Aquele
bolero antigo era que estava certo: "alguém me disse que
andas novamente ..." Anísio Silva era o cantor, longe
das paradas de sucesso atuais, esquecido e jamais lembrado hoje
pelos "punk soda" e "boquinhas da garrafa",
este bolero era do "peru".
Tocado dia e noite em todas estações de rádio do norte e
nordeste, levava moçoilas a encherem baldes e baldes
de lágrimas na época. Naqueles tempos não havia problema
algum, poderia-se derramar lagrimas torrenciais que elas estavam
ali úteis para encher todas as represas. E, até no Ceará
onde nasce primeiro o esqueleto depois o "carcará", a música
era tão favorita ou mais, pelas lagrimas derramadas, que
muitas vezes, via-se centenas de "radinhos" juntos
com ouvintes nas beiras da represa...
Mas,
o tempo mudou ou passou. As notas musicais do bolero romântico
foram trocadas por dez graças de bundas falantes, todas cheias de
muito "tchan" e "tchan tchan tchan". Sem voz e
nem precisavam realmente ter, eram como gugus, rodeadas de jacarés
e muitos bichos saltitantes. Exageradas em suas
exuberantes figuras, expondo-as abundantemente à delírio da
Medina carioca. Não foi a toa que cantores gigantes e da
estatura do Nelson Pigmeu Ned, ou da minúscula mas simpática,
Mara Ervilha, ou da vovó Baby Cotonete, resolveram galgar
as torres universais das Babel gospel, uns e outros, sempre com o
"desodorante de capa preta" debaixo do braço, para
virem a ser por a salvos do pecado do estrume musical
que os acarajés empanturravam seus e nossos ouvidos à
dentro. Quase sumiram do mapa e dos cds
clandestinos certamente. Destoa deles, somente Elba Carralho que
continua forrozeando com as pelancas e os "ETs"
de seu circulo esotérico espacial; indo assim, tão bem,
vai suceder a porra louca da Dercy Mercy Bocuda.
Não
se pode esquecer do rei, aquele defunto sagrado que todos acham
que tem cara de vampiro brasileiro, mas que ninguém
consegue enterrar por ser imortal. Do Anísio, só o Chico o
imitava bem, com capa preta mas sem microfone de pedestal e era
por isso que o original só usa terno branco.
Se
eu disser que o tempo rola, vocês vão achar que é isso mesmo.
Alguém me disse que tudo é uma questão de gosto. O novo acaba
com o velho e o velho acaba na cova. E hoje, esta tudo é na cova
mesmo. Qual o gênero musical do novo milênio? Eu gostava de
muito merengue e bolero, veio o rock, veio ie-ie-ie, e nada mais.
Até o samba, virou samba de lata, qualquer um tira uma lasca. Do
Noel, lembro-o com um cigarro na boca. Como é moda,
poderiam pelo menos fazerem o sacrilégio de colocar sua foto num
maço de cigarro, com a frase junto: se fumou, com o samba! |