logo especial ambiente.jpg (15995 bytes)

.

Revista Partes ano II março de 2002 n.20

  Principal
 Agenda
 Comportamento
 Cotidiano
 Cultura
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Esportes
 Humor
 Links
 Nossa Língua
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Crônicas
 Reflexão
 Serviços
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Fórum
 Fale Conosco
   Especiais
 Gilberto Freyre
 Eleições 2000
Meio Ambiente
 Assédio Moral
 Jornalistas 
 por Gilberto da Silva

Abro espaço neste editorial para publicar o editorial do sindicato dos jornalistas do Estado de São Paulo e nota da Federação Nacional dos Jornalistas sobre a polêmica do fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista.

O DIREITO À INFORMAÇÃO DE QUALIDADE

Encerrado no dia 5 de fevereiro, em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial discutiu em seus seis dias de atividades diversas questões relacionadas aos destinos da humanidade. Não menos relevante, porque insere-se na questão do direito dos Povos ao acesso à informação de qualidade, no Brasil corre-se o risco de perder-se essa prerrogativa que, embora seja fundamental, para alguns é tão insignificante que dispensa conhecimento, formação e ética do profissional responsável por prestar esse serviço à população. 

Infelizmente, pela pouca experiência - talvez nenhuma - de uma juíza e um promotor, e alguma dose de arrogância, afinal são seres humanos, sua ações, mesmo que provisórias, têm possibilitado uma volta ao passado. Período que eles desconhecem e que seguramente não fazem questão de conhecer. Tempo em que, se o cachorro não era amarrado com lingüiça, certamente a falta de regulamentação para a formação do jornalista, impunha ao ‘profissional’ situações de promiscuidade na sua relação com os veículos jornalísticos e vice-versa, com danos irreparáveis à sociedade que deveria informar. O relato desses vícios da infância da nossa profissão estão relatados com maestria pelo professor Nilson Lage em seu artigo “À frente, o passado”. 

Exemplos não faltam e revelam que, se a Justiça não cumpre o seu papel de guardiã da manutenção dos direitos da sociedade, as entidades civis representantes dos direitos dos cidadãos devem manifestar-se nesse sentido.

A FENAJ e o Sindicato, não têm fugido a essa regra. Desde a decisão da  ‘meritíssima’, vêm organizando-se para mobilizar aqueles que acreditam na valorização da informação para garantir esse direito que a juíza substituta quer eliminar. Dessa forma, depois das manifestações no vão livre do Masp, que contou com a participação de estudantes, professores e jornalistas, e que se deslocou até o prédio da Justiça Federal, na avenida Paulista, estamos iniciando uma nova fase da Campanha Nacional em Defesa do Jornalismo, a partir do evento de Porto Alegre.

Lá foi distribuído o manifesto: Somos jornalistas e temos uma profissão: em defesa da sociedade brasileira. Esse texto, assim como outros em defesa da informação jornalística de qualidade, inclusive o artigo do professor Lage, encontra-se no site do Sindicato (www.sjsp.org.br).

Além dessas ações, a campanha definiu um calendário de atividades para este ano  que prevê articulações políticas, continuidade nas ações jurídicas e o convencimento e apoio da sociedade em geral sobre a legitimidade da ação das nossas entidades em Defesa do Jornalismo. Juntos, não vamos deixar que vença o obscurantismo e a ignorância, onde deve prevalecer o conhecimento e a inteligência.

Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

A posição da FENAJ

Somos jornalistas e temos uma profissão:
em defesa da sociedade brasileira
 

As sociedades contemporâneas, cada vez mais complexas, exigem o conhecimento de assuntos de interesse público que circulam em toda as áreas, da Medicina à Antropologia, da Engenharia ao Direito, da Biotecnologia à História. É preciso saber, no calor da hora, de temas, fatos e versões que ocorrem tanto em tais áreas quanto nas ruas. Para isso, existe um profissional, envolvido diariamente com o seu fazer, que busca informações, as apura, faz entrevistas, contextualiza, registra e edita, para que mais gente, em todas as áreas e em todos os cantos, possa tomar conhecimento e melhor se situar frente à realidade. A este profissional se chama jornalista.

