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Essa adorável menina, olhos de lírio, boca de cravo,
tranças doiradas, que por aí anda derramando o vinho capitoso de
sua graça petulante...
Entre aleluias êi-la que passa...
Não Há por certo coisa mais linda
Que o talhe doce, que a ingênua graça
De Dona Alcina.
Seu petulante rosto garrido
Na luz rosada de um arrebol
É como um verde jardim florido,
Cheio de sol.
Andam por ele, com asas frágeis,
No olor das rosas e violetas,
Vespas doiradas, colibris ágeis
E borboletas!
Beliscam, chalram de tal maneira
Os seus brejeiros olhos azues,
Que me recordam numa fruteira
Dois sanhaçus.
Olhos brilhantes como adereços.
Com dulçurosos, ternos engodos,
Sob sedosos cílios espessos
Ferem a todos.
Como essa brava, soberba coma
Loira e comprida, creio, não há;
Lindos cabelos que têm o aroma
Do resedá.
Jesus! Que chiste de ave tão fina!
Que salerosa pomba travessa!
Leva a grinalda de Columbina
Sobre a cabeça.
Quando na minha — shake-hands! — pousa
Franzina e doce sua alva mão,
Subitamente sinto uma cousa
No coração!
Sanguíneos cravos curvos e breves
—
Corações ígneos de menestréis —
—
Fazem tapete para os seus leves,
—
Traquinos pés.
Inda mais tenta, pondo da gente
A escandecida cabeça —louca,
Mostrando estrelas maviosamente,
Quando abre a boca.
Boca de flauta, como alguém disse,
Perturbadora flauta de Pã...
Mas é que o alegro sai com meiguice
De uma romã!
Romã partida, de estranho efeito
Na apoteose de uma risada...
Tem Dona Alcina todo o direito
De ser amada!
Todas as outras ela desbanca
Com o seu encanto de Serafim:
É trescalente, simples e branca
Como um jasmim!
Seios pontudos, moita de espinhos...
Temo que, lácteos, em fincapé,
Saltem de dentro dois cabritinhos
Fazendo — bé!
Quem será esse que volte a lauda
Do livro róseo dos seus amores,
Se, quando passa, leva uma cauda
De adoradores?!
Entre aleluias êi-la que passa...
Não há por certo coisa mais linda
Que o talhe doce, que a ingênua graça
De Dona Alcinda.
Esta rimada prenda exquisita
Aos pés deponho, cheio de amor,
De Dona Alcinda, que é mais bonita
Do que uma flor!
Obs: Foi mantida a ortografia original.
Poesias Completas de B. Lopes III -
Livraria Valverde S.A.- Rio - 1945
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