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Quanto
a onça sussurana urra, lá vem no meus
"apensamentos" a cantoria de Elomar, o violeiro de
"Na quadradas das águas perdidas". Lá por cuida de
seus bodes, quase não chega mais à cidade grande, que para
ele é uma lâmpada mariposa que queima as asas dos seus
amigos caatingueiros, para o grande cantador, a cidade grande
e seu progresso técnico é o grande mal da humanidade e sua
tecnologia nas mãos de homens maus, senhores da técnica.
Uma
vez visitando a São Paulo de concreto e ilusão, Elomar
descreveu a cidade assim: Andei naqueles subterrâneos,
gargantas e desfiladeiros de paredes verticais. Um mundo
perdido, carcomido por ventos maleitosos, mortíferas
fumaças, ´estôncios letais`, milhões de seres pálidos,
macróbios, uma guerra telúrica (...) Enquanto eu errava me
lembrando do Rei Davi, na imensidão daqueles vales, onde por
vezes eu vi passar de largo a sombra da morte."
Sempre
usa e usou sua canção para valorizar os fundamentos do seu
povo, do companheirismo, das lembranças, da louvação.
Assim,
com medo e temor dos "urbanóides", Elomar preferiu
seus bodes, suas cabras, a cantar a desagregação da vida. Em
1973, no LP "...Das barrancas do Rio Gavião" Elomar
assim começa: Vou cantar no cantori primero / as coisa lá da
minha mudernage / que me fizero errante violêro / eu falo sério
num é vadiage / e pra você que agora está mi ovino / juro
inté pelo Santo Minino / Vige Maria que ôvi o qui eu digo /
si fô mintira mi manda um castigo. / Apois, pro cantadô e
violêro / só hai treis coisa nesse mundo vão / amô, furria,
viola, nunca dinhêro / viola, furria, amor, dinhêro não." Elomar
vai misturando tudo num grande caldeirão cultural: "Ficô
dibaixo das roda do carro/ purriba dos escarro oiando prá
lua, ai saudade" - chula do terreiro. Em seu puro
linguajar da caatinga estão imersos reis, rainhas,
cavaleiros-vaqueiros, e donzelas medievais, tudo
maravilhosamente acompanhada por um som original de um violão
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