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CPI
DA NIKE,
dia 6 de 6 de 2001-
transcrição de nota da reunião
SR. PRESIDENTE
(Deputado
Aldo Rebelo) – Srs. Deputados, senhores e senhoras, nós
estamos aguardando a presença do Deputado Silvio
Torres, nosso Relator, para iniciarmos o trabalho da
sessão de leitura do relatório final da CPI que
investiga o acordo celebrado entre a CBF e a Nike. Mas
eu gostaria de, antes de iniciar a sessão, fazer uma
saudação às professoras, aos alunos, às alunas, aos
estudantes da Escola Comunitária de Campinas, que
visitam o Congresso Nacional e nos dão a honra de
comparecer ao plenário, onde se realiza a sessão da
Comissão de investigação sobre o contrato da CBF com
a Nike. E eu gostaria — o Deputado Eurico Miranda já
promoveu a sua sessão de fotos com os estudantes (risos.) —; eu gostaria de rapidamente explicar aos nossos amigos,
nossos companheiras, nossos companheiros estudantes, o
trabalho da Comissão. Aqui nós já temos a presença
da maioria dos Parlamentares integrantes da Comissão de
investigação. Dizer que a presença de vocês para nós
é uma grande alegria, uma grande satisfação.
Agradecer à Prof. Ana Raquel e às demais professoras,
que trouxeram os alunos até esta reunião. Esta Comissão
foi instalada no dia 13 de outubro do ano passado. O
objetivo inicial dela foi investigar o contrato
celebrado entre a CBF e a Nike. E, a partir dessa
investigação, ela estendeu as investigações sobre
outras atividades ligadas ao futebol, como a estrutura e
organização da própria Confederação Brasileira de
Futebol. (O Sr.
Presidente faz soar as campainhas.) Bem, sem querer
exigir silêncio absoluto, a explicação precisa, pelo
menos, de um pouquinho de silêncio. Mas vai ser muito
sucinta, muito breve. Então, nós ampliamos a investigação
para a questão dos passaportes falsos, usados por
clubes europeus para se beneficiarem nos seus países e
na Europa, concedendo esse tipo de documento a jogadores
brasileiros, porque o futebol europeu tem uma quota para
estrangeiros em cada clube. Só agora a Itália retirou
essa quota. E esses jogadores, quando recebiam
passaporte europeu, eles passavam a ficar fora dessa
quota, que limitava o número de jogadores estrangeiros
por clube e, além dos mais, os clubes europeus eram
beneficiados por uma série de isenções tributárias e
fiscais por terem um jogador comunitário e não
estrangeiro. Nós investigamos também o tráfico de
menores para a Europa. São garotos de 8, 9, 10, 11, 12,
14, 15 anos, que são levados do Brasil para clubes
europeus. E, quando não dão certo nesses clubes, eles
são abandonados. Sem atividade profissional e sem a família,
eles passam por enormes dificuldades. Nós comprovamos a
situação desses garotos, principalmente na Bélgica,
na Holanda e em outros países. Investigamos como se dá
a transferência desses jogadores para o futebol europeu
e o futebol mundial. Nós também investigamos a situação
das federações e da própria Confederação Brasileira
de Futebol, a sua administração, a gestão dos
recursos dessas entidades. Encontramos várias
irregularidades que o relatório está apontando. Mas o
fundamental para nós, na Comissão, minhas amigas e
meus amigos, estudantes e professoras de Campinas, do 1º
ano do 2º grau da Escola Comunitária de Campinas; o
mais importante para nós foi afirmar princípios de
valores. O primeiro, que o futebol é um assunto de
interesse público. O futebol não pode ser visto apenas
como um negócio, como um comércio, que faz fortunas do
dia para a noite de empresários ou de intermediários.
O futebol no Brasil cresceu pela dedicação e pela
identificação com o povo, que criou clubes que
qualquer brasileiro conhece, e que despertam a paixão
futebolística em todo o território nacional: os
grandes clubes de São Paulo, do Rio de Janeiro e dos
demais Estados brasileiros. O futebol como elemento da
nossa auto estima, da nossa identidade. Foi alguma coisa
que o brasileiro conseguiu fazer com criatividade, com
imaginação. Um esporte que não é originário do
nosso País, foi trazido para aqui no fim do século
passado. E nós conseguimos mostrar que o esporte não
deve ser tratado apenas como um negócio nem como
empresa; o esporte deve ser tratado como elemento do
interesse público, como patrimônio cultural do nosso
País e do nosso povo. Você viaja lá pelo interior
mais distante da Amazônia, as crianças — como eu vi
lá no interior da Amazônia, na fronteira do Brasil com
o Peru —, elas podem até não saber o nome de uma
cidade do Rio de Janeiro ou de São Paulo, mas todos
conhecem o Vasco da Gama, o Palmeiras, o Corinthians, o
Santos, o Flamengo e os grandes clubes do nosso País. A
Seleção Brasileira também é uma espécie de
identidade comum do nosso povo. E por essa razão é que
o futebol deveria ser tratado com respeito e com
interesse pelo Poder Público. E esse foi o trabalho que
esta Comissão Parlamentar de Inquérito fez durante
esse período de 13 de outubro do ano passado até
agora. E o próprio interesse manifestado por vocês,
estudantes de Campinas, em conhecer, pelo menos
momentaneamente, o trabalho, o plenário da Comissão,
aqui em Brasília, demonstra que nós tínhamos razão
em tratar o futebol com esse conteúdo, como a coisa de
interesse do povo, de interesse da juventude, de
interesse do País e do interesse público, como está
demonstrado. Eu agradeço em nome de todos os
integrantes da Comissão a presença de vocês. E nos
comprometemos, já que a visita aconteceu, em enviar uma
cópia do relatório à Escola Comunitária de Campinas,
para que a direção da escola possa por à disposição
de vocês as conclusões desta Comissão. E, no mais,
também, como sei que a escola fez um trabalho sobre a
presença dos estrangeirismos na língua portuguesa, eu,
como autor do projeto, quero agradecer. Sei que o
projeto é muito polêmico, que agrada a uns, não
agrada a outros, que é apoiado por uns, não é apoiado
por outros, mas acho que debater o projeto já é a
demonstração do espírito público dos estudantes em
levar em conta a língua portuguesa, como patrimônio
intransferível e inalienável do povo brasileiro; como
elemento da nossa identidade comum, daquilo que nos
unifica desde as barrancas do Rio Negro, lá na extrema
Amazônia, até o extremo sul do País, lá na fronteira
com o Uruguai. É esse idioma que, naturalmente, sob os
cuidados de estudantes e de professores como os que estão
aqui, só pode ser fortalecido, independentemente das
opiniões e das idéias que façam sobre esse projeto.
Então, mais uma vez, muito obrigado pela presença, e
fiquem à vontade, aqui na nossa Comissão. Obrigado.
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