encontrar, neste local, seu ponto de apoio e de referência
com relação à turma. Assim, estes
professores passam a dissertar sobre seus conteúdos,
propõem questões, formalizam algumas perguntas
à classe e, seguros, podem até efetuar
algumas demonstrações, exposições,
correções, etc. A postura destes professores
pode ser classificada, sem sombra de dúvidas,
como uma postura ou metodologia tradicional.
Nas
escolas onde professores de matemática trabalham
com o ensino tradicional, podemos observar que o processo
ensino-aprendizagem dos alunos torna-se mera transmissão
da matéria, ou seja, o professor "transmite"
e os alunos "recebem". Esta atividade de transmissão
e recepção vem acompanhada da realização
repetitiva e puramente mecanizada de exercícios,
acarretando, por parte do aluno, futuras memorizações
de como estes exercícios foram inicialmente desenvolvidos.
De forma
mais abrangente, o professor reproduz a matéria
para a classe e, por sua vez, os alunos respondem o
"questionário" do professor. E a prova?
Ah, cabe agora os alunos decorarem tudo o que foi dito,
feito e esquematizado pelo professor. Este, então,
se esquece de que cada educando é um ser humano
e como tal possui capacidades natas, como pensar.
Mas há
aqueles alunos que ainda tentam apresentar suas próprias
soluções de forma a solucionar os problemas
propostos pelo seu professor. Entretanto, tais considerações
ou são ignoradas ou quando não, são
consideradas pelo professor como não sendo adequadas.
Nesse momento, o professor então apresenta o
"modo correto" de resolver o problema e os
alunos, por sua vez, esquecem suas sugestões;
apagam suas anotações e copiam o "modo
correto" fornecido pelo professor.
Neste
tipo de contexto, a ênfase na disciplina de matemática
é dada ao "é assim que se faz"
ao invés de "pense um pouco sobre isso"
ou "que relação poderá existir
entre este problema e os conhecimentos que você
possui, que já foram anteriormente adquiridos
por você"?
Diante
destes fatos, podemos concluir que muitas vezes a atividade
mental de nossos alunos é subestimada, privando-os
de desenvolverem suas potencialidades cognitivas, suas
capacidades e habilidades. Devemos estar cientes de
que o ensino da matemática deve ser algo mais
do que mera transmissão da matéria, deve
ser algo mais do que mera cópia dos exercícios
resolvidos pelo professor no quadro-negro, deve ser
algo mais do que mera memorização.
Outro
fator presente em nossas escolas que afeta o aprendizado
de matemática se refere ao fato de que muitos
professores possuem excessiva preocupação
em apenas "vencer" o conteúdo a qualquer
custo. Para estes professores, o importante é
a matéria que se encontra no livro didático
que foi adotado no início do ano letivo. De forma
alguma estou negligenciando aqui a importância
do livro. Apenas acredito que ele deva ser usado pelo
professor de matemática como recurso auxiliar.
Por essa razão, é fundamental que o docente
domine muito bem a disciplina que está ministrando,
além, é claro, de possuir forte discernimento
para saber selecionar o que realmente é básico
e indispensável para o desenvolvimento da capacidade
de pensar dos alunos.
Outro
problema grave que pode ocorre em salas de aulas é
o fato de que o ensino somente transmitido não
toma muitas vezes o cuidado de verificar se realmente
os alunos encontram-se preparados para enfrentar assuntos
novos a serem transmitidos pelo professor. Nestes casos,
o acúmulo de dúvidas por parte dos alunos
é quase que inevitável. Este problema,
por um lado, também deve ao fato do professor
utilizar a metodologia tradicional de ensino.
Talvez,
dos problemas mais corriqueiros que o professor enfrenta
em sala de aula, o mais difícil de solucionar
seja o da falta de motivação dos alunos.
Consequentemente, este problema produz atitudes de resistência
àquilo que está sendo ensinado. E assim,
diante de perguntas tais como: "Eu preciso estudar
isto para a prova"?, "Isto é importante"?,
o professor tende a desistir de melhorar sua atuação
e então passa a racionalizar, e o seu discurso
passa a ser: "Os estudantes não estão
interessados em minhas aulas porque lhes faltam pré-requisitos
necessários à compreensão da minha
matéria".
Agravando
mais ainda a situação, alguns professores
utilizam o método de distribuir recompensas,
na tentativa de motivar esses alunos a "participarem"
de suas aulas. Podemos observar que o que está
acontecendo aqui é a antológica frase
"Eu finjo que ensino e vocês fingem que aprendem".
Mas e se as recompensas não funcionarem? Bem,
o professor passa a utilizar um outro método
para conseguir a atenção dos alunos, ou
seja, o professor passa a fazer ameaças - implícitas
ou explicitas -. Mas e se isso também não
funcionar? Pode-se recorrer para o último estágio
- a punição. Resultado, mais rebeldia,
insatisfação, apatia com relação
ao professor e a disciplina de matemática.
Lembro-me,
neste momento, da história do projeto do frigoríficos
de avicultores que, para facilitar a criação
e o abate de aves, estabelecem certas regras que deveriam
as praticadas pelos avicultores. O objetivo era colocar
em prática a Gestão da Qualidade Total
e facilitar a morte em série.
Não
é difícil fazermos uma relação
entre o projeto dos frigoríficos e o sistema
educacional. Isso se verifica no conteúdo passado
aos alunos durante séculos, sempre pronto, balanceado,
mastigado. Também se verifica esta relação
na disciplina exigida em sala de aula, no silêncio,
na obediência.
