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Humanização da Cadeia Produtiva
Fernando Marrey

O poder da crítica, das mazelas políticas e sociais direcionadas aos governantes investidos de cargo é legítimo. O ataque pelo ataque também, pois quando chega-se ao poder recebendo a discricionaridade para atuar,
muitas vezes perde-se o contato com a realidade social do país, do estado, do município. A oposição tem o dever de criticar, a mídia de respaldar a crítica fundamentada, é uma forma de limitar o poder instituído, de
redirecioná-lo quando caminha em sentido errado. É uma forma de se mostrar o outro lado, de demonstrar e convencer, é a argumentação como forma de aperfeiçoar a democracia.

Reinventar a esquerda é um trabalho intelectual de grande necessidade social. O modelo neoliberal globalizador é fascista, pois exclui socialmente, deixa o povo sem alternativa e perspectiva, o muro que segrega,
que divide os inseridos dos renegados torna-se cada vez mais alto. Como minimizar a tendência mundial segregacionista (ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobre?

Os ricos devem ter consciência de que concentrar riqueza traz comodidade por um lado, mas agrava a pobreza com conseqüências diretas na vida dos próprios abastados. Violência por exemplo. O que adianta ter muitas
posses e viver cercado por muralhas? Não seria melhor ter menos posses e menos muralhas? As patentes internacionais monopolizam o conhecimento e a produção. As cadeias produtivas das multinacionais estão casa vez mais enxutas de mão-de-obra, pagam salários cada vez mais baixos, pelo excesso de desemprego mundial. É o empobrecimento da cadeia produtiva que reflete diretamente no poder de compra afetando macroeconomicamente a própria empresa. Temos que utilizar tecnologia que agregue o trabalhador, que
aumente a base empregada, mesmo que esta vantagem comparativa fique mais onerosa, inclusão social é um imperativo. Investir em tecnologia que barateie o processo produtivo material, diminuição da carga tributária pode
compensar a onerosidade trabalhista. O ganho sistêmico é grande pois o poder aquisitivo da população reverte-se em benefício da própria empresa, com ganhos em escala. A arrecadação tributária cresce quando se diminui a cargade impostos, pelo aumento da atividade econômica. O comércio justo não olha só para a qualidade do produto, mas para qualidade do processo, como foi produzido. Boaventura de Sousa Santos em entrevista na Folha de S. Paulo 21-05-01.

Salário justo, condições ecológicas equilibradas, participação sindical, sem trabalho escravo e infantil. Utopia possível! Um governo não atolado em denúncias de corrupção, poderia convocar os empresários para o planejamento administrativo, em parceria com os trabalhadores. O primeiro a ceder deve ser o governo, elaborar a reforma tributária para propiciar a humanização da cadeia produtiva é o passo inicial. Empresário não pode ser só financiador de campanha eleitoral, trabalhador não pode ser só engambelado para votar devem participar. A democracia participativa minimiza o fascismo social, e, mantém a própria democracia.

Fernando Marrey é advogado do povo, especializando-se em Jornalismo Internacional na PUC-SP. E-mail fmarrey@uol.com.br