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Revista Partes - Ano II - janeiro de 2002 - nº 18

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 Por Fernando Marrey

Todos os seres humanos naturais nasceram com o fecundar do esperma no óvulo, desta fusão origina-se a vida. A moral do ser humano começa a ser traçada no útero da mãe, o comportamento e o estilo de vida materno durante a gravidez criam o contorno dos primeiros impulsos da moral, além de muitos outros. Quando o amor paterno pela barriga da mulher desenvolve-se naturalmente sem ciúmes, o filho começa a receber carinho paterno dentro da barriga da mãe. O sexo durante a gravidez faz muito bem à família natural. Esta soma unida proporciona um bom despertar da respiração, com a continuidade da vida desgarrado do útero. Todos somos iguais no momento da fecundidade, mas as primeiras diferenças começam a aparecer na gravidez. Todos, desde a concepção já temos traços diferentes.

Passamos de um estado natural (sono do bebe) para um estado social com o despertar para vida, a primeira respiração. Os país de início moldam o ser indefeso, e vai recebendo uma série de estímulos educativos e sensitivos redundando na constituição da sua moral individual, que é diferente da moral de todos os outros seres racionais. Os mais letrados podem redigir padrões sociais de moral, da soma das mais diversas moralidades surge um padrão para meditação, mas que não serve para nenhum de nós é apenas o modelo do escritor. Seria bom poder julgar a moral do opositor, como forma de superá-lo, mas julgar quem é poderoso e revestido de métodos que podem desagregar o indivíduo semelhante e sensível, um recuo como estratégia de conservação. Qual moral deve prevalecer, a padronizada pelo convívio social ou a individualizada de cada ser natural e único? A soma ou negação da moral individual com a social padrão, balizam o conceito que cada um deve ter da moral coletiva; partindo da sua, mas contrapondo-se e equiparando-se à coletiva. No entrelaçar amoroso, portanto no entrelaçar de duas morais diferentes regidas pela moral padrão, por convenção ou experimentação surge uma nova moral, a do casal. Passamos da esfera da individual para esfera da moral da vida a dois e todas submetidas (não necessariamente seguidas) à moral social.

A evolução moral até aproximar-se da ideal, que não é a padronizada, um caminho individual de aprendizado ao longo do percurso vivido. O lapidar moral caminha em sentido contrário ao estado social competitivo, desta forma a evolução moral é negativa. Da sua constituição inicial, o fecundar, até seu estado atual de vida, decresceu sua moral, quem têm mais moral uma criança ou um adulto? A criança está mais próxima do estado natural, lógico ter mais moral.  Redigir a moral ideal, uma forma de espelhar as morais individuais para um viés positivo, quando a ideal é positiva. Quando a moral coletiva de uma sociedade é regida por desagregados morais, a sociedade desorganiza-se por completo, surgindo um novo padrão moral a ser construído, somando toda a moral dos indivíduos relegados ao anarquismo social miserável, na busca de um novo padrão de moralidade, também imperfeito, mas como caminho de um novo ordenamento onde a justa moral seja a justiça social. 

Fernando Marrey Ferreira, filósofo e escritor. E-mail fmarrey@bol.com.br

Os relacionamentos afetivos muitas vezes chegam num limite de tolerância a separação pode ser inevitável. Uma vez efetivado o afastamento dos corpos e dos objetivos de vida a dois, quando o vaso quebra a tendência na maioria dos casos é um caminho sem volta. Colar os cacos sempre será um remendo do todo nunca chegará a perfeição como antigamente, o melhor que se têm a fazer é romper de forma definitiva mesmo quando se imagina a possibilidade de reconciliação. Claro que pode ocorrer em alguns casos e reverter aquele afastamento até melhorando o envolvimento, mas são exceções à regra.

Através da observação relato um caso de um casal que viveram juntos durante três anos, o amor chegou à plenitude, pareciam feitos um para o outro. Sexualmente a afinidade para ambos os lados foi o máximo de prazer que os dois sentiram durante suas existências. O diálogo intelectual afim possibilitava uma aproximação das mentes. Quando o corpo e a mente integram-se com sensação prazerosa o caminho à fusão da vida uma dádiva. Claro que são corpos e mentes diferentes, pois neste mundo ninguém é igual a ninguém, o nível de prazer corporal a ser atingido depende dos entrelaçar destes corpos e do despertar no outro(a) o êxtase.  A mente integrada propicia a continuação do prazer corporal, pode também propiciar o inicio deste prazer, o intelecto cultural do casal pode não ser o mesmo, cada um detém um tipo de experiência de vida e de acumulação de bagagem, o intercâmbio intelectual ocorre no desnivelamento e pode integrar-se muito bem. A compatibilidade amorosa é composta de múltiplos fatores que vão evoluindo de grau de importância no decorrer da união, esta alteração nestes fatores pode afetar o equilíbrio da estabilidade e muitas vezes deteriora a convívio saudável.   As crises profundas que podem passar a ocorrer de forma constante quebram o vaso de uma forma irreversível. Quando atinge-se um desagregar intolerável a separação é inevitável.

O casal imaginava que outros fatores poderiam manter o relacionamento intacto, ledo engano, dependendo do nível da desunião o caminho não permite volta. Mas mantiveram-se na tentativa de continuarem juntos na vida por mais seis meses, e, nunca conseguiram colar caco algum, apenas quebraram outros em pedaços menores dissolvendo a boa lembrança dos momentos de sabedoria amorosa, a integração contemplativa. Quanto toma-se consciência que o permanecer junto é impossível o melhor que se tem a fazer é virar a página, o mais rápido possível evitando descambar à mais desentendimentos desnecessários e liberando o outro(a) à novas perspectivas afetivas. Preserve o vaso íntegro, mas uma vez quebrado a solução é buscar um novo vaso sem rachaduras. 
E-mail fmarrey@uol.com.br



Fernando Marrey, advogado do povo, especializando-se em jornalismo Internacional pela PUC-SP. 



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