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"O
que queremos é a formação de um
novo modelo de gestão dos clubes e um modelo
eleitoral, que oxigene os quadros dirigentes, renovando-os.
Por isso, é preciso uma legislação
mais respeitável", senador Álvaro
Dias (PSDB-PR).
A CPI do Futebol, do Senado, pode não terminar
em pizza. Pelo menos se levarmos em consideração
as afirmações do presidente da comissão,
o paranaense, ameaçado de expulsão do
PSDB, Alvaro Dias. Também está em pauta,
sugestões para a nova legislação
que a comissão encabeçada pelo senador,
vai propôr ao final da CPI, em novembro. A Comissão
já ouviu, entre outros, os ex-jogadores Sócrates
e Wladimir, o jornalista Juca Kfouri e o ex-dirigente
Carlos Miguel Aidar.
Boa parte das propostas incluem uma mudança estatutária
nas entidades desportivas, como clubes e federações.
É o caso da proposição da responsabilização
de dirigentes para atos praticados em seus clubes e
federações. O novo modelo de gestão
em clubes e entidades também encerraria um problema
que a CPI detectou: a perenização de dirigentes
na administração das entidades, um modelo
classificado como feudal pelos senadores.
"A CPI do Futebol por si só já conquistou
vitórias importantes. A segunda representação
contra o deputado Eurico Miranda e acatada pela Justiça
é mais uma prova de que esta CPI não terminará
de maneira frustrante.''
O senador paranaense não esconde a satisfação
com a decisão do Ministério Público,
que solicitou ao Superior Tribunal Federal (STF) a abertura
de processo contra o cartola vascaíno Eurico
Miranda sobre os indícios de apropriação
indébita, crimes contra a ordem tributária
e eleitoral. ''Além do deputado, alguns clubes
como Grêmio e Internacional também deverão
ter seus pedidos de processo encaminhados nos próximos
dias. E também pelo indício de crime contra
a ordem tributária'', garantiu Alvaro Dias, lembrando
que o técnico Wanderley Luxemburgo ainda voltará
à CPI para explicações.
Os Tribunais
de Justiça Desportiva adotariam, por sua vez,
uma composição mais democrática,
com escolha popular, ou ficariam vinculados à
Justiça Comum. Seria criado um código
de conduta para seus integrantes. O Superior Tribunal
de Justiça Desportiva (STJD) teria sua sede transferida
para Brasília.
Segundo a CPI, a quebra dos sigilos bancário
e fiscal da Vasco da Gama Licenciamentos, formada pelo
Vasco e o Bank of America, mostrou que houve vários
repasses efetuados ao exterior e a terceiros que não
estavam previstos no contrato entre as partes.
Aremithas José de Lima, funcionário do
clube carioca, teria sido usado como "laranja",
já que, apesar de não externar sinais
aparentes de riqueza, mais de R$ 13 milhões passaram
por cinco contas correntes e cinco de poupança
mantidas por ele.
Da principal conta analisada -a de número 70022-90,
agência 1509 do HSBC-, teriam saído recursos,
entre outros fins, para financiamento da campanha do
dirigente vascaíno para a eleição
na Câmara, em 1998. O inquérito irá
esclarecer, portanto, se o dirigente gastou na campanha
mais que os R$ 124 mil declarados. Outro objetivo da
apuração é a suposta transferência
de dinheiro dessas contas para parentes do presidente
do Vasco.
De acordo com o pedido da procuradoria, os autos devem
ser remetidos, num prazo máximo de 60 dias, à
Polícia Federal, a responsável pela investigação.
Eurico Miranda será convidado a depor. Aremithas,
intimado.
Como tem imunidade parlamentar, no momento em que for
feita a denúncia, a Câmara tem que dar
licença para que o deputado seja processado.
Há ainda outros inquéritos contra Eurico
no Supremo. Em dois deles, o procurador-geral já
ofereceu denúncia e o STF aguarda que a Câmara
aprecie pedido de licença para decidir se abre
ação penal. Um deles apura omissão
na queda do alambrado durante a final da Copa JH. O
outro é sobre ofensa à honra do governador
do Rio, Anthony Garotinho.
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