| A escalada da
violência contra os políticos do Partido dos Trabalhadores mas, não tão
somente, com um acelerado aumento após 1997, vem demonstrar o grau que a insegurança
pública atingiu: um patamar insuportável. Para exemplificar mostraremos alguns
episódios ocorridos com integrantes deste partido político. Em outubro de 2001, o
coordenador da campanha eleitoral do PT de Suzano em 2000, Manoel Souza Neto, o Netinho,
43 anos, é assassinado a tiros e degolado. Em setembro de 2001, o prefeito de Campinas,
Antonio Costa Santos, o Toninho do PT, é morto com quatro tiros ao sair de um shopping
center na cidade.
Em Ribeirão Corrente, em novembro de 2001, a fazenda do prefeito Airton Luiz Montanher,
é invadida por três homens armados e encapuzados, que queriam a cabeça do prefeito. No
mesmo mês de novembro, em Embu, as residências do prefeito, Geraldo Cruz e do
secretário municipal de governo, Paulo Giannini, são atingidas por bombas de
fabricação caseira. Em Santos no mês de novembro o carro do vereador Fausto Figueira é
atingido por quatro tiros no estacionamento da Câmara Municipal de Santos. Em Jandira, a
secretária do prefeito Paulo Henrique Barjud (o Paulinho Bururu) é alvo de ataque de
motoqueiros, que acertam 4 tiros em seu Tempra. E, agora, o prefeito de Santo André, é
seqüestrado e morto a tiros.
Um clima de consternação e revolta toma conta das pessoas. O que se ouve pelas ruas é o
famoso: tá tudo dominado. A sociedade vai dando seu grito
de insuportabilidade. Também pudera, dos 22 milhões de brasileiros vivem na extrema
pobreza, destes, 70% são negros. Estes dados são comprovados através de um estudo feito
pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea),entregue no fim de janeiro para o Conselho de
Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministério da Justiça. Esta
mesma pesquisa mostra que a pobreza atinge 51% de todas as crinaças brasileiras, até
seis anos, mas o ínidice é menor entre as brancas (38%) e maior entre as negras (65%).
Vale dar uma parada e ler o poema abaixo.
Questão de pontuação
Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);
viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política)
o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.
João Cabral de Mello Neto, in "A Indesejada das Gentes" |