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Revista Partes ano II abril de 2002 n.21

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Polêmica

Porque o Bambam ganhou?
        
Renato Mafra* 

Diferentemente de outros cientistas sociais, sociólogos e antropólogos, que se negam a escrever ou falar sobre assuntos de interesse, digamos, “popular”, vou aceitar o desafio que me coloquei de escrever pelo menos uma crônica sobre os “reality shows” tão em moda no Brasil ultimamente.

Para isto, vou pensar nestas linhas um pouco sobre a pergunta que o meu pai me fez, assim que acabou o BBBrasil, com o Kléber faturando as 500 pratas:

         “Porque o Kléber ganhou?”

Na hora que ouvi esta pergunta não sabia exatamente o que responder, depois, mais precisamente no dia seguinte, consegui formular algumas alternativas, ou pelo menos uma, que tenta responder a tal indagação.

         Vamos começar pela seguinte analogia: você já assistiu um jogo de futebol em que os times que estavam jogando não eram de sua preferência? Acredito que pelo menos uma vez na vida você já esteve nesta situação, não? Pois então, para qual time você decidiu torcer, para o mais forte ou para o mais fraco?

         Penso que 90% das pessoas, quando tem que escolher entre um time mais inexpressivo ou um time de maior expressão nacional, acabam escolhendo o time mais fraco para torcer. Vou dar um exemplo recente: Lembram quando o São Caetano, time do interior paulista que ninguém conhecia, chegou à final do campeonato do ano 2000 contra o Vasco? A grande maioria do torcedores brasileiros, flamenguistas ou não, “adotaram” o São Caetano como o time para o qual iriam torcer, considerando que o Vasco era mais forte, ou pelo menos, tinha muito mais tradição no futebol brasileiro do que o, até então, singelo São Caetano.

Voltando para o caso do BBBrasil, acredito que aconteceu a mesma coisa, ou seja, os telespectadores brasileiros, com o poder de decisão que cada um  assumiu perante a televisão, um poder quase divino de decidir os destinos das pessoas, procurou compensar as “injustiças da vida” ao escolher o participante do BBBrasil que levaria os 500 mil reais.

 Um garotinho de aproximadamente 7 anos, respondendo a pergunta de uma determinada repórter, disse que estava torcendo para o Kléber ganhar. Quando a repórter perguntou porque ele estava torcendo para o Kléber, o pequeno garoto falou: “Porque ele é bonzinho”.

Pois então, aí esta a principal chave para entender o porque da vitória do Bambam. O Kléber foi “perseguido” e rechaçado por todos os seus competidores dentro da casa do BBB; esteve no “paredão” por quatro vezes, em uma destas oportunidades, recebeu o voto de praticamente todos os seus adversários, era considerado “burro” e ingênuo. Não entrava em confronto direto com ninguém, respondia a todas as agressões ou provocações, tentando sempre conquistar a amizade e simpatia dos demais competidores, mesmo diante de demonstração da mais pura antipatia, como nos casos em que o Adriano e o Bruno, simplesmente ignoraram as tentativas do Bambam de fazer alianças com eles.

Diante deste quadro, o que fez o público brasileiro? Saiu em defesa daquele que passou a imagem de bonzinho, bobinho, ingênuo e consequentemente mais fraco competidor. Cada paredão em que os participantes da casa do BBBrasil colocavam o Kléber, foi uma oportunidade que o público teve de, digamos, compensar a “fraqueza” e a perseguição seguida de humilhação que o Bambam sofria entre as quatro paredes levantadas pela Globo.

Em outras palavras diria que foi um sentimento de “justiça compensatória”, que moveu cada um daqueles brasileiros que ligou para votar a favor do Kléber.

Fenômeno muito semelhante aconteceu durante a primeira “Casa dos Artistas” onde a vencedora foi uma “pobre” menina, com cara de “Cinderela”, abandonada pelo falecimento precoce de sua mãe. A Bárbara transmitiu ao público um ar de menor abandonada e carente. Conclusão, seguindo a mesma lógica que se deu com o Bambam, o público simplesmente “adotou” a namorada do Supla e decidiu que o prêmio deveria ficar com ela.

Veja bem, alguém, na posição de telespectador, pensou algum dia que o prêmio, seja o da Casa dos Artistas ou do BBBrasil, deveria ficar com a pessoa mais rica, mais forte, mais inteligente dentre as que participaram deste programa? Aposto que não, muitos pensam imediatamente em votar a favor daquele que demonstre ser o que mais necessita do prêmio ou o mais “coitadinho”.

         O resultado não poderia ter sido outro, rechaçado e até humilhado em determinadas circuntâncias pelo pessoal da casa, Kléber recebeu a acolhida do telespectador, que como um Deus com o telefone na mão, decidiu “dar de comer a quem tem fome,” ou ainda, “exaltar os humilhados”.

         Penso que os tais “shows da realidade” nos dão um raio-x, mesmo que singelo,  que nos permite observar alguns traços da cultura brasileira. Dentre estes traços identifico, além do óbvio voyerismo,  alguns dos princípios do cristianismo que norteiam o imaginário brasileiro.

Apesar da antipatia de alguns intelectuais por este tipo de programa, penso que eles são uma  oportunidade que o estudante do comportamento humano tem de observar as relações e dinâmicas de sociabilidade. Em nossas pesquisas não podemos isolar os seres humanos,  da mesma maneira com que se isola os ratinhos de laboratório, mas já que a  Globo e o SBT os isolou por nós, porque não aproveitar a oportunidade e “dar uma olhadinha”?

*O autor é Cientista Social e mestrando em Antropologia pela Universidade Federal de Santa Catarina.

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Sergio Cardoso e Nydia Licia em A raposa e as uvas

Nascida em 1901, em Nova York, Stella Adler foi uma das mais importantes atrizes do teatro americano do século XX. Mais nova de uma família judia com fortes raízes no teatro, ela começou sua carreira aos quatro anos, participando da peça Broken Hearts,  montada pela companhia teatral de seu pai, o prestigiado ator Jacob P. Adler. Nos anos seguintes, atuou em várias peças clássicas, de autores como Ibsen, Tolstoi e Shakespeare. Na década de 20, cursou a Universidade de Nova York e, a seguir, estudou no Teatro Laboratório Americano, onde entrou em contato com os métodos de Stanislavski. 

O ano de 1931 marca sua entrada  no Group Theatre, influente grupo fundado por Lee Strasberg e Harold Clurman, que se tornou uma alternativa ao teatro comercial no período da Depressão americana. No Group, Stella interpretou alguns dos papéis mais importantes de sua carreira, como a secretária Sarah Glassman em Success Story. Em 1937, ela deixou o grupo para trabalhar como produtora no estúdio da MGM em Hollywood. Lá também atuou em alguns filmes, entre eles, A sombra dos acusados. Depois de seis anos, retornou à Broadway e aos palcos. Na década de 40, começou a ensinar técnica teatral, e em 1949 abandonou de vez os palcos ao fundar o Estúdio de Atuação Stella Adler, que existe até hoje em Nova York.
Com prefácio do ator norte-americano Marlon Brando, TÉCNICA DA REPRESENTAÇÃO TEATRAL - escrito alguns anos antes da morte de Adler - é um dos melhores manuais, que todo ator principiante deve ler. Inspirado nos ensinamentos de Stanislavski, este livro é um compêndio prático, direto e sistemático sobre o que  deve ser feito, desde a leitura inicial de um texto até a estréia, para que atores possam dar vida e credibilidade a seus papéis. A editora é a Record.


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