.

Revista Partes - Ano II - janeiro de 2002 - nº 18

  Principal
 Agenda
 Comportamento
 Cotidiano
 Cultura
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Esportes
 Humor
 Links
 Nossa Língua
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Crônicas
 Reflexão
 Serviços
 Socio Ambiental
 Terceira Idade
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Fórum
 Fale Conosco
   Especiais
 Gilberto Freyre
 Eleições 2000
 Assédio Moral
 As máximas de quem não é marquês
Ascendino Leite

O sonho  é o remate de uma idéia em desenvolvimento.

Os indigentes não poderiam conceber melhor riqueza.

O Sonho é o anti-qualquer coisa em que me sento.

Uma cadeira, um branco. O emprego que me amarra.

O que ameaça o sonho é a realidade. Que deixa de ser o aceitável e não tem graça. Às vezes, e não poucas, amedronta.

Nada como as coisas que esperam, encravadas em seus lugares, como símbolos da realidade irremovível. Pelo menos não são ambíguas.

São simplesmente o que são, como os mortos no seus sono perene à espera da vida eterna .

Ah, a insipidez das coisas relembradas por imposição de cultos!  O mundo dos mitos está acima das crenças estabelecidas e dos seus respectivos códigos litúrgicos.

A  moralidade da lenda reside na sua espontaneidade. É como a música e a poesia, elevação do mundo, comunhão das criaturas, transfiguração de almas.

Ouvir é  virtualmente um predicado da inteligência.

Ver uma virtude do instinto: a terra onde se está vivo, por exemplo .

A verdade é a soma de todos os pressupostos imolados.

Vencer as dificuldades; superar as condições do sofrimentos; resistir às servidões; desprezar o temor ou o medo: eis o que significa viver.

A ilusão  é um estado poético. É mais que  uma simples metáfora.

A ilusão  parte do que está próximo e se cristaliza numa espécie de horizonte metafísico.

A ilusão é o sonho. E o seu inimigo, a  realidade.

Em arte, até o grotesco pode levar ao sublime.

Sentimento. Verso. Memória. Depois .... estilo.

Três situações semelhantes e um só resultado verdadeiro: a arte literária.

O alvo e o fundo de todo  contentamento é a confiança.

De profeta a humorista a distância é o que conta.

O humorista joga no imediato. O profeta no futuro.

Mas, na essência, cumprem um papel idêntico que é o de servirem à moralidade dos séculos.

As melhores coisas da vida são aquelas que fazemos por amizade.

Amar o que se faz por obrigação é, em certos casos, o mais penoso dos jugos.

Uma vocação não se escolhe. É ela que se aproxima de nós como o sofrimento E como o sofrimento, .nos agarra e nos domina até o fim nossos dias.

   

Tudo o que é exceção é sempre triste.

Não  viver de resíduos nem de simples zelos. Não ceder às aparências mas não fugir às simpatias.

Dispor do sentimento, não para afetá-lo mas para cultivá-lo.

Nada se criará sem obediência a essas singelas normas de ação.

O amor próprio deve ser furtivo, sutil, intuitivo. Do contrário, não passará de uma das muitas formas intoleráveis do personalismo.

O solo moral da morte será sempre a eternidade.

Outorgada por Deus, a morte é a nobreza da vida. Seu máximo louvor e sua justificação.

Não fora antes a porta aberta pela qual se visualiza a Eternidade.

O desespero é o lucro do diabo.

A alternativa habitual de quem se descreve: nada dizer ou dizer tudo.

Aliar na obra literária a consciência e o prazer: não sei de melhor proposição para se construir um estilo.

É o sentimento que nos compensa dos prejuízos da ignorância. Saber e não sentir é o mesmo que ignorar.

Sentir, pode-se; e até mesmo sem preparação.

Nunca procurar nas nuvens o que já  está no espírito: com teu trabalho e teu fervor  íntimo tu imitarás as nuvens e em pouco te acharás dentro delas.

Antes de dormir, pensar nos arquipélagos da alma.

Estão eles cercados pela maré dos sentimentos; mas não lhes falta, por vezes , a ameaça da tormenta.

Nesta, quem comanda e ordena os movimentos é a paixão. Contém, portanto, os impulsos do  teu cração.

Não se queixe o homem de nunca  poder ver Deus em pessoa. Eu O vejo todos os dias na sua mais sublimada semelhança: nas crianças resistentes ao genocídio infantil nas mais diversas ruas   da cidade.

 Escrever: fruto de uma certa maldição interior que vai além da sua limitação;a procura de sinais fixos, depois que se partiu para a aventura.

Quem não escreve está meio morto.

Ò, Senhor! Bem sei que ninguém vive sem servidão.

Mas quanto a mim, rogo: sustentai-me  no meu ofício, na minha profissão

Daí- me paciência para suportar  o primeiro. Daí- me vigor para  realizar a segunda. E assim, posto em relação com ambos, armai-me de suficiente modéstia para não querer ser maior que Vossa longanimidade.

O crime  é não ser pobre.

Se os ricos soubessem disso veriam que é uma verdade tão dolorosa quanto a tristeza de não ser santo.

 Uma  constatação ao cabo de mil confrontos: não  raro se  verifica uma singular abundância de méritos na criatura menos vivida.

 O ignorante mesmo é o que vive fora de sua época. É o que sai à rua  com os fatos rotos do passado.

 O consolo de quem não tem memória é que tudo lhe parece novo, inédito, nunca  visto. Nunca ouvido, nunca lido.

Acaba- se fora do mérito, da referência, da consideração, no degredo.



Ascendino Leite, jornalista e paraibano



© copyright revista partes 2000 - 2001