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Revista Partes ano II abril de 2002 n.21

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Livros

A Era do Terror
O mundo depois de 11 de setembro
 

                 Strobe Talbott/Nayan Chanda (orgs. 

Paul Kennedy 
Niall Ferguson  
John Lewis Gaddis  
Maxine Singer
Abbas Amanat
Harold Hongju Koh   
Charles Hill
Paul Bracken 

Tradução: Cristiana Serra
Categoria: Interesse Geral
Formato: 14 X 21 
Páginas: 240
Preço: R$45,00
 

O mundo assistiu estarrecido ao desmoronar das torres gêmeas do World Trade Center em 11 de setembro de 2001.  O  lead clássico - quem, o que, onde, como e por quê - foi difícil de formular para os jornais do dia seguinte.  Não havia respostas concretas a estas perguntas e o ocidente, perplexo, custou a digerir os acontecimentos. Mas se perguntas ficaram no ar num primeiro momento, a ousadia terrorista levou ao início de uma nova era, em que agora o combate ao terrorismo é prioritário para governos nacionais e organizações internacionais.

 

Da perplexidade inicial passou-se à ira e desta à reflexão. Entender realmente o que aconteceu e os desdobramentos deste fato é um ponto de partida.  Como dizem os organizadores de A Era do Terror,  Strobe Talbott e Nayan Chanda: "O imperdoável não é necessariamente incompreensível nem inexplicável". Assim, para tentar compreender melhor o atentado que abalou o mundo, eles  reuniram neste livro ensaios de quatro historiadores, um diplomata de carreira,  um catedrático de direito, um  cientista político e um especialista em biologia molecular, entre este seleto  grupo seis acadêmicos da Universidade de Yale.

 

Nos dias atuais,  em que o terrorismo internacional demonstra força,  a obra,  recém-lançada nos Estados Unidos,  torna-se oportuna  por mostrar o que cada um destes pensadores considera como lições, alvos e medidas preventivas,  a partir do ato que expôs a vulnerabilidade americana.  Paul Kennedy, por exemplo, avalia as perspectivas a longo prazo para os EUA como grande potência. Já Maxine Singer cogita de um modelo de mobilização do cabedal técnico, científico e médico de seu país para o combate ao terrorismo. Para Charles Hill, a instabilidade do Oriente Médio se deve ao molde retrógrado e autocrático das estruturas políticas da região.

 

100 anos da obra Que fazer? de V. I. Lênin 
Augusto César Buonicore*

Em março deste ano comemoramos os 100 anos de uma obra fundamental para o movimento comunista internacional; uma obra que, em grande medida, fundamentou teórica e politicamente a constituição do "partido de novo tipo" – o Partido Comunista. Ela foi um dos marcos na elaboração marxista no início do século XX e, em certo sentido, foi a obra fundadora do leninismo. Refiro-me ao livro Que Fazer? de Vladimir Ilitch Lenin.

Nos primeiros anos do século passado travou-se um dura luta política e teórica entre duas alas da social-democracia russa. Uma dirigida por Lenin e outra, denominada economicista, dirigida por Martov. Esta divisão entre a direita e a esquerda social-democrata representou o início de um processo que levaria à grande cisão do movimento socialista internacional, em 1914, dando origem a duas correntes: a social-democrata e a comunista.

Lenin sabia que para construir um partido socialista, que pudesse cumprir as tarefas colocadas pela revolução, era preciso derrotar, em todos os campos, as concepções que negavam a necessidade: 1º) da teoria revolucionária (marxista); 2º) da construção de uma sólida e disciplinada organização partidária; 3º) de se colocar no centro da tática e da estratégia socialista a luta política contra a autocracia tzarista.

A vitória destas concepções significaria a derrota da revolução russa. A obra Que Fazer? cumpriu o importante papel de demarcar os campos do movimento socialista e foi um duro golpe contra a corrente economicista que era então predominante no interior da social-democracia russa.

O livro em questão se divide em cinco capítulos. No primeiro põe a nu o verdadeiro sentido das teses que advogavam a "liberdade de crítica" no interior do partido socialista. Esta era uma consigna levantada por aqueles que defendiam a existência de duas linhas políticas antagônicas no interior do partido proletário. A "liberdade de crítica" era a liberdade dos oportunistas continuarem não só defendendo suas opiniões como também aplicando sua política à margem da vontade de maioria do partido, ou seja, a "liberdade de implantar no socialismo as idéias burguesas".

Lenin defendeu com energia a necessidade da teoria revolucionária, o marxismo, e a possibilidade desta teoria desvendar o real, permitindo a construção de uma tática e estratégia adequada ao processo de transição ao socialismo. E que este não seria apenas um imperativo ético mas uma possibilidade objetiva colocada no próprio processo de desenvolvimento contraditório do capitalismo.

