Baixa
renda
Ainda sobre as enchentes, vamos destrinchar nesta edição
um pouco mais deste assunto tão polêmico e atual.
A população de baixa renda da cidade de São Paulo teve
seus problemas agravados à medida que a mancha urbana crescia.
As soluções apresentadas pelas autoridades governamentais
são sempre paliativas gerando uma deterioração da qualidade de
vida.
Habitações
inadequadas
Cerca de 40% das habitações são construídas de forma
inadequada na Grande São Paulo. A maior parte desta população
encontra-se localizada em áreas de risco associada à chuva
(enchentes ou desabamentos) e sujeita aos demais problemas
ambientais e sanitários, tais como, prejuízos materiais, doenças
e mortes.
Características
comuns
As enchentes têm entre si características comuns e
bastantes conhecidas, tais como: impermeabilização dos solos,
retificação de cursos d`água, assoreamento, ocupação de várzeas,
entre outros. O assoreamento dos cursos de d`água (córrego, rios
e represas) deriva principalmente do lançamento indiscriminado de
lixo e de entulhos de construção nos rios, ocupação de
terrenos em áreas de alta declividade, surgimento de edificações
ao longo dos cursos d`água e crescente impermeabilização dos
terrenos.
Procav
São Paulo tem um projeto em andamento que pode de certa
forma minimizar os efeitos desta ocupação desenfreada e
contribuir para a diminuição das enchentes. O Procav (Programa
de Canalização de Córregos, Implantação de Viário e Recuperação
Ambiental e Social de Fundos de Vale) ajuda na redução de
enchentes, diminuindo a poluição destes corpos de água.
O programa em sua essência visa retirar a população
instalada em áreas de riscos e de escorregamento de terra,
enchentes ou contaminação pelos recursos hídricos poluídos e
levá-los para áreas de assentamento, geralmente conjunto
habitacionais. De certa maneira o programa melhora a qualidade de
vida desta população ao proporcionar melhores condições de saúde
e habitação.
Concepção
viária
O grande defeito, ao meu ver, deste programa é o acentuado
reforço no sistema viário. O programa deixa nítido que o mais
importante é abrir uma nova malha viária. Aspectos sociais e
ambientais entram em segundo plano (quando entram!). No lugar de
novas ruas nas beiras de rios, poderíamos, por exemplo, criar uma
bela faixa de árvores e áreas de lazer e recreação para a
comunidade.
Muitos técnicos consideram que do ponto de vista da
estruturação do espaço urbano, construir vias em áreas de
fundo de vales representam uma única opção possível para a
ampliação da malha viária do município.
Riscos
e desafios
É um grande risco pensar o urbano apenas sob o aspecto da
ampliação da malha viária.
Com custos menores dá para aproveitar os vazios urbanos de
fundo de vales ainda não edificáveis, para a reservação das águas
(piscinões) com melhores resultados do ponto de vista da
drenagem. As populações que ainda continuarem em área de riscos
devem sofrer uma política social e habitacional de porte mais
duradouro, levando-se em conta os aspectos das despesas que causam
novos reassentamentos (aumento dos custos de transportes, água,
abastecimento; prestações dos imóveis etc).
Água
e doença
No inicio da década de 90, segundo a OMS (Organização
Mundial da Saúde), aproximadamente um quarto dos leitos
existentes em todos os hospitais do mundo estarão ocupados por
enfermos, cujas doenças são ocasionadas pela água. O alerta
permanece atual.
Resíduos sólidos e lixo eletrônico
A
cultura do lixo
O lixo continua sendo um dos problemas mais graves vividos pela
nossa sociedade. Calcula-se que no Brasil são gerados,
diariamente, uma carga de 125 mil toneladas de rejeitos orgânicos
e de material reciclável. Estima-se que o Brasil desperdice R$
4,6 bilhões por não reaproveitar o lixo reciclável. A geração
de lixo e a destinação dos resíduos sólidos estão em
constante debate na sociedade. Não podemos esquecer o importante
papel dos
catadores e das cooperativas de catadores e de reciclagem.
O aterro sanitário
O aterro sanitário é um sítio, um terreno, no qual é utilizado
um processo de disposição de resíduos sólidos, particularmente
o lixo domiciliar, com fundamento em critérios de engenharia e
normas operacionais específicas. Não de vemos confundir aterro
sanitário com lixão. O lixão é um mero lugar de descarga a céu
aberto.
Pneus triturados
Por uma questão emergencial a Prefeitura de São Paulo e a Cetesb
em outras cidades do estado estão triturando os pneus e
depositando nos aterros. Isto não pode ser uma questão
definitiva. Os pneus podem e devem ser totalmente
reutilizados através da sua reciclagem. Podem, por exemplo,
servir para melhorar o composto asfáltico.
Sociedade de consumo
A sociedade de consumo e sus a cultura do desperdício que atinge
sobretudo as grandes metrópoles é o fator gerador deste
problema. Embalagens e mais embalagens, mais embalagens que
produtos inunda as lojas e nosso lixo.
Embalagens não retornáveis, geralmente desnecessárias.
Sociedade da informação
A sociedade da informação, leia-se computadores e celulares
trouxe à tona a questão do lixo eletrônico. Em 2004, serão 315
milhões de computadores fora de linha, só nos EUA. Pouco ou
quase nada é reciclado. Nossos lixos a cada dia que passa está
sendo tomado pelo lixo eletrônico. É bom saber que
computadores e celulares contem elementos perigosos e preciosos.
Os materiais perigosos são: cádmio níquel existente nas
baterias e os circuitos eletrônicos com mercúrio, arsênico
e outros metais tóxicos. Os materiais preciosos são ouro e prata
(dos circuitos eletrônicos), plásticos e vidro.
Dia Mundial da Água
Na sexta, 21 de março é comemorado o Dia Mundial da Água. Muito
oportuno para a conscientização da importância da água,
discutir a capacidade hídrica e a necessidade de gestão pública
do saneamento. Não pode ser apenas fonte de lucro: água é vida!
Flotação
A flotação do Rio Pinheiros, com previsão final de tratamento
de 50 mil litros das águas rio é motivo de discussão entre o
governo estadual, deputados a oposição e entidades civil. O
projeto parte de um piloto com capacidade de 10 mil litros que serão
bombeados para a Billings, com o objetivo de ampliação de
energia da usina Henry Borden. Entre outros fatores reclamam do
custo elevado que envolve o tratamento e a falta de Eia-Rima,
estudo de impacto ambiental e relatório de impacto ao meio
ambiente e da falta de discussão com a população e com a
comunidade científica e profissionais que atuam no setor. |