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Revista Partes ano II maio de 2002 n.22

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Arte bunda
por Alfredo Ramos

O Carandiru não estava sendo invadido pelas tropas de choque da policia, após mais uma rebelião bem sucedida do PCC. A voz de comando no entanto era enfática e tinha um tom categórico:

- Todo mundo na parede. Todo mundo nu!

- Não quero ninguém de pulseiras, relógios, brincos, óculos, meias ou perucas, aqui.

O fotografo americano, Spencer Tunik, não precisava nem de interprete. Ia dizendo em inglês o que queria e todo mundo ia abaixando as calças. Entre dez pelados, oito eram marmanjos. Uns barrigudos, mas na maioria mesmo de bundões.

A interprete nem precisava traduzir nada para a correria ser geral, e todo mundo, descaradamente sair tirando roupas, cuecas, sutiãs, tangas e orangotangos pelos cantos dos banheiros, marquises e praça do Ibirapuera.

O novo artista das lentes da Bienal, um fotografo camelô americano, queria ver muitas bundas reunidas.

- The Spencer Track, isto é, sem peidos.

- And the Spencer Tunik - isto é, sem tunica

- Yes, more, more...and, clic, clic, clic

Esse é o novo tempo, e a 25a. Bienal Internacional de São Paulo, as 7 horas da matina tinha uma multidão ávida enfrentando desnuda uma temperatura desagradável de 21o. graus, e um ventinho fresco da manha.

De acordo com os organizadores, 1.100 pessoas posavam para as câmeras, mais pelos cálculos, seriam mesmo, 2.200 nádegas afoitas.

- No smoke. No pernas abertas. No pinto pra dentro...

- This is art, no simples aggregate corps .

Entre os participantes, figuravam adeptos do naturismo, casais de gays e de héteros, drags queens, e alguns repórteres. Dizem que viram até pastores, procurando ovelhas desgarradas...e alguns padres pedófilos por lá.

Tinha até um cara com a barba do Abin Ladem, que foi confundido com o Enéas. Não teve nem uma sósia da Marta o que não deixou de ser um suplicio, para quem acreditava naquela lei dos direitos dos homosexuais e suas liberdades distorcidas.

-" Que gracinha..."

No final, abraços e beijos.

Houve, vários, antes e durante. Mas na despedida, o beijo, mesmo que fosse da aranha, deve ter tido para os pelados, muito mais sentido e sem vergonha.

Até a 26a. edição, teremos a Bienal Fuck Hell e viveremos todos esses momentos felizes da arte, em um futuro brilhante e global.

- Arre égua, se continuarmos assim estaremos todos é fudidos...

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 Alfredo Ramos é jornalista.

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