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Revista Partes ano II março de 2002 n.20

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 Agora, são os franceses.
 por Raul Prates

"L' enfant terrible do tropicalismo brasileiro ... no show para um público de conhecedores e de músicos... [mostra uma] grande fusão musical que resulta num incomum elitismo popular ."
Véronique Mortaigne - Le Monde

E não é que os franceses estão caidinhos pelo som produzido por Tom Zé — que já retratamos neste espaço na edição anterior. Os franceses querem conhecer mais e entender a cabeça do baiano de Irará que tanto barulho maluco tem feito em suas andanças por este mundo doidão. Os europeus estão preocupados com a mediocrização que chegou ao pop francês, assim como já chegou a muito tempo no pop brasileiro.

Seu mais recente disco, 'Jogos de Armar - Faça Você Mesmo', lançado no Brasil pela gravadora Trama, será distribuído na França com o nome 'Jeaux de Construction' a partir de abril pela companhia BMG. Querem do Tom ouvir os chocantes "instronzementos" - aquelas parafernálias sonoras feitas pelo próprio músico que se utilizam de peças inusitadas como buzinas velhas, panelas, serras elétricas e canos de plástico. Saíram extasiados.

Um bom baiano que produz uma música contemporânea  e que pode (e deve!) ser melhor apreciada pela juventude".

E o gênio brasileiro fica completamente incompreendido por esta mídia vendida – que fala bem de seus discos mas não toca nas rádios e na televisão e que nos entope de axé music, tipo rala bundinha.

"A música de Tom Zé é diferente de qualquer música brasileira que ouvi até hoje... Expande incessantemente os limites da canção popular, adotando formas inesperadas, que nos surpreendem e encantam, com percepção aguda dos acontecimentos. Olha a grande cidade com olhos -- e o ouvidos -- de poeta. Descobre beleza em regiões estranhas.  [sua música] Nos dá esperança.  "
David Byrne



Raul Prates, é poeta raulprates@bol.com.br.

A CHEGADA DE RAUL SEIXAS E LAMPIÃO NO FMI  
 (Tom Zé)
Gênero: baiãolenda
ARRASTÃO DE CANÇÃO FOLCLÓRICA E DO ESTILO TROVADOR NORDESTINO
Ed. Irará (Trama) 70274730

É Raul, Raul, Raul,
É Raul Seixas, é Lampião
Chegaram no FMI
Que nem tentou resistir

É Raú, Raú, Raú,
Lampião não anda só
Trouxe Deus e o diabo
Raul, a terra do sol

Lampião com o clavinote
Raul trouxe o Ylê Ai Ê
Tiraram os colhões do rock
Enrabaram o iê-iê-iê.

Chegaram na Casa Branca
Os dois de carro-de-boi
Tio Sam fugiu de tamanca
Ninguém viu para onde foi

Wall Street fechou
E a ONU não deixou pista
O presidente jurou
Que sempre foi comunista

Mano Brown disse a Raul
O dinheiro a gente investe
No Banco Carandiru
Xingu, favela e Nordeste

Todo-poderoso e rico
O grande senhor dali
Cagou-se, pediu pinico
Aflito, fora de si

Pois o FMI
Viu que não tinha mais jeito
E entregou todo o dinheiro
Para o pobre dividir

E o mundo se viu diante
De grande felicidade:
Trabalho pra todo o dia
Comida pra toda a tarde

Mas entre os países pobres
Não houve fazer acordo
Para dividir os cobres
E a guerra pegou fogo

TRECHOS DE LETRA INCOMPLETA: SUGESTÃO PARCERIA

Mas chegou Renato Russo
De Belém trouxe Fafá
E ela só trouxe um busto
Pra Ásia toda mamar

Nesse dia moribundo
O FMI se fechou
E o povo inteiro do mundo
Sofrido comemorou


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