logo especial ambiente.jpg (15995 bytes)

.

Revista Partes ano II março de 2002 n.20

  Principal
 Agenda
 Comportamento
 Cotidiano
 Cultura
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Esportes
 Humor
 Links
 Nossa Língua
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Crônicas
 Reflexão
 Serviços
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Fórum
 Fale Conosco
   Especiais
 Gilberto Freyre
 Eleições 2000
  Meio Ambiente
 Assédio Moral
 Dona Alcina
 por B. Lopes

Essa adorável menina, olhos de lírio, boca de cravo, tranças doiradas, que por aí anda derramando o vinho capitoso de sua graça petulante...

 

Entre aleluias êi-la que passa...

Não Há por certo coisa mais linda

Que o talhe doce, que a ingênua graça

De Dona Alcina.

 

Seu petulante rosto garrido

Na luz rosada de um arrebol

É como um verde jardim florido,

Cheio de sol.

 

Andam por ele, com asas frágeis,

No olor das rosas e violetas,

Vespas doiradas, colibris ágeis

E borboletas!

 

Beliscam, chalram de tal maneira

Os seus brejeiros olhos azues,

Que me recordam numa fruteira

Dois sanhaçus.

 

Olhos brilhantes como adereços.

Com dulçurosos, ternos engodos,

Sob sedosos cílios espessos

Ferem a todos.

 

Como essa brava, soberba coma

Loira e comprida, creio, não há;

Lindos cabelos que têm o aroma

Do resedá.

 

Jesus! Que chiste de ave tão fina!

Que salerosa pomba travessa!

Leva a grinalda de Columbina

Sobre a cabeça.

 

Quando na minha — shake-hands! — pousa

Franzina e doce sua alva mão,

Subitamente sinto uma cousa

No coração!

 

Sanguíneos cravos curvos e breves

      Corações ígneos de menestréis —

      Fazem tapete para os seus leves,

      Traquinos pés.

 

Inda mais tenta, pondo da gente

A escandecida cabeça —louca,

Mostrando estrelas maviosamente,

Quando abre a boca.

 

Boca de flauta, como alguém disse,

Perturbadora flauta de Pã...

Mas é que o alegro sai com meiguice

De uma romã!

 

Romã partida, de estranho efeito

Na apoteose de uma risada...

Tem Dona Alcina todo o direito

De ser amada!

 

Todas as outras ela desbanca

Com o seu encanto de Serafim:

É trescalente, simples e branca

Como um jasmim!

 

Seios pontudos, moita de espinhos...

Temo que, lácteos, em fincapé,

Saltem de dentro dois cabritinhos

Fazendo — bé!

 

Quem será esse que volte a lauda

Do livro róseo dos seus amores,

Se, quando passa, leva uma cauda

De adoradores?!

 

Entre aleluias êi-la que passa...

Não há por certo coisa mais linda

Que o talhe doce, que a ingênua graça

De Dona Alcinda.

 

Esta rimada prenda exquisita

Aos pés deponho, cheio de amor,

De Dona Alcinda, que é mais bonita

Do que uma flor!

 

Obs: Foi mantida a ortografia original.

Poesias Completas de B. Lopes III - Livraria Valverde S.A.- Rio - 1945



B. Lopes, poeta

Recebemos contribuições dos leitores para a revista. Envie-nos seu artigo, crônica, conto, poesia, ensaio, notícias ou reportagem para publicação.
Envie já a sua contribuição

separador_lateraldireita.jpeg (4768 bytes)

Veja
Vulgata

 Escritos jornalísticos por Ascendino Leite


© copyright revista partes 2002