Em escala pública e dimensão planetária, em períodos extremamente curtos (dia, hora, minuto – tal como é o andar diário da humanidade), e em linguagem acessível à população e não hermética, há profissionais que se empenham para esta reconstrução do mundo. A este profissional se chama jornalista.

Sem este profissional, não há jornalismo. Para a informação jornalística é preciso qualidade, são necessários pressupostos éticos, conhecimentos técnicos e tecnológicos – da tevê ao rádio, da internet à revista, do jornal ao planejamento gráfico. Em todas estas coberturas e atividades e para todos estes suportes tecnológicos, é preciso cuidado na apuração, rigor na exatidão, obediência a preceitos éticos, qualidade na produção estética, cuidado e precisão nas conseqüências da forma de divulgação.

Há um profissional que se preocupa com isso. A ele se chama jornalista.

A informação com tais características, produzida por jornalistas, permite à sociedade maior liberdade, além de mais e melhor opção de escolha. Permite melhor escolha e decisão nos caminhos a seguir.

Depois de 60 anos de regulamentação profissional e 80 de luta pela formação superior em Jornalismo, há agora a clara ameaça do fim de quaisquer exigências para o exercício da profissão.

O ataque contemporâneo do neoliberalismo à profissão jornalística é mais um ataque às liberdades sociais e às profissões em particular. Com isso, amplia-se o campo das desregulamentações em geral e aumentam as barreiras à construção qualificada e lúcida de um mundo mais democrático, visível e justo.

O ataque ao jornalismo é também um desrespeito à sociedade, que diminui sua amplitude de escolha, diminui o espaço de liberdade e de confronto de opiniões. Há claros prejuízos à ética profissional e amplia-se o controle sobre quem entra nas redações – do interesse particularizado expresso na contratação de apadrinhados políticos e ideológicos ao aviltamento profissional e salarial, por meio de contrato de pessoas que nada têm a ver com a formação específica na área.

Hoje, já existe liberdade garantida para quem quiser expor sua opinião, como entrevistado ou articulista de uma determinada área. Com a desregulamentação, contudo, perde-se as raízes da vinculação do jornalismo ao interesse público, razão de sua consolidação como profissão nos últimos 60 anos. Com isso, além da própria categoria profissional ter redução de empregos, desprestígio em seu reconhecimento público, a própria sociedade, no conjunto, perde a referência qualitativa dos acontecimentos do dia-a-dia, essenciais para a liberdade de escolha do dia seguinte.

O ataque à  regulamentação em Jornalismo atinge profissionais e estudantes, desrespeita as identidades de cada área – e nisso desrespeita também as demais -, e fere frontalmente a sociedade em seu direito de ter informação apurada por profissionais, com qualidade técnica e ética, bases para a visibilidade pública dos fatos, debates, versões e opiniões contemporâneas. É um ataque, portanto, ao próprio futuro do país e da sociedade brasileira.  

FENAJ– Federação Nacional dos Jornalistas  



Gilberto da Silva é jornalista e editor da revista Partes. E-mail gilberto@partes.com.br

Material do Arquivo Nacional
O anúncio da CLT foi mostrado de forma propagandística, dando a conotação de uma lei fruto da iniciativa e generosidade de uma só pessoa. A CLT que já sobreviveu a tantas tentaivas de destruição, resistirá aos ventos demoníacos da nova geração neoliberal?
POR QUE NÃO UM NOVO CÓDIGO DE TRABALHO, AUTÊNTICO, MODERNO E SOCIALMENTE AVANÇADO, DISCUTIDO DEMOCRATICAMENTE COM TODAS AS FORÇAS POLÍTICAS QUE DEFENDEM OS ANSEIOS DOS TRABALHADORES?

 

 


© copyright revista partes 2002