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Era
uma vez uma folha perdida e cheirosa
que alguém encontrara
no batente do laboratório.
De que é, de que será
esta folha perdida e cheirosa?
Em que pese a rima
não era de rosa.
Ninguém sabia
nem a recepcionista
de pernas longas
nem a moça do kardex
que usava tranças
naturais.
Ninguém sabia.
Colocaram a folha
e seu perfume e seu anonimato
e seu verde e sua forma
e sua condição e jeito de perdida
no computador.
Resposta (em base dois):
_Rosmarinus officinalis..........(em itálico)
(É assim que os computadores
chamam as flores)
_Não é um nome perfeito
para uma flor_,
disse o programador.
Será amor-perfeito?
Será camélia?
Não.
É Rosmarinus officinalis........(idem)
Mas o analista
de frios sistemas
lembrou-se de seu tempo
e do tempo do seu jardim
e que a espécie da folha
que tanta espécie causava
era alecrim.
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