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O poder da crítica, das mazelas políticas e
sociais direcionadas aos governantes investidos de cargo
é legítimo. O ataque pelo ataque também, pois quando
chega-se ao poder recebendo a discricionaridade para
atuar, muitas vezes perde-se o contato com a
realidade social do país, do estado, do município. A
oposição tem o dever de criticar, a mídia de respaldar a
crítica fundamentada, é uma forma de limitar o poder
instituído, de redirecioná-lo quando caminha em
sentido errado. É uma forma de se mostrar o outro lado,
de demonstrar e convencer, é a argumentação como forma
de aperfeiçoar a democracia.
Reinventar a
esquerda é um trabalho intelectual de grande necessidade
social. O modelo neoliberal globalizador é fascista,
pois exclui socialmente, deixa o povo sem alternativa e
perspectiva, o muro que segrega, que divide os
inseridos dos renegados torna-se cada vez mais alto.
Como minimizar a tendência mundial segregacionista
(ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobre?
Os ricos devem ter consciência de que concentrar
riqueza traz comodidade por um lado, mas agrava a
pobreza com conseqüências diretas na vida dos próprios
abastados. Violência por exemplo. O que adianta ter
muitas posses e viver cercado por muralhas? Não seria
melhor ter menos posses e menos muralhas? As patentes
internacionais monopolizam o conhecimento e a produção.
As cadeias produtivas das multinacionais estão casa vez
mais enxutas de mão-de-obra, pagam salários cada vez
mais baixos, pelo excesso de desemprego mundial. É o
empobrecimento da cadeia produtiva que reflete
diretamente no poder de compra afetando
macroeconomicamente a própria empresa. Temos que
utilizar tecnologia que agregue o trabalhador,
que aumente a base empregada, mesmo que esta vantagem
comparativa fique mais onerosa, inclusão social é um
imperativo. Investir em tecnologia que barateie o
processo produtivo material, diminuição da carga
tributária pode compensar a onerosidade trabalhista.
O ganho sistêmico é grande pois o poder aquisitivo da
população reverte-se em benefício da própria empresa,
com ganhos em escala. A arrecadação tributária cresce
quando se diminui a cargade impostos, pelo aumento da
atividade econômica. O comércio justo não olha só para a
qualidade do produto, mas para qualidade do processo,
como foi produzido. Boaventura de Sousa Santos em
entrevista na Folha de S. Paulo 21-05-01.
Salário justo, condições ecológicas
equilibradas, participação sindical, sem trabalho
escravo e infantil. Utopia possível! Um governo não
atolado em denúncias de corrupção, poderia convocar os
empresários para o planejamento administrativo, em
parceria com os trabalhadores. O primeiro a ceder deve
ser o governo, elaborar a reforma tributária para
propiciar a humanização da cadeia produtiva é o passo
inicial. Empresário não pode ser só financiador de
campanha eleitoral, trabalhador não pode ser só
engambelado para votar devem participar. A democracia
participativa minimiza o fascismo social, e, mantém a
própria democracia.
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