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Falando Sério
por Alfredo Ramos
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O autor que me perdoe mas não sei quem escreveu o
texto abaixo sobre palavrões. Como perdoa-se tudo, até palavrões,
porque não esta transcrição?
A lista das palavras pernósticas, são todas conhecidas e veja
como o tempo, muda o sentido delas.
Antigamente seria inadmissível o que irias ler. Hoje, virou até
graça(!) Há quem discorde, mesmo dizendo palavrões não
concordando. Dirias então antigamente: - "Você tem cara de
Zé. " Hoje é mais fácil ser mais claro: - "Você tem
cara de viado.." E não é pouco não, pois veado é uma
coisa e viado é outra. Na duvida, consulte qualquer dicionário e
terás as explicações
atualizadas. Eu, não achei nenhuma explicação, então conclui
que ainda falta um dicionário português à altura de nossa
cultura. Acompanhe o texto:
"Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos
extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário
de expressões que traduzem com a
maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o
povo fazendo sua língua.Como o Latim Vulgar, será esse Português
Vulgar que vingará
plenamente um dia. Sem que isso signifique a "vulgarização"
do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples
das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu
jeito, sua índole.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz
melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra
caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase
uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra
caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra
caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a
mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!".
O "Não, não e não!" e tampouco o
nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não,
absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo"
é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência
tranqüila,para outras atividades de maior interesse em sua vida.
Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra
ir
surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um
definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM
FODENDO!". O impertinente se
manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa
e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o " porra nenhuma! " atendeu tão
plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição
de uma negação, mas também o justo
escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível
imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano
profissional. Como comentar a
bravata daquele chefe idiota senão com um " é PhD porra
nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho
porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como
vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar
interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia
pública de um canalha. São
dessa mesma gênese os clássicos "aspone",
"chepone", "repone" e, mais recentemente, o
"prepone" - presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade
de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "
Puta-que-o-pariu! ", falados assim, cadenciadamente, sílaba
por sílaba... Diante de uma notícia irritante
qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca
outra vez em seu eixo.
Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e
sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o
safar de maiores dores
de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua
maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do
seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio
e aos seus quando, passado o limite do
suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta:
"Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você
retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a
camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça
erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo
nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de
maior poder de definição do Português
Vulgar:"Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora
ainda: " Fodeu de vez!". Você conhece definição mais
exata,pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau
máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão,
inclusive, que uma vez
proferida insere seu autor em todo um providencial contexto
interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está
dirigindo bêbado, sem
documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma
sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você
fala? " Fodeu de vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente
proporcional à quantidade de "foda-se!"que ela fala.
Existe algo mais libertário do que o conceito do " foda-se!
"? O " foda-se! "aumenta minha auto-estima, me
torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.".
Não quer sair comigo?
Então foda-se!"." Vai querer decidir essa merda
sozinho(a)mesmo? Então foda-se!".O direito ao"foda-se!
"deveria estar assegurado na Constituição
Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se."
Viu só mano! Quando o sentido dos palavrões acima esgotarem-se,
quais irão substitui-los? Pela tendência globalizada, estaremos
logo importando alguns
do Hallen, via mídia, ou mergulhando totalmente na gíria bandida. |
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