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Revista Partes - Ano II - janeiro de 2002 - nº 18

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CPI DA NIKE, dia 6 de 6 de 2001- transcrição de nota da reunião 

SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Srs. Deputados, senhores e senhoras, nós estamos aguardando a presença do Deputado Silvio Torres, nosso Relator, para iniciarmos o trabalho da sessão de leitura do relatório final da CPI que investiga o acordo celebrado entre a CBF e a Nike. Mas eu gostaria de, antes de iniciar a sessão, fazer uma saudação às professoras, aos alunos, às alunas, aos estudantes da Escola Comunitária de Campinas, que visitam o Congresso Nacional e nos dão a honra de comparecer ao plenário, onde se realiza a sessão da Comissão de investigação sobre o contrato da CBF com a Nike. E eu gostaria — o Deputado Eurico Miranda já promoveu a sua sessão de fotos com os estudantes (risos.) —; eu gostaria de rapidamente explicar aos nossos amigos, nossos companheiras, nossos companheiros estudantes, o trabalho da Comissão. Aqui nós já temos a presença da maioria dos Parlamentares integrantes da Comissão de investigação. Dizer que a presença de vocês para nós é uma grande alegria, uma grande satisfação. Agradecer à Prof. Ana Raquel e às demais professoras, que trouxeram os alunos até esta reunião. Esta Comissão foi instalada no dia 13 de outubro do ano passado. O objetivo inicial dela foi investigar o contrato celebrado entre a CBF e a Nike. E, a partir dessa investigação, ela estendeu as investigações sobre outras atividades ligadas ao futebol, como a estrutura e organização da própria Confederação Brasileira de Futebol. (O Sr. Presidente faz soar as campainhas.) Bem, sem querer exigir silêncio absoluto, a explicação precisa, pelo menos, de um pouquinho de silêncio. Mas vai ser muito sucinta, muito breve. Então, nós ampliamos a investigação para a questão dos passaportes falsos, usados por clubes europeus para se beneficiarem nos seus países e na Europa, concedendo esse tipo de documento a jogadores brasileiros, porque o futebol europeu tem uma quota para estrangeiros em cada clube. Só agora a Itália retirou essa quota. E esses jogadores, quando recebiam passaporte europeu, eles passavam a ficar fora dessa quota, que limitava o número de jogadores estrangeiros por clube e, além dos mais, os clubes europeus eram beneficiados por uma série de isenções tributárias e fiscais por terem um jogador comunitário e não estrangeiro. Nós investigamos também o tráfico de menores para a Europa. São garotos de 8, 9, 10, 11, 12, 14, 15 anos, que são levados do Brasil para clubes europeus. E, quando não dão certo nesses clubes, eles são abandonados. Sem atividade profissional e sem a família, eles passam por enormes dificuldades. Nós comprovamos a situação desses garotos, principalmente na Bélgica, na Holanda e em outros países. Investigamos como se dá a transferência desses jogadores para o futebol europeu e o futebol mundial. Nós também investigamos a situação das federações e da própria Confederação Brasileira de Futebol, a sua administração, a gestão dos recursos dessas entidades. Encontramos várias irregularidades que o relatório está apontando. Mas o fundamental para nós, na Comissão, minhas amigas e meus amigos, estudantes e professoras de Campinas, do 1º ano do 2º grau da Escola Comunitária de Campinas; o mais importante para nós foi afirmar princípios de valores. O primeiro, que o futebol é um assunto de interesse público. O futebol não pode ser visto apenas como um negócio, como um comércio, que faz fortunas do dia para a noite de empresários ou de intermediários. O futebol no Brasil cresceu pela dedicação e pela identificação com o povo, que criou clubes que qualquer brasileiro conhece, e que despertam a paixão futebolística em todo o território nacional: os grandes clubes de São Paulo, do Rio de Janeiro e dos demais Estados brasileiros. O futebol como elemento da nossa auto estima, da nossa identidade. Foi alguma coisa que o brasileiro conseguiu fazer com criatividade, com imaginação. Um esporte que não é originário do nosso País, foi trazido para aqui no fim do século passado. E nós conseguimos mostrar que o esporte não deve ser tratado apenas como um negócio nem como empresa; o esporte deve ser tratado como elemento do interesse público, como patrimônio cultural do nosso País e do nosso povo. Você viaja lá pelo interior mais distante da Amazônia, as crianças — como eu vi lá no interior da Amazônia, na fronteira do Brasil com o Peru —, elas podem até não saber o nome de uma cidade do Rio de Janeiro ou de São Paulo, mas todos conhecem o Vasco da Gama, o Palmeiras, o Corinthians, o Santos, o Flamengo e os grandes clubes do nosso País. A Seleção Brasileira também é uma espécie de identidade comum do nosso povo. E por essa razão é que o futebol deveria ser tratado com respeito e com interesse pelo Poder Público. E esse foi o trabalho que esta Comissão Parlamentar de Inquérito fez durante esse período de 13 de outubro do ano passado até agora. E o próprio interesse manifestado por vocês, estudantes de Campinas, em conhecer, pelo menos momentaneamente, o trabalho, o plenário da Comissão, aqui em Brasília, demonstra que nós tínhamos razão em tratar o futebol com esse conteúdo, como a coisa de interesse do povo, de interesse da juventude, de interesse do País e do interesse público, como está demonstrado. Eu agradeço em nome de todos os integrantes da Comissão a presença de vocês. E nos comprometemos, já que a visita aconteceu, em enviar uma cópia do relatório à Escola Comunitária de Campinas, para que a direção da escola possa por à disposição de vocês as conclusões desta Comissão. E, no mais, também, como sei que a escola fez um trabalho sobre a presença dos estrangeirismos na língua portuguesa, eu, como autor do projeto, quero agradecer. Sei que o projeto é muito polêmico, que agrada a uns, não agrada a outros, que é apoiado por uns, não é apoiado por outros, mas acho que debater o projeto já é a demonstração do espírito público dos estudantes em levar em conta a língua portuguesa, como patrimônio intransferível e inalienável do povo brasileiro; como elemento da nossa identidade comum, daquilo que nos unifica desde as barrancas do Rio Negro, lá na extrema Amazônia, até o extremo sul do País, lá na fronteira com o Uruguai. É esse idioma que, naturalmente, sob os cuidados de estudantes e de professores como os que estão aqui, só pode ser fortalecido, independentemente das opiniões e das idéias que façam sobre esse projeto. Então, mais uma vez, muito obrigado pela presença, e fiquem à vontade, aqui na nossa Comissão. Obrigado.


 [P1] Sessão:000536/01 Quarto:1 Taq.:Eva Rev.:



Aldo Rebelo é deputado federal pelo PCdoB/SP



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