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TODA FRANCESA - Todo (o), toda (a) Por Maria Teresa Queiroz
Piacentini |
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Durante
a Copa do Mundo na França discutiu-se - além de
futebol, é claro - que "o torcedor brasileiro
imagina que toda francesa é sexy, liberada e
dadivosa". Se a opinião é desprezível, a gramática
não o é. Nesse contexto ‘toda a francesa’ é que
estaria errado, pois significaria ‘a mulher
inteira’, e os nossos amigos falavam de ‘todas as
francesas’. Veja você a diferença que um artigo faz!
É importante saber distinguir um caso de outro porque a
mesma frase ou frases semelhantes adquirem sentido
diferente apenas com a inserção do artigo definido:
- Revistavam todo homem que ali passasse. [=
todos os homens]
- Revistaram todo o homem. [= o homem por
inteiro, de cima abaixo]
Além do plural, todo/toda sem artigo pode ser traduzido
como ‘qualquer, cada’:
- Toda casa tem banheiro. Todo ser humano tem
alma.
- Toda escola paranaense receberá livros doados
pelo MEC.
Compare com:
- Toda a casa queimou. [a casa toda, inteira]
- Disse nosso diretor que toda a escola receberá
pintura nova e outras benfeitorias. [ a escola completa,
desde a cozinha às salas de aula]
Resumo / esquema:
. todo (sem artigo) = qualquer, cada. Implica totalidade.
Igual ao plural: todos os .
. todo o = inteiro. Implica inteireza ou plenitude.
Nestes casos é muito comum a posição inversa: o ano
todo ( = todo o ano), a casa toda ( = toda a casa), o
dia todo etc.
COM TODO O AMOR
Quero enfatizar esse ponto da plenitude. Quando você
usar um substantivo abstrato como afeição, carinho,
apreço, capricho, humildade, força etc., coloque o
artigo para demonstrar como é pleno, completo, esse
sentimento ou qualidade. Exemplos:
- Com todo o amor, despeço-me...
- Li sua carta com toda a atenção e devo
dizer...
- Você tem todo o direito de não acreditar
nessa afirmação.
- Mostra em seu ateliê todo o vigor da sua arte.
- Manuseia os utensílios com todo o zelo, como
se fossem de cristal.
ARTIGO FACULTATIVO: todo (o) tempo
É facultativo o uso do artigo nas seguintes expressões,
pelo fato de ensejarem dupla interpretação (não há
rigorosa distinção, por exemplo, entre ‘a qualquer
tempo’ ou ‘o tempo inteiro’):
- Encontramos lixo em toda (a) parte / a toda (a)
hora / todo (o) tempo.
- Estaremos lá a todo (o) custo / preço / risco.
- Em todo (o) caso, me submeterei ao teste.
TODO MUNDO
. Sem o artigo, é expressão de uso coloquial,
significando ‘a gente, todos nós, as pessoas em
geral’:
- Todo mundo ficou perplexo com a bomba no
Senado.
- Quase todo mundo perde com a inflação.
- Nem todo mundo aplaudiu o esquema de Wanderley
Luxemburgo.
. Com o artigo, quer dizer ‘o mundo inteiro, uma parte
do globo terrestre ou a população mundial’:
- Todo o mundo ocidental conhece as histórias
dos irmãos Grimm.
- Esperamos que todo o mundo se una pela paz. [=
o mundo todo]
Todo o Brasil, toda Santa Catarina
Diante de nomes de cidades, estados e países, o artigo
é usado somente quando admissível (São Paulo, Niterói
e João Pessoa, por exemplo, não levam artigo, ao contrário
de o Paraná e a Espanha). Assim, temos:
- Percorreu toda a Bahia a pé.
- A exoneração do ministro deixou todo o Brasil
em suspense.
- Achamos todo Portugal uma fábula.
- O viajante encontra um relevo acidentado em toda
Santa Catarina.
*Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos
livros "Só Vírgula" e "Só Palavras
Compostas", é diretora do Instituto Euclides da
Cunha, www.linguabrasil.com.br ; | | |
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