Os revisionistas, ao criticarem o pretenso "dogmatismo e doutrinarismo" dos marxistas revolucionários, negavam o próprio papel essencial da teoria revolucionária e o valor científico do socialismo marxista. Para os economicistas russos, e os revisionistas em geral, "as grandes frases contra a fossilização do pensamento etc. dissimulavam o desinteresse e a impotência para progredir o pensamento teórico". Segundo Lenin, "sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário" e "só um partido guiado por uma teoria de vanguarda é capaz de preencher o papel de combatente de vanguarda."

O segundo capítulo aborda as implicações políticas negativas do "culto da espontaneidade", apregoado pelos economicistas, e a subestimação do fator consciente, representado pelo partido de vanguarda. Analisa a complexa relação entre o fator consciente e o movimento espontâneo das massas distorcida pelos economicistas. Lenin tinha consciência de que a classe operária pelas suas próprias forças não poderia chegar "senão a consciência sindical, isto é, a convicção de que seria preciso unir-se em sindicatos, conduzir a luta contra os patrões, exigir do governo essas ou aquelas leis necessárias aos operários etc."
Por isto, "todo culto da espontaneidade do movimento operário, toda diminuição do papel do ‘elemento consciente’, do papel da social-democracia significa – quer se queira ou não – um reforço da ideologia burguesa sobre os operários", e prossegue: "o desenvolvimento espontâneo do movimento operário resulta na subordinação à ideologia burguesa". O predomínio da ideologia se dá devido ao fato de que ela é "muito mais antiga", "está completamente elaborada" e possui "meios de difusão infinitamente maiores."

No terceiro capítulo o autor trata de demarcar claramente a diferença entre a política social-democrata (comunista) e a política sindical. Diferença que os economicista buscavam obscurecer. Afirma ele: "A social-democracia dirige a luta da classe operária, não apenas para obter condições vantajosas na venda de força de trabalho, mas, também, pela abolição da ordem social que obriga os não possuidores a se venderem aos ricos".

A consciência socialista não pode nascer espontaneamente da luta econômica entre operários e patrões. Afirma o autor: "a tarefa dos sociais democratas não se limita à agitação política no domínio econômico; a sua tarefa é transformar esta política tradeunionista (sindicalista) em uma luta política social-democrata, aproveitar os vislumbres de consciência política que a luta econômica fez penetrar no espírito dos operários para elevar estes à consciência política social-democrata".

A luta econômica "leva os operários a pensar unicamente nos problemas relacionados com a atitude do governo em relação à classe operária; por isso, por mais que nos esforcemos na tarefa de ‘imprimir à própria luta econômica um caráter político’, nunca poderemos, dentro dos limites de tal tarefa , desenvolver a consciência política dos operários (até o grau de consciência política social-democrata) porque esses próprios limites são estreitos".

Portanto "a consciência política de classe não pode ser levada ao operário senão do exterior, isto é de fora da luta econômica, de fora da esfera das relações entre operários e patrões. A única esfera em que se pode obter estes conhecimentos é na esfera de todas as classes entre si (...) A consciência da classe operária não pode ser uma consciência política verdadeira, se os operários não estiverem habituados a reagir contra todo o abuso, toda manifestação de arbitrariedade, de opressão e violência, quaisquer que sejam as classes atingidas".

O quarto capítulo condena os métodos artesanais no campo da organização revolucionária social-democrata e defende a necessidade de um partido forte e centralizado, que tenha como núcleo um corpo de revolucionários profissionais e esteja assentado sobre um amplo leque de organizações de massa.

Para Lenin os métodos artesanais "estavam ligados ao ‘economicismo’" e não se poderia livrar da "estreiteza no trabalho de organização" sem antes que se livrar do ‘economicismo’ em geral. Afinal, não se precisaria de uma organização partidária forte e unificada simplesmente para travar a luta "a favor das ‘reivindicações políticas imediatas’" ou a luta "econômica contra os patrões e o governo’". Grande parte deste capítulo se refere à constituição de uma organização revolucionária nos marcos de uma Rússia dominada pela autocracia tzaristas, mas existem nele elementos que permitem a constituição de uma teoria de partido revolucionário em geral.

E, por fim, no quinto capítulo ele defende a criação de um jornal político para toda Rússia, como principal instrumento para vencer a dispersão das organizações locais da social democracia russa. Sem isto "as organizações locais não poderiam ‘reunir e organizar’ todas as forças de revolucionários para uma ofensiva geral contra a autocracia, para direção da luta comum". Para Lenin o jornal para o Partido não seria apenas um propagandista ou agitador coletivo mas seria fundamentalmente um "organizador coletivo".

Passados 100 anos de sua publicação a obra de Lenin continua atual. Que fazer? continua sendo um poderoso antídoto contra as correntes ditas socialistas que negam o papel de um partido proletário munido de uma teoria revolucionária, o Partido Comunista, e querem reduzir a luta de classes ao conflito patrões e operários nos marcos da luta econômica e que, por conseqüência, negam o papel central da luta política.

