logo especial ambiente.jpg (15995 bytes)

.

Revista Partes ano II março de 2002 n.20

  Principal
 Agenda
 Comportamento
 Cotidiano
 Cultura
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Esportes
 Humor
 Links
 Nossa Língua
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Crônicas
 Reflexão
 Serviços
 Socio Ambiental
 Terceira Idade
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Fórum
 Fale Conosco
   Especiais
 Gilberto Freyre
 Eleições 2000
Meio Ambiente
 Assédio Moral

"Se fumou com o samba"
por Alfredo Ramos

Aquele bolero antigo era que estava certo: "alguém me disse que andas novamente ..."  Anísio Silva era o cantor, longe das paradas de sucesso atuais, esquecido e jamais lembrado hoje pelos "punk soda" e "boquinhas da garrafa", este bolero era do "peru".

Tocado dia e noite em todas estações de rádio do norte e nordeste, levava  moçoilas  a encherem baldes e baldes de lágrimas na época. Naqueles tempos  não havia problema algum, poderia-se derramar lagrimas torrenciais que elas estavam ali úteis para encher todas as represas. E,  até no Ceará  onde nasce primeiro o esqueleto depois o "carcará", a música era tão favorita ou mais,  pelas lagrimas derramadas, que muitas vezes, via-se  centenas de "radinhos" juntos com ouvintes nas beiras da represa...  

Mas, o tempo mudou ou  passou. As notas musicais do bolero romântico foram trocadas por dez graças de bundas falantes, todas cheias de muito "tchan" e "tchan tchan tchan". Sem voz e  nem precisavam realmente ter, eram como gugus, rodeadas de jacarés e muitos bichos saltitantes. Exageradas  em  suas exuberantes figuras, expondo-as abundantemente à delírio da Medina carioca.  Não foi a toa que cantores gigantes e da estatura do Nelson Pigmeu Ned, ou da minúscula mas simpática, Mara  Ervilha, ou da vovó Baby Cotonete, resolveram galgar as torres universais das Babel gospel, uns e outros, sempre com o "desodorante de capa preta" debaixo do braço, para virem a  ser por a  salvos do pecado do estrume musical que os acarajés  empanturravam seus e nossos ouvidos à dentro. Quase  sumiram  do mapa e  dos cds clandestinos certamente. Destoa deles, somente Elba Carralho que continua forrozeando com  as pelancas e os  "ETs" de seu circulo esotérico  espacial; indo assim, tão bem, vai suceder a porra louca da Dercy Mercy Bocuda.

Não se pode esquecer do rei, aquele defunto sagrado que todos acham que tem cara de vampiro brasileiro, mas que  ninguém consegue enterrar por ser imortal. Do Anísio, só o Chico o imitava bem, com capa preta mas sem microfone de pedestal e era por isso que o original só usa terno branco. 

Se eu disser que o tempo rola, vocês vão achar que é isso mesmo. Alguém me disse que tudo é uma questão de gosto. O novo acaba com o velho e o velho acaba na cova. E hoje, esta tudo é na cova mesmo. Qual o gênero musical do novo milênio? Eu gostava de muito merengue e bolero, veio o rock, veio ie-ie-ie, e nada mais. Até o samba, virou samba de lata, qualquer um tira uma lasca. Do Noel, lembro-o  com um cigarro na boca. Como é  moda, poderiam pelo menos fazerem o sacrilégio de colocar sua foto num maço de cigarro, com a frase junto: se fumou, com o samba!



Alfredo Ramos é jornalista. 


© copyright revista partes 2002