O
DIREITO À INFORMAÇÃO DE QUALIDADE
Encerrado
no dia 5 de fevereiro, em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial
discutiu em seus seis dias de atividades diversas questões
relacionadas aos destinos da humanidade. Não menos relevante,
porque insere-se na questão do direito dos Povos ao acesso à
informação de qualidade, no Brasil corre-se o risco de perder-se
essa prerrogativa que, embora seja fundamental, para alguns é tão
insignificante que dispensa conhecimento, formação e ética do
profissional responsável por prestar esse serviço à população.
Infelizmente,
pela pouca experiência - talvez nenhuma - de uma juíza e um
promotor, e alguma dose de arrogância, afinal são seres humanos,
sua ações, mesmo que provisórias, têm possibilitado uma volta
ao passado. Período que eles desconhecem e que seguramente não
fazem questão de conhecer. Tempo em que, se o cachorro não era
amarrado com lingüiça, certamente a falta de regulamentação
para a formação do jornalista, impunha ao ‘profissional’
situações de promiscuidade na sua relação com os veículos
jornalísticos e vice-versa, com danos irreparáveis à sociedade
que deveria informar. O relato desses vícios da infância da
nossa profissão estão relatados com maestria pelo professor
Nilson Lage em seu artigo “À frente, o passado”.
Exemplos
não faltam e revelam que, se a Justiça não cumpre o seu papel
de guardiã da manutenção dos direitos da sociedade, as
entidades civis representantes dos direitos dos cidadãos devem
manifestar-se nesse sentido.
A
FENAJ e o Sindicato, não têm fugido a essa regra. Desde a decisão
da ‘meritíssima’,
vêm organizando-se para mobilizar aqueles que acreditam na
valorização da informação para garantir esse direito que a juíza
substituta quer eliminar. Dessa forma, depois das manifestações
no vão livre do Masp, que contou com a participação de
estudantes, professores e jornalistas, e que se deslocou até o prédio
da Justiça Federal, na avenida Paulista, estamos iniciando uma
nova fase da Campanha Nacional em Defesa do Jornalismo, a partir
do evento de Porto Alegre.
Lá
foi distribuído o manifesto: Somos
jornalistas e temos uma profissão: em defesa da sociedade
brasileira. Esse texto, assim como outros em defesa da informação
jornalística de qualidade, inclusive o artigo do professor Lage,
encontra-se no site do Sindicato (www.sjsp.org.br).
Além
dessas ações, a campanha definiu um calendário de atividades
para este ano que
prevê articulações políticas, continuidade nas ações jurídicas
e o convencimento e apoio da sociedade em geral sobre a
legitimidade da ação das nossas entidades em Defesa do
Jornalismo. Juntos, não
vamos deixar que vença o obscurantismo e a ignorância, onde deve
prevalecer o conhecimento e a inteligência.
Diretoria
do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
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Somos jornalistas e temos uma profissão:
em defesa da sociedade brasileira
As sociedades contemporâneas, cada vez mais complexas,
exigem o conhecimento de assuntos de interesse público que
circulam em toda as áreas, da Medicina à Antropologia, da
Engenharia ao Direito, da Biotecnologia à História. É preciso
saber, no calor da hora, de temas, fatos e versões que ocorrem
tanto em tais áreas quanto nas ruas. Para isso, existe um
profissional, envolvido diariamente com o seu fazer, que busca
informações, as apura, faz entrevistas, contextualiza, registra
e edita, para que mais gente, em todas as áreas e em todos os
cantos, possa tomar conhecimento e melhor se situar frente à
realidade. A este profissional se chama jornalista.
Em escala pública e dimensão
planetária, em períodos extremamente curtos (dia, hora, minuto
– tal como é o andar diário da humanidade), e em linguagem
acessível à população e não hermética, há profissionais que
se empenham para esta reconstrução do mundo. A este profissional
se chama jornalista.
Sem este profissional, não há
jornalismo. Para a informação jornalística é preciso
qualidade, são necessários pressupostos éticos, conhecimentos técnicos
e tecnológicos – da tevê ao rádio, da internet à revista, do
jornal ao planejamento gráfico. Em todas estas coberturas e
atividades e para todos estes suportes tecnológicos, é preciso
cuidado na apuração, rigor na exatidão, obediência a preceitos
éticos, qualidade na produção estética, cuidado e precisão
nas conseqüências da forma de divulgação.
Há um profissional que se preocupa com isso. A ele se
chama jornalista.
A informação com tais características, produzida por
jornalistas, permite à sociedade maior liberdade, além de mais e
melhor opção de escolha. Permite melhor escolha e decisão nos
caminhos a seguir.
Depois de 60 anos de regulamentação profissional e 80
de luta pela formação superior em Jornalismo, há agora a clara
ameaça do fim de quaisquer exigências para o exercício da
profissão.
O ataque contemporâneo do neoliberalismo à profissão
jornalística é mais um ataque às liberdades sociais e às
profissões em particular. Com isso, amplia-se o campo das
desregulamentações em geral e aumentam as barreiras à construção
qualificada e lúcida de um mundo mais democrático, visível e
justo.
O ataque ao jornalismo é também um desrespeito à
sociedade, que diminui sua amplitude de escolha, diminui o espaço
de liberdade e de confronto de opiniões. Há claros prejuízos à
ética profissional e amplia-se o controle sobre quem entra nas
redações – do interesse particularizado expresso na contratação
de apadrinhados políticos e ideológicos ao aviltamento
profissional e salarial, por meio de contrato de pessoas que nada
têm a ver com a formação específica na área.
Hoje, já existe liberdade garantida para quem quiser
expor sua opinião, como entrevistado ou articulista de uma
determinada área. Com a desregulamentação, contudo, perde-se as
raízes da vinculação do jornalismo ao interesse público, razão
de sua consolidação como profissão nos últimos 60 anos. Com
isso, além da própria categoria profissional ter redução de
empregos, desprestígio em seu reconhecimento público, a própria
sociedade, no conjunto, perde a referência qualitativa dos
acontecimentos do dia-a-dia, essenciais para a liberdade de
escolha do dia seguinte.
O ataque à regulamentação
em Jornalismo atinge profissionais e estudantes, desrespeita as
identidades de cada área – e nisso desrespeita também as
demais -, e fere frontalmente a sociedade em seu direito de ter
informação apurada por profissionais, com qualidade técnica e
ética, bases para a visibilidade pública dos fatos, debates,
versões e opiniões contemporâneas. É um ataque, portanto, ao
próprio futuro do país e da sociedade brasileira.
FENAJ–
Federação Nacional dos Jornalistas
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