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 No Senado, bola rima com pizza?
 Raul Prates

"O que queremos é a formação de um novo modelo de gestão dos clubes e um modelo eleitoral, que oxigene os quadros dirigentes, renovando-os. Por isso, é preciso uma legislação mais respeitável", senador Álvaro Dias (PSDB-PR).


A CPI do Futebol, do Senado, pode não terminar em pizza. Pelo menos se levarmos em consideração as afirmações do presidente da comissão, o paranaense, ameaçado de expulsão do PSDB, Alvaro Dias. Também está em pauta, sugestões para a nova legislação que a comissão encabeçada pelo senador, vai propôr ao final da CPI, em novembro. A Comissão já ouviu, entre outros, os ex-jogadores Sócrates e Wladimir, o jornalista Juca Kfouri e o ex-dirigente Carlos Miguel Aidar.
Boa parte das propostas incluem uma mudança estatutária nas entidades desportivas, como clubes e federações. É o caso da proposição da responsabilização de dirigentes para atos praticados em seus clubes e federações. O novo modelo de gestão em clubes e entidades também encerraria um problema que a CPI detectou: a perenização de dirigentes na administração das entidades, um modelo classificado como feudal pelos senadores.
"A CPI do Futebol por si só já conquistou vitórias importantes. A segunda representação contra o deputado Eurico Miranda e acatada pela Justiça é mais uma prova de que esta CPI não terminará de maneira frustrante.''
O senador paranaense não esconde a satisfação com a decisão do Ministério Público, que solicitou ao Superior Tribunal Federal (STF) a abertura de processo contra o cartola vascaíno Eurico Miranda sobre os indícios de apropriação indébita, crimes contra a ordem tributária e eleitoral. ''Além do deputado, alguns clubes como Grêmio e Internacional também deverão ter seus pedidos de processo encaminhados nos próximos dias. E também pelo indício de crime contra a ordem tributária'', garantiu Alvaro Dias, lembrando que o técnico Wanderley Luxemburgo ainda voltará à CPI para explicações.

Os Tribunais de Justiça Desportiva adotariam, por sua vez, uma composição mais democrática, com escolha popular, ou ficariam vinculados à Justiça Comum. Seria criado um código de conduta para seus integrantes. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) teria sua sede transferida para Brasília.
Segundo a CPI, a quebra dos sigilos bancário e fiscal da Vasco da Gama Licenciamentos, formada pelo Vasco e o Bank of America, mostrou que houve vários repasses efetuados ao exterior e a terceiros que não estavam previstos no contrato entre as partes.
Aremithas José de Lima, funcionário do clube carioca, teria sido usado como "laranja", já que, apesar de não externar sinais aparentes de riqueza, mais de R$ 13 milhões passaram por cinco contas correntes e cinco de poupança mantidas por ele.
Da principal conta analisada -a de número 70022-90, agência 1509 do HSBC-, teriam saído recursos, entre outros fins, para financiamento da campanha do dirigente vascaíno para a eleição na Câmara, em 1998. O inquérito irá esclarecer, portanto, se o dirigente gastou na campanha mais que os R$ 124 mil declarados. Outro objetivo da apuração é a suposta transferência de dinheiro dessas contas para parentes do presidente do Vasco.
De acordo com o pedido da procuradoria, os autos devem ser remetidos, num prazo máximo de 60 dias, à Polícia Federal, a responsável pela investigação.
Eurico Miranda será convidado a depor. Aremithas, intimado.
Como tem imunidade parlamentar, no momento em que for feita a denúncia, a Câmara tem que dar licença para que o deputado seja processado.
Há ainda outros inquéritos contra Eurico no Supremo. Em dois deles, o procurador-geral já ofereceu denúncia e o STF aguarda que a Câmara aprecie pedido de licença para decidir se abre ação penal. Um deles apura omissão na queda do alambrado durante a final da Copa JH. O outro é sobre ofensa à honra do governador do Rio, Anthony Garotinho.



Raul Prates é poeta e torcedor do Botafogo (RJ)



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