.

Revista Partes - Ano II - janeiro de 2002 - nº 18 

  Principal
 Agenda
 Comportamento
 Cotidiano
 Cultura
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Esportes
 Humor
 Links
 Nossa Língua
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Crônicas
 Reflexão
 Serviços
 Socio Ambiental
 Terceira Idade
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Fórum
 Fale Conosco
   Especiais
 Gilberto Freyre
 Eleições 2000
 Assédio Moral
 O Acordo de Alcântara e a Soberania Nacional
 Por Iara Bernardi
O acordo firmado entre o Brasil e os Estados Unidos em relação ao uso da base espacial de Alcântara, no do Maranhão, para o lançamento de foguetes norte-americanos, tem sido alvo de inúmeras críticas e ponderações. O acordo foi assinado pelo governo brasileiro em abril de 2000, sem submetê-lo ao crivo do Congresso Nacional. Só agora, devido a pressão dos deputados da Comissão de Relações Exteriores, o acordo foi exposto aos parlamentares durante uma Audiência Pública. Os ministros da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg e das Relações Exteriores, Celso Lafer, mesmo depois de cinco horas de explicações, não conseguiram convencer os parlamentares de que este acordo não fere a soberania nacional.

Este acordo é claramente lesivo aos interesses do Brasil. O relator, deputado Waldir Pires, do PT da Bahia, já anunciou que vai apresentar um parecer contrário à proposta. Entre as cláusulas mais graves do acordo, o deputado destaca que não há garantia de transferência de tecnologia, proibindo qualquer cooperação científica entre os dois países decorrentes do uso da base e que o acordo também interfere em nossa autonomia financeira, proibindo o Brasil de usar os recursos provenientes dos lançamentos para desenvolver o seu próprio veículo lançador de satélites. Também está prevista a obediência do Brasil em comercializar no setor espacial, apenas com países que os americanos permitirem. Há o impedimento da inspeção por parte de brasileiros dos equipamentos utilizados em lançamentos e a proibição de a alfândega brasileira revistar qualquer remessa de material norte-americano que ingresse no país.

Estas cláusulas são abusivas à nossa soberania. O Brasil precisa afirmar sua soberania diante dos EUA. Outro detalhe que está sendo avaliado pelos deputados - que também é visto como um motivo para inviabilizar o acordo, é o fato de existirem cláusulas sobre "'áreas restritas" que serão controladas pelo governo dos EUA. Isto mesmo! Pelo contrato, uma parte do nosso território estará sob total controle dos EUA, onde até mesmo as autoridades brasileiras, terão que pedir autorização (que pode ser aceita ou não) para ter acesso à esta área. A base vai se tornar uma área americana, dentro do território brasileiro.

Acredito que, por estas e por outras, este acordo deve ser rejeitado e um novo texto deve ser negociado. A nós, parlamentares, não resta outra alternativa, já que o Congresso, não tem a prerrogativa de vetar cláusulas mas apenas aprovar ou rejeitar, integralmente, o texto do acordo.

Os deputados que têm alertado para estas questões, para a quebra de nossa soberania, não são contra um acordo para a utilização da base de Alcântara. O leitor ou leitora, provavelmente será levado a crer que este é um problema menor. Estes "detalhes", não são insignificantes. Dizem respeito ao resgate da nossa auto-estima nacional. Do redescobrimento do valor e da soberania deste imenso país chamado Brasil.

É chegado o momento do nosso país não se submeter mais a este tipo de acordo, que só beneficiam aqueles que, há décadas, exploram os países de terceiro mundo, sem oferecer uma contrapartida adequada e justa. É preciso que exista uma contrapartida tecnico-científica. É justo que o nosso país possa se beneficiar dos avanços tecnológicos decorrentes da utilização de nossa base.



Iara Bernardi é deputada federal (PT/SP), Vice-líder do PT na Câmara dos Deputados e 2º Vice-presidente Nacional do PT.



© copyright revista partes 2000 - 2001