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Um quadro nada perfeito É crescente o
interesse do governo federal na privatização do
saneamento no Brasil. Os acordos com o FMI deixam claro
que para "sanear" as finanças é preciso privatizar todos
os serviços públicos. Todos. Dos 5.559 municípios, cerca
de 3.700 são atendidos por empresas estaduais e os
demais recebem serviços através de departamentos, os
conhecidos DAE (departamento de água e esgoto), ou por
companhias municipais ou por autarquias.
Ritmo
da privatização Aos trancos e barrancos já foram
privatizados 40 serviços nos Brasil, fora algumas
terceirizações. O governo federal quer, através da
aprovação do PL 4147/2001 estabelecer um novo conceito
econômico para a água, caracterizando-a como uma
mercadoria. Portanto, sujeito às leis do mercado. FHC já
havia vetado o PLC 1999 (Projeto de Lei Complementar),
fruto da discussão das entidades e dos setores da
sociedade e partidos que apontavam o caminho da
universalização e do caráter social e público do
saneamento e da importância de seu papel estratégico
para o desenvolvimento social e
econômico.
Interesses poderosos A água,
a partir da década de 90 passou a ser um objeto de
disputa econômica global. Está inserida no processo da
globalização. Já que é uma mercadoria estratégica, as
grandes empresas e grupos transnacionais precisam ter
seu controle. Já observastes os rótulos das garrafas de
água que bebes? As grandes corporações,
estrategicamente, compraram inúmeros terrenos em áreas
de mananciais, com grandes reservas de água. Bobo sou
eu...
Um precioso mercado É um imenso
mercado em jogo. No Brasil os negócios com água e esgoto
representam cerca de 15 bilhões de dólares. O Brasil
detém de 12% a 15% das reservas de água doce no mundo e
67% dos mananciais dos países do Mercosul. Parece muito,
mas não é bem assim. Se não houver preservação ambiental
e uso racional poderemos ficar sem ela.
O
Canadá Para exemplificar a importância do
assunto, sirvamo-nos do caso canadense. O Canadá tenta
impedir que a Nafta (o acordo de livro comércio da
América do Norte) faculte aos EUA, onde os sistemas de
abastecimentos são públicos (nada bobos eles....) drenar
a água do Canadá. O fato é que nos lugares onde ocorreu
a privatização do sistema de saneamento as dificuldades
são inúmeras: aumento de preços, corrupção, deterioração
da qualidade do serviço, falta de atendimento,
demissões, privilégios nos contratos públicos, etc. Tudo
aquilo que condenamos nos sistemas
públicos.
Luta nacional A Frente
Nacional pelo Saneamento, que congrega várias entidades
do setor, inclusive o Sintaema (sindicato paulista)
estiveram em Brasília em agosto para protestar contra o
PL 4147/2001. Uma luta dura e difícil. Pelo
visto estamos longe de uma Política Nacional de
saneamento compatível com nossa pobre realidade e muito
longe da universalização do acesso aos
serviços.
Universidade da água E
terminando -por hora - sobre o assunto, A Organização
Não Governamental - Universidade da Água tem realizado
vários projetos buscando despertar na sociedade a
preocupação com áreas de mananciais que abastecem São
Paulo. O site da ONG é
www.uniagua.org.br |