Como
resultado deste emaranhado de problemas, encontramos
de um lado alunos desinteressados, considerando a matemática
como um processo de aprendizagem árdua, mas necessária
para as tão sonhada aprovação,
e por outro , professores desgostosos de seus alunos
pois, segundo eles, estes alunos não sabem nada
do que foi supostamente "trabalhado" em sala
de aula.
3. O ENSINO DA MATEMÁTICA - ALGUMAS SOLUÇÕES
Os avanços
teóricos têm comprovado que a aprendizagem
não se dá pelo treino mecânico descontextualizado,
ou pela exposição exaustiva do professor.
Pelo contrário, a aprendizagem dos conceitos
ocorre pela interação dos alunos com o
conhecimento.
É
importante observarmos que o processo de ensino é
constituído por diversas atividades que deverão
ser organizadas pelo professor, visando a assimilação,
por parte dos alunos, de conhecimentos, habilidades
e hábitos, do desenvolvimento de suas capacidades
intelectuais, objetivando sempre o domínio dos
conhecimentos e habilidades e suas diversas aplicações.
O fundamental
dentro do processo ensino-aprendizagem é a alteração
de "como ensinar" para "como os alunos
aprendem e o que faço para favorecer este aprendizado".
Para isso, devemos entender que os conteúdos
direcionam o processo ensino-aprendizagem onde priorizam-se
a construção individual e a coletiva.
Com isso, oportunizamos situações em que
os educandos interagem com o objeto de conhecimento
e estabelecem suas hipóteses para que estas sejam,
posteriormente, confirmados ou reformulados.
Entendo
que o primeiro passo a ser dado é a ruptura da
educação matemática com o modelo
tradicional, optando-se por um contexto mais construtivista,
onde os alunos devem analisar um determinado problema
para que, só então, passem a compreendê-lo.
É importante aqui que o professor ofereça
espaço para discussões e interaja continuamente
com seus alunos.
Além
disso, o professor deve se dar conta que para um bom
aprendizado de matemática é fundamental
que o aluno se sinta interessado na resolução
de um problema, qualquer que seja ele, despertando,
assim, a sua curiosidade e a sua criatividade ao resolvê-lo.
Citando
o que escreve Biaggi (2000), "não é
possível preparar alunos capazes de solucionar
problemas ensinando conceitos matemáticos desvinculados
da realidade, ou que se mostrem sem significado para
eles, esperando que saibam como utilizá-los no
futuro".
No que
se refere às avaliações escolares,
estas devem ser realizadas permanentemente pelos mestres,
lembrando-se sempre que elas têm a função
de qualificação do educando e não
a de classificação. Teriam, pois, um papel
de diagnóstico da aprendizagem e não de
uma ferramenta que o professor possa utilizar para lembrar
aos alunos quem detêm o poder.
Por último,
não podemos nos esquecer dos aspectos que regem
a contínua formação de nossos professores,
além, é claro da formação
básica indispensável para a boa formação
docente, pois a eles são atribuídas responsabilidades
para com a sociedade dos homens e sua cultura.
Entendo
por formação básica do professor
aquela desenvolvida pelos cursos de licenciatura e não
apenas pelas disciplinas pedagógicas, com o objetivo
de preparar professores que atuarão no magistério
de ensino fundamental e médio.
Entretanto,
reconhecemos, hoje, a necessidade urgente de uma revisão
nas licenciaturas, principalmente a que abrange o ensino
de matemática. Assim sendo, as universidades
devem intervir, de modo responsável e inequívoco,
no quadro caótico em que se encontra o ensino
de matemática, mas este assunto já produzirá,
quem sabe, outro artigo.
4. CONCLUSÃO
As relações
entre professor de matemática, aluno e conteúdos
matemáticos são dinâmicas; por isso,
a atividade de ensino deve ser um processo coordenado
de ações docentes, em que o professor
deverá organizar, com o máximo de cuidado
possível, suas aulas, levando em conta sempre
as reais necessidades dos seus alunos nos diversos tipos
de ambientes onde estão inseridos.
Não
podemos nos esquecer que o ensino de matemática
tem caráter bilateral, pois combina a atividade
do professor - ensinar - com a atividade do aluno -
aprender.
Assim
sendo, acredito que a matemática deveria ser
ensinada de modo a ser um estímulo à capacidade
de investigação lógica do educando,
fazendo-o raciocinar. Neste contexto, a tarefa básica
do professor seria o desenvolvimento da criatividade,
apoiada não só na reflexão sobre
os conhecimentos acumulados pela ciência em questão,
mas também sobre suas aplicações
às demais ciências, à tecnologia
e ao progresso social. Quanto à escola, ela deve
oferecer recursos materiais para tornar possível
o trabalho docente.
Finalmente,
o ensino da matemática deveria estar apoiado
em experiências agradáveis, capazes de
favorecer o desenvolvimento de atitudes positivas, que,
por sua vez, conduzirão a uma melhor aprendizagem
e ao gosto pela matemática.
Não
se pretende, com este artigo, oferecer modelos inalterados
de procedimento que os professores devam utilizar em
suas salas de aula. O que se deseja é transmitir
a confiança em tentar de novo, em arriscar, e,
quem sabe, alterar esta realidade tão negativa
em que a educação matemática se
encontra.
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