Velhice e
Cidadania
Fátima Teixeira
“Os
anos
de
vida
que
tem,
que
resta
para
aquela
pessoa,
a
pessoa
tem
que
aproveitar,
cada
minuto,
como
se
aquele
fosse o
último
da
vida”...(Antonia,
integrante
de
Grupo
de
Terceira
Idade)
De uma
maneira
geral,
quando
um
determinado
grupo
social
quer
se
fazer
ouvir
é
necessário
criar
um
fato,
um
evento
ou
uma
situação
para
que
a
sociedade
volte
sua
atenção
àquela
realidade
e busque
novas
alternativas
ou
soluções
para
a
problemática
apresentada.
Essa
estratégia
funciona, ao
menos
por
um
determinado
período,
para
o
tema
que
se
deseja
abordar
ganhe
espaço
de
discussão
nos
diversos
setores
da
sociedade.
Com
relação
ao
idoso
foi instituído o
mês
de
setembro
para
se
homenagear
essa
parcela
da
população.
Normalmente,
são
realizados
eventos,
festas,
bailes
e outras
atividades
como
forma
de
ressaltar
a
questão
do envelhecimento e
dar
visibilidade
ao
segmento
idoso,
que
vem
crescendo
rapidamente
em
nosso
país
e necessita da efetivação de
políticas
sociais
de
proteção
à
pessoa
idosa
que
lhe
garantam uma velhice
com
melhor
qualidade.
A
Política
Nacional
do
Idoso,
criada
pela
Lei
no 8842, de 04/01/94 e regulamentada
pelo
decreto
no 1948, de 03/07/96, está voltada
para
assegurar
os
direitos
sociais
do
idoso
e as
condições
para
a
promoção
de
sua
autonomia,
integração
e participação na
sociedade.
Esta
lei
coloca
entre
suas
diretrizes
a
criação
de
conselhos
nos
âmbitos
nacional,
estaduais e municipais, considerando-os
órgãos
permanentes
de
representação.
Muito
antes
da
lei
que
o legitimou, a
cidade
de
São
Paulo criou o
Conselho
Municipal da
Condição
do
Idoso,
reconhecido
pelo
poder
público
como
categoria
social.
Em
1989, foi
criado
o
Grande
Conselho
Municipal do
Idoso,
dando continuidade ao
processo
de participação e
lutas
do
segmento,
que
o inseriu
como
cidadão
merecedor
dos
direitos
básico,
estabelecidos na
Constituição
Federal,
na
Constituição
Estadual e na
Lei
Orgânica
do
Município
de
São
Paulo.
No
entanto,
os
direitos
conquistados
em
lei
pela
população
idosa
não
saíram do
papel
para
que
se implementassem
políticas
e
ações
que
respondam às
reais
necessidades
de
proteção
social.
A
aposentadoria,
principal
benefício
previdenciário
e relacionado
diretamente
à velhice, representa a
retirada
da
vida
produtiva
e a redução de
rendimentos.
Todavia,
em
muitos
casos
se constitui na
única
fonte
de
renda,
passando a
ser
utilizada
integralmente
para
o
sustento
da
família.
Significa
quase
sempre,
o
início
de
um
processo
de
empobrecimento
e de redução de
satisfações
e
desejos
outros
que
não
aqueles
indispensáveis
para
a
sobrevivência.
Os
serviços
de
atenção
à
população
idosa
na
cidade
de
São
Paulo
ainda
são
insuficientes
frente
a
grande
demanda,
especialmente
para
os
mais
pobres
que
se utilizam e dependem
integralmente
dos
recursos
da
rede
pública.
O crescimento
do número de
velhos
trouxe uma maior
visibilidade
ao segmento, porém
a sociedade
precisa reformular
sua
concepção de velhice, para
ampliar
os recursos e oferecer
aos idosos
e idosas serviços
que
atendam as necessidades
específicas dessa faixa
etária.
A
idéia
que
ainda
persiste na
sociedade
sobre
essa
parcela
da
população,
de
que
ela
não
é
produtiva
e
portanto
não
merecedora de
preocupação
social,
deve
mudar
para
que
o
idoso
ocupe
um
espaço
e uma
posição
na
sociedade.
É
necessário
que
o
idoso
demonstre
sua
capacidade
de
contribuir
com
a
sociedade
transmitindo
seu
saber
e
experiência
às
novas
gerações.
A
Carta
do
Idoso
do
Município
de
São
Paulo – 2001, elaborada
pelo
Grande
Conselho
Municipal do
Idoso
e divulgada
em
comemoração ao
mês
do
idoso,
procurou
revisar
e
atualizar
a
Carta
de 1991, cujas reivindicações
já
haviam sido atendidas
ou
se mostravam inadequadas
frente
as mudanças
sociais.
Esta
carta
apresenta
diretrizes
setoriais
visando
subsidiar
a
elaboração
de
políticas
públicas dirigidas ao
segmento
idoso.
Estão colocadas
diretrizes
no
âmbito
da
previdência
social,
trabalho,
assistência
social,
saúde,
transporte
e
trânsito,
educação,
esporte
e
lazer,
cultura,
violência
e
segurança,
moradia,
meio
ambiente,
organização
e participação
social,
abrangendo
todos
os
setores
responsáveis
pela
garantia
dos
direitos
que
permitem a melhoria das
condições
de
vida.
As reivindicações contidas na
Carta
refletem o amadurecimento e a organização
do segmento, contemplando
situações que
favorecem não
apenas
o idoso mas
a população
em geral,
principalmente
no que se refere ao atendimento
de saúde,
transporte e trânsito,
esporte e lazer,
propiciando a inserção dos
direitos
básicos de cidadania
a toda a
população.
Para
que
essas reivindicações saiam do papel e sejam
efetivadas vai depender
do nível de organização
e de pressão
exercido não
apenas pelos
homens e mulheres
acima
de 60 anos, mas
por
todos nós,
que
desejamos viver com
dignidade
por muitos e
muitos
anos...