A reconstrução do movimento operário e socialista internacional não poderá se dar fora do curso da luta política atual contra o neoliberalismo e o imperialismo norte-americano, tendo sempre em vista as diversas etapas da luta emancipacionista e a correlação de forças existente no mundo e no Brasil. É isso que, no fundamental, nos ensina Que Fazer?.

*professor de história, do Comitê Central do PCdoB


Nayan Chanda é diretor de publicações do Centro de Yale para o Estudo da Globalização. Foi, entre 1996 e 2001, editor e redator da Far Eastern Economic Review, depois de 22 anos como correspondente dessa mesma revista. É o autor de Brother Enemy: The War After the War, e co-autor de! mais de dez livros sobre política asiática e segurança interna e externa;  Strobe Talbott é diretor do Centro de Yale para o Estudo da Globalização. Foi vice-secretário de Estado de 1994 a 2001. Escreveu seis livros sobre o controle de armas e sobre as relações entre os Estados Unidos e a União Soviética. Seu relato autobiográfico, intitulado The Russia Hand: A Memoir of Presidential Diplomacy, será publicado brevemente
 


Manual do Telejornalismo
Os segredos da notícia na TV

Ética e técnica para o jornalismo na TV
 

Heródoto Barbeiro • Paulo Rodolfo de Lima

A vida está passando mais rápido do que antigamente ou são as notícias que, ao invés de demorarem semanas, dias ou horas para chegar ao nosso conhecimento, agora são transmitidas ao vivo, de qualquer parte do mundo?

Difícil responder. Mas há uma forte sensação de que isso tem relação direta com a televisão. O que aumenta consideravelmente a responsabilidade do jornalista. Os dilemas técnicos e éticos da profissão estão cada vez mais nas discussões da sociedade.  

O Manual do Telejornalismo, de Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima, vem para responder essas e outras questões e ser usado tanto por estudantes como por profissionais.

AMOR NA INTERNET - QUANDO O VIRTUAL CAI NA REAL

Alice Sampaio Editora Record

352 páginas Preço: R$ 35,00

AMOR NA INTERNET - QUANDO O VIRTUAL CAI NA REAL é uma grande reportagem, que custou a Alice Sampaio dois anos de trabalho, e procura desvendar todas as facetas de um mundo onde a paquera se dá de forma invertida - primeiro a conversa e só depois o encontro visual -, e que já atrai mais de 2 milhões de brasileiros. Um mundo complexo, pouco pesquisado, mal compreendido e cujo uso cresce em progressão geométrica. “De tanto ler reportagens louvando a internet como o grande lugar para encontrar o amor, explica Alice Sampaio, “cadastrei-me em alguns sites de encontros e passei oito meses em busca de um namorado na rede.”

        O material colhido para AMOR NA INTERNET - QUANDO O VIRTUAL CAI NA REAL nasceu dos e-mails trocados com 58 pessoas, nove das quais Alice conheceu pessoalmente. “Não sei se por curiosidade ou hábito investigativo, não me desfiz de nenhuma das conversas,” confessa a autora. Em meio a profusa troca de mensagens, Alice ficou abismada com a dissimulação, as mentes confusas e o desencontro profundo entre as expectativas masculinas e femininas, mas também fez amigos. Com cada homem com quem teclava, aproveitava para sondar seus pensamentos e desejos, entrevistando-os sem que percebessem.

Além de usar a internet, passou 14 meses entrevistando mais de uma centena de pessoas, para ter certeza de que estava mesmo tirando a média do que se passava no universo dos e-mails. “Alguns dos entrevistados me cederam seus arquivos e pude usar os próprios e-mails deles,” conta. Selecionou 17 histórias para contar em detalhes, ocorridas com pessoas entre 18 e 56 anos, e pediu a ajuda de renomados psicólogos, psiquiatras e sexólogos para refletir sobre o que está acontecendo nos relacionamentos amorosos - na internet e fora dela.

Participam de AMOR NA INTERNET - QUANDO O VIRTUAL CAI NA REAL Luiz Cuschnir, Ronaldo Pamplona da Costa, Edson Engels, Moacir Costa, Rosely Sayão, Paulo Gaudencio, Lídia Aratangy, Hugo Fagundes, Maria Rita Seixas, Eduardo Ferreira-Santos, Aurea Roitman, Christina Freire, Oswaldo Rodrigues, Sergio Perazzo, Claudia Corbisier, Carla Zeglio, Rubens Coura e Marcelo Augusto Toniette. Por fim, convidou o antropólogo Mauro Cherobim para ler todas as histórias e comentar o fenômeno socialmente.

AMOR NA INTERNET - QUANDO O VIRTUAL CAI NA REAL é um  livro inteligente, divertido e oportuno, que faz uma reflexão bem-humorada  sobre esse fenômeno típico dos nossos dias, e aponta os caminhos para a difícil realização amorosa na internet.